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Wednesday, March 20, 2013

Quantos filhos nos enlouquecem?

Estive pensando em algumas mães com dois filhos que se dizem enlouquecidas com o trabalho e as preocupações com as crianças. E umas desesperadas com um filho apenas.

De fato, as crianças pequenas dão muito trabalho, e, como não temos formação específica para sermos mães, ficamos apavoradas com tudo que surge em nossos bebês. Um tombo; uma doença de difícil diagnóstico; noites sem dormir; exames para fazer; casa para cuidar; trabalho fora de casa; tudo isso somado provoca um estresse muito grande.

Não quero assustar ninguém com esse meu papo, tive nove filhos e sobrevivi, ainda que meio louca!  Porém, viva e alegre, podendo aproveitar do convívio de todos, mesmo dos distantes. A internet é um bem enorme, que encurta as distâncias e ajuda a matar as saudades.

O período da primeira infância é um teste probatório para o resto das nossas vidas, ,e quando o ultrapassamos, nos tornamos mais fortes e prontos para a outra fase, menos trabalhosa, mas não menos preocupante (pra não dizer mais enlouquecedora): a adolescência.

Pela vivência que tive, não é a quantidade de rebentos que nos enlouquece, e sim o despreparo para executarmos muitas tarefas ao mesmo tempo, com alegria e boa disposição. Estamos acostumados a sermos servidos; a criação que recebemos de nossos pais não nos preparam para este tanto de obrigações e problemas; formamo-nos em muitas áreas, temos vários diplomas acadêmicos e a nossa parte doméstica fica um pouco (ou será muito?) de lado. Não há tempo nem para lavar um copo ou fazer um ovo frito, quando somos jovens e solteiros.

Deveria fazer parte da grade curricular das escolas aulas de economia doméstica e formação familiar, incluindo cuidados com os filhos. Eu cheguei a fazer um curso de Eugenia quando entrei no colegial, oferecido pela escola. Foi muito proveitoso. Seriam aulas muito mais proveitosas do que querer ensinar educação sexual, fornecendo camisinhas e ensinando o tal “sexo seguro” , totalmente fora da realidade e que invade um terreno próprio dos pais.

Na hora de criar e educar os filhos, todo o nosso conhecimento acadêmico fica em segundo plano, e surge em nós o instinto de mãe, que, graças a Deus, temos bem apurado, para dar continuação ao nosso cuidado com as crianças.

Os filhos não nos enlouquecem, o que nos deixa desvairadas é a nossa consciência de estarmos despreparadas para tal incumbência. A sensação de impotência diante de uma criança com 39º de febre, ou vomitando sem parar, isso sim nos abate e mina a alma. Mas, somente com confiança e fé em um Deus-Pai todo poderoso, vamos levar adiante e ultrapassar as barreiras da insanidade e conseguir ter quantos filhos Deus permitir que tenhamos dentro da nossa programação familiar.

Friday, March 15, 2013

EmContando – 25 - O Gigante Egoísta

O Gigante Egoísta - parte 1
Todas  as tardes, quando voltavam da escola, as crianças costumavam ir brincar  no jardim do Gigante.

Era um belo e vasto recanto, coberto de grama verde e macia. Aqui e ali, por sobre a relva, apontavam lindas flores, semelhando estrelas. Havia doze pessegueiros que, na primavera, se abriam em delicada floração de cor rosa e pérola: no outono, ficavam carregados de deliciosos frutos. Os pássaros, pousados nas árvores, cantavam tão docemente que as crianças costumavam interromper os seus brinquedos para escutá-los.

“Quão felizes somos aqui!” – diziam entre si.

Um dia o Gigante regressou. Fora visitar um amigo, o papão da Cornualha, hospedando-se em casa deste durante sete anos. Decorrido esse tempo, dissera tudo quanto tinha a dizer, visto que sua conversa era  pouca; e resolveu retornar ao seu próprio castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.

“Que estais fazendo aqui?” – gritou-lhes, com voz bastante ríspida. A criançada deitou a correr.
“Meu jardim é meu jardim. Todos sabem: não permito que ninguém, a não ser eu mesmo, brinque nele” – resmungou consigo.

E ergueu uma alta muralha à volta do vergel, afixando a tabuleta de aviso: OS INVASORES SERÃO PROCESSADOS
Era um gigante deveras egoísta.

As pobres crianças não tinham, agora, onde brincar. Experimentaram fazê-lo na estrada, mas esta era poeirenta e cheia de pedras ásperas; não gostavam dela. Ao término das aulas costumavam perambular à volta das altas muralhas, conversando sobre o lindo jardim que havia ali dentro.
“Como éramos felizes ali!” – diziam-se.

A primavera chegou, então, e, por todo o campo, surgiram florzinhas e pássaros. Apenas no jardim do Gigante Egoísta era inverno ainda. Nele as aves não queriam cantar, pois não havia crianças, e as árvores não se lembraram de florir. Certa vez, uma linda flor pôs a cabeça para fora da grama; avistando, porém, a tabuleta, sentiu tanta pena dos infantes que se enfiou, novamente, de mansinho, no solo, e adormeceu. Os únicos seres satisfeitos eram a Neve e a Geada.

“A primavera esqueceu-se deste jardim.” – disseram. “Por conseguinte, ficaremos aqui durante o ano todo.”
A primeira cobriu a relva com seu extenso manto branco, e a segunda tingiu as árvores de prata. Em seguida, convidaram o Vento do Norte para vir ter com elas, e este veio. Envolto em casaco de pele, zunia o  dia inteiro pelo vergel, derribando as chaminés.

“É um lugar aprazível.” – falou-lhes o Vento. “Devemos convidar o Granizo para uma visita.”
Este último também veio e, todos os dias, durante três horas, tamborilava no telhado do castelo, até que fendeu a maior parte das telhas; e passou, então, a correr à volta do jardim tão rápido quanto era capaz. Vestia-se de cinzento e seu hálito era que nem gelo.

“Não compreendo porque a primavera está demorando tanto  para vir.” – murmurou consigo  o Gigante, ao postar-se à janela, olhando lá fora o seu vergel branco e triste. – “Espero que o tempo mude.”

A primavera, porém, jamais veio, e tampouco o verão. O outono trouxe dourados pomos a todos os jardins, mas ao do Gigante, nem um sequer.

“É egoísta demais!” – justificou.

De modo que ali era sempre inverno; e o Vento do Norte, o Granizo, a Geada e a Neve dançavam por entre as árvores.

Certa manhã, o Gigante achava-se desperto, na cama, quando ouviu uma linda melodia. A música soou-lhe tão agradavelmente aos ouvidos que pensou fossem os músicos reais passando. Na verdade, era apenas um Pintarrochozinho que cantava, de fora de sua janela; fazia porém tanto tempo desde que ouvira um pássaro cantar, em seu jardim, que lhe pareceu ser a mais linda melodia do mundo. O Granizo parou, então, de saltitar sobre o telhado, e o  Vento extinguiu o seu rugido; pela janela aberta vinha lhe um delicioso perfume.

“Creio que, por fim, a Primavera chegou.” – disse consigo, saltando da cama.

E olhou para fora ... Mas o que via?!
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( Não percam a resposta na próxima sexta-feira. O final da história é surpreendente. Não percam! ) Agnes G. Miley

Sunday, March 10, 2013

Receita econômica para um lanche - Pizza de pão de forma

Lembrei-me de um lanche que meu pai fazia quando chegávamos à casa dele,  muitos e de repente, sem avisar. Ele adorava servir bem a todos, e como bom descendente de português, era muito farto com as comidas, e não ficava satisfeito enquanto não nos visse todos bem alimentados.

O prato chefe do lanche era uma pizza improvisada de pão de forma. Segue a receita, e não me perguntem as quantidades, era tudo feito a olho e saía muito gostoso, tinha o gosto da casa do vovô, onde os netos adoravam ir, para ouvir suas histórias sobre os parentes que nem conheceram. 

Ingredientes:
Pão de forma sem as cascas – quantidade suficiente para preencher um tabuleiro grande.
Leite – só para borrifar nos pães.
Manteiga para untar o fundo do tabuleiro.
Muçarela em quantidade suficiente.
Presunto ou linguiça e rodelas.
Molho de tomate fresco.
Azeite a gosto.
Sal e orégano – ingrediente que não pode faltar em casa.

Modo de fazer.
Untar o tabuleiro com a manteiga ou margarina, colocar as fatias de pão, lado a lado, borrifar sobre elas um pouco de leite temperado com sal. Por cima de fatia, colocar muçarela, molho de tomate, ou rodelas de tomate, e o presunto em tiras ou a linguiça em rodelinhas.. Por cima de tudo,  ir derramando um fio de azeite e polvilhar orégano ao gosto dos visitantes. 

Levar ao forno quente e deixar dourar.  Servir quente.

Sugiro que façam mais de um tabuleiro, pois a garotada vai querer bis.

Thursday, March 7, 2013

Escutar com atenção e simpatia

Parafraseando Alfonso Aguiló, quando comenta em seu livro a respeito de Momo.
Momo é a pequena protagonista do famoso livro de Michael Ende, que leva seu nome; “Momo e o senhor do tempo”. Uma menina que surgiu na vida de algumas pessoas, não se sabe de onde. Vive pelas ruínas de um anfiteatro grego ou romano.

De uma coisa começam a ter certeza. Todo mundo quer estar com ela, ao lado dela. Começam a perceber que foi uma sorte muito grande tê-la conhecido. Constatam que sua presença torna-se algo imprescindível. “Como pudemos ter vivido até o momento sem a Momo?”- pensam todos que a conheceram.

Começaram, então, a fazer um balanço de suas qualidades e atrativos, e não conseguiam perceber que qualidade especial apresentava. Não é esperta. Não pronuncia frases belas e sabias. Não sabe cantar, dançar, ou alguma outra coisa maravilhosa. O que tem então?

A pequena tem algo que não encontramos com tanta frequência hoje em dia. Ela sabe escutar com atenção e simpatia.

Algo mágico acontece quando as pessoas se encontram diante dela. As pessoas limitadas têm ideias inteligentes. Diante dela, o indeciso sabe de imediato o que quer. O tímido sente-se, de imediato, livre e valorizado. Quanto ao angustiado, torna-se confiante e alegre. E o mais infeliz descobre que é importante para alguém; É que ela sabe escutar!

Em todas as crianças e adolescentes existem, em semente, boas e más tendências, e cada um deles torna-se responsável por quais deixará germinar. Neste caminho, o papel de um educador, que saiba escutar, será estratégico para que percebam quais são as boas sementes e porque vale mais a pena cultivar estas e não as outras más. Conseguirão se forem bons ouvintes.

Sabemos que a estrela dos nossos filhos conseguirá brilhar com os anos de muito esforço. Eles se motivarão a realizar algo bem feito, e que agrade aos demais, se encontrarem, neste processo, pais e professores que escutam realmente. Sem dúvida, quem escuta com atenção, com verdadeiro desejo de compreender ou até mesmo de aprender, sem deixar-se levar pelo impulso de falar o que julga melhor, ou de rebater o que ouve, torna-se cada vez mais especial e faz com que o educando, ao se expressar, se sinta também mais valorizado e amado. Ganhará ânimo e motivos para ser melhor, para corresponder `as expectativas dos pais e professores.

É triste, entretanto, evidenciar que muitos pais e professores fazem muitos esforços em planejar estratégias de disciplinas, regras de conduta, normas de comportamento, e se esquecem que a exigência para serem melhores filhos e alunos parte de uma educação positiva, que os coloca em uma atitude alegre, tranqüila, serena, e, portanto, capaz de levá-los a quererem acionar um motor próprio. Afinal, ninguém faz nada, como algo próprio, quando parte de uma obrigação.

Costumo dizer que a atenção de coração é a melhor e mais eficaz forma de exigência.
Autimio Antunes - Reproduzido do blog da revista Ser Família, de 26 de junho de 2012.

Sunday, March 3, 2013

A Educação Infantil e os pais

O que verificar em relação à educação de sua criança, se ela frequenta uma creche ou pré-escola.

1. Aspectos que os familiares podem verificar diretamente na creche ou na pré-escola:
•    A instituição tem autorização de funcionamento expedida pela Secretaria Municipal de Educação?
•    O alvará sanitário está afixado em lugar visível?
•    A instituição tem proposta pedagógica em forma de documento?
•    Reuniões e entrevistas com familiares são realizadas em horários adequados à participação das famílias?
•    Há reuniões com familiares pelo menos três vezes por ano?
•    Os familiares recebem relatórios sobre as vivências, produções e aprendizagens pelo menos duas vezes ao ano?
•    A instituição permite a entrada dos familiares em qualquer horário?
•    Existe local adequado para receber os pais ou familiares? E para aleitamento materno?
•    As professoras têm, no mínimo, a formação em nível médio, Magistério?
•    Há no mínimo uma professora para cada agrupamento de:
•    6 a 8 crianças de 0 a 2 anos?
•    15 crianças de 3 anos?
•    20 crianças de 4 até 6 anos?
•    As salas de atividades e demais ambientes internos e externos são agradáveis, limpos, ventilados e tranquilos, com acústica que permite uma boa comunicação?
•    O lixo é retirado diariamente dos ambientes internos e externos?
•    A instituição protege todos os pontos potencialmente perigosos do prédio para garantir a circulação segura das crianças e evitar acidentes?
•    A instituição tem procedimentos preestabelecidos que devem ser tomados em caso de acidentes?

2. O que os familiares podem verificar com a criança sobre o atendimento na educação infantil:
•    Pergunte qual é o nome das professoras e de outros funcionários.
•    Pergunte o nome dos amiguinhos mais próximos.
•    Pergunte à criança o que ela mais gostou de fazer naquele dia.
•    Incentive à criança a contar e a narrar situações vividas na instituição:
•    que músicas cantou ou ouviu;
•    quais brincadeiras aconteceram;
•    que pinturas, desenhos, esculturas ela fez;
•    qual livro a professora leu;
•    que história a professora contou;
•    o que ela está aprendendo, entre outras.

3. O que os familiares podem observar diretamente na criança sobre o atendimento na educação infantil:
•    Observe o comportamento da criança quando ela chega na instituição (alegria, timidez ou choro).
•    Observe diária e atentamente enquanto estiver conversando com a criança, seu olhar, seus gestos, sua fala suas reações podem ajudar a avaliar o estado físico e emocional.
•    Observe as reações da criança ao ver seus colegas, isso pode demonstrar como está a relação com a turma.
•    Observe as produções e o material que ela traz da instituição.
                                       Adaptado do site do MEC.

Friday, March 1, 2013

EmContando – 23 - Quero Ser um Televisor

Quero Ser um Televisor
A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma redação, falando sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles.

À noite, em casa, corrigindo as redações, ela se depara com uma que a deixa muito emocionada.

O marido a vê chorando e diz: “O que aconteceu?”
Ela responde: “Leia.”

Era a redação de um menino que dizia:

“Senhor, esta noite te peço algo especial: Me transforme em um televisor. Quero ocupar o seu lugar.
Viver como vive a TV de minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir minha família ao redor ...
Ser levado a sério quando falo ...

Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções, nem questionamentos. Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega em casa, mesmo que esteja cansado.

E que minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de ignorar-me.

E ainda que meus irmãos “briguem” para estar comigo.

Quero sentir que minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.

E, por fim, que eu possa divertir a todos. Senhor, não te peço muito ...Só quero viver o que vive qualquer televisor!”

Naquele momento, o marido de Ana Maria disse: “Meu Deus, coitado desse menino! Que coisa esses pais!”

E ela fala: “Essa redação é do nosso filho.”
(Autor desconhecido  -  Fonte: Internet)

 Amigas e amigos,

Encontrei essa historinha no calendário do Dizimista de minha paróquia. Quando a li pela primeira vez, fiquei chocada. Ela não me saiu da cabeça.

 É possível que ver televisão já não esteja tão em moda quanto  usar computador e outros comunicadores eletrônicos que     interferem, até mais, no relacionamento inter-pessoal do que a própria TV . Como é difícil, por exemplo, conversar   com alguém que elege seu sofisticado celular como objeto de estimação inseparável!

Pensando nisso tudo, e na solidão do filho da professora Ana Maria, proponho-me a rever meu olhar não apenas sobre  meus familiares, mas  sobre todos com quem cruzo a cada hora.

O porteiro de meu edifício, o motorista do ônibus, a balconista de qualquer loja, o entregador de pizza ou do mercado, o caixa do banco ... todos  devem  sentir-se mais alegres quando percebidos , reconhecidos.

Mesmo que  não traga  o  celular  ao ouvido,   meus próprios pensamentos,   ocupações  e pré-ocupações    podem  fazer-me, simplesmente, passar pelas pessoas sem notá-las de verdade. O inverso também acontece: “Fulano passou por mim e nem me viu!”

Gostaria que nem criança, nem adulto, nem idoso precisasse sentir-se tão  ninguém como o pequeno filho de Ana Maria. Que eu faça a minha parte.
                                                                                        Agnes G. Milley

Friday, February 22, 2013

EmContando – 22 A Casa dos Mil Espelhos

A Casa dos Mil Espelhos (folclore japonês)

Tempos atrás, em um distante e pequeno vilarejo, havia um lugar conhecido  como a casa dos mil espelhos. Um pequeno e feliz cãozinho soube deste lugar e decidiu fazer uma vista à casa. Lá chegando,  saltitou feliz escada acima até a entrada da casa. Olhou através da porta de entrada com suas orelhinhas bem levantadas e  a cauda balançando tão rapidamente quanto podia. Para sua grande  surpresa deparou-se com outros mil pequenos e felizes cãezinhos, todos com suas caudas balançando tão rapidamente quanto a dele. Abriu um enorme sorriso e foi correspondido  com mil enormes sorrisos. Quando saiu da casa pensou:

“Que lugar maravilhoso! Voltarei sempre, um montão de vezes.”

Neste mesmo vilarejo, um outro cãozinho, que não era tão feliz quanto o primeiro, decidiu também visitar a casa. Escalou lentamente as escadas e olhou através da porta. Quando viu mil olhares hostis de cães que olhavam para ele fixamente, rosnou e mostrou os dentes e ficou horrorizado ao ver mil cães rosnando e mostrando os dentes para ele. Quando saiu, ele pensou:

“Que lugar horrível, nunca mais volto aqui.”

Todos os rostos do mundo são espelhos.

Queridas amigas e amigos!

Na semana passada enviei   duas parábolas e para esta semana encontrei uma pequena fábula japonesa.  As três histórias   fazem-nos pensar em nós mesmos. Fiquei contente por tê-las encontrado justamente neste período que antecede a Páscoa. Prometi a mim mesma reler essas e outras histórias, cuidadosamente, e depois olhar bem no espelho para ver se consigo obter, senão mil, mas pelo menos um grande sorriso. Prometo mais uma história de “pensar” para a próxima semana.

Desejo a todos uma ótima semana.
Agnes

Friday, February 8, 2013

EmContando – 20 - A Dança das Cores

No Planeta Claro-Escuro, não havia cores. Ninguém tinha cor de olhos, cor de cabelo e nem cor de pele. Os adultos já estavam acostumados a viver só no branco e preto, mas a vida das crianças no Planeta Claro-Escuro era muito triste. Elas queriam colorir seus desenhos e não podiam. Elas queriam vestir roupas coloridas, mas essas roupas não existiam por lá. Nem as flores, nem as borboletas, e nem os passarinhos,   tinham cores. Era tudo muito sem graça e muito triste. 

Um dias, as crianças resolveram fazer alguma coisa para mudar essa situação. Decidiram escolher uma delas para ir até o topo da Montanha Vento Forte para procurar o  Baú das Cores. Os mais velhos  contavam que as cores foram aprisionadas nesse baú, há muito tempo, por uma bruxa malvada, e que só uma criança muito especial  poderia libertá-las.

Depois de pensarem por vários dias,   os  habitantes do  Planeta Claro-Escuro escolheram Corina para a grande missão de libertar as cores.

Corina era uma menina especial. Tinha cor no nome, era corajosa e amiga de todos. Todos ajudaram Corina a se preparar para a longa viagem. Com a mochila cheia de frutas, chocolates, biscoitos, e uma garrafa de água, além de uma lista de recomendações do que fazer para não se perder no caminho, Corina partiu em direção à misteriosa montanha.

Corina andou ... andou ... andou muito. Primeiro ela atravessou um campo florido, depois um pequeno rio de águas claras, e começando a subir a montanha, chegou até uma grande floresta escura e cheia de barulhos estranhos. Folhas e galhos caíam das árvores, e os animais corriam para se esconder ao menor ruído, provavelmente, com medo de caçadores. Corina estava apavorada, mas como havia prometido ir até o fim de sua missão, não iria desistir facilmente. 

Quando saiu da floresta, Corina encontrou um caminho cheio de pedras. Pedras pequenas, pedras grandes, pedras de todos os tamanhos. O vento soprava forte  e era muito difícil caminhar sobre elas. Corina resolveu descansar um pouco, beber e comer alguma coisa antes de continuar sua jornada.
Quando o caminho das pedras chegou ao fim,  ela  se viu em frente a uma grande gruta . Bem na entrada,   de guarda, havia um anão muito velhinho, de barba  tão comprida  que quase lhe chegava aos pés. Quando ele viu  Corina se aproximando, foi logo gritando:

“Alto lá menina! Onde pensa que vai? Ninguém pode entrar nessa gruta. É proibido. Lá dentro está o Baú das Cores e eu sou o seu guardião desde que minha barba era curta. “

“Eu me chamo Corina. Sr. Anão. Vim de muito longe até aqui só para libertar as cores presas no baú. Onde eu vivo, todos estão precisando muito delas e não vou voltar sem levá-las comigo.”

O anão achou uma petulância uma menina tão pequena querer enfrentá-lo. E gargalhou com a voz rouca e a boca sem dentes:

“Rá, Rá, Rá ! Quem você pensa que é? Acha mesmo que pode  me enfrentar?”

Eu não quero enfrentá-lo, Sr. Anão, eu só quero libertar as cores e levá-las para o meu povo. O senhor não precisa se preocupar. Nós tomaremos conta delas. Cada cor terá seu devido lugar. O mato será verde, o céu azul, a noite será preta como um Urubu. O sol será amarelo e as nuvens  brancas.

O anão que já estava muito velho e muito cansado de ficar noite e dia  guardando  as cores, pensou um pouco e disse:

“Muito bem! Vou fazer uma pergunta e se você souber respondê-la, deixarei você libertar as cores. Pense bem, pois até hoje ninguém acertou a resposta.”

Corina fechou os olhos,   concentrou-se e cruzou os dedinhos para não errar.  O anão perguntou:
“Com que cor vocês pretendem colorir a ALEGRIA?”

“Com todas as cores!”,  respondeu Corina, sem pestanejar. “Cada criança vai colorir a ALEGRIA com sua cor preferida, e tudo ficará colorido como um Arco-Iris.”

Assim que Corina acabou de falar, as cores saíram da gruta dançando livres e soltas. Deitaram-se umas ao lado das outras e formaram um lindo Arco-Iris, por onde Corina veio escorregando até cair bem diante da porta de sua casa. Não é preciso descrever a felicidade de todos ao verem Corina de volta. As crianças pegaram as cores e com elas fizeram uma grande festa    de ALEGRIA.

A Festa das Cores nunca mais acabou. Continua até hoje em todos os cantos do mundo, principalmente, no coração de todas as crianças. 

(Em Redescobrindo Sons e Gestos: Histórias para cantar e contar de Maria Cláudia S. Garcia e Agnes G. Milley – 2004 )

O Carnaval já chegou.   Sinto saudades dos Bailes Infantis! Quando eu era  novinha, os clubes esportivos promoviam bailes só para os pequenos. Criar as fantasias já era uma festa. Todos participavam e as vovós eram, quase sempre,   as costureiras. Agora, me parece, que as escolas de Educação Infantil organizam algumas horas de danças e bandinhas para seu aluninhos. Que bom!

 Seja como  for, desejo a todos alguns dias de saudável   ALEGRIA, BRINCADEIRAS    e de  BOM CONVÍVIO em família e entre amigos.
                                                                                                    Agnes G. Milley

Friday, February 1, 2013

EmContando – 19 - Vitória-régia


Um programa que não pode faltar em nossas férias é  a visita a algum museu. Gostamos de museus. Neste ano fomos ao Museu de Astronomia, em São Cristóvão e ao Museu do Índio, em Botafogo. O Museu do Índio é nosso velho conhecido, uma vez que moramos bem perto dele. Meus filhos e netos brincaram lá muitas vezes.

 O Museu tem um bonito jardim, uma boa biblioteca, um  rico  acervo, salas interativas, uma lojinha com objetos de artesanato e uma interessante programação cultural durante o ano letivo.
 Eu, pessoalmente, gostava mais do Museu quando era mais simples, mais rústico. Havia três diferentes  tipos de ocas no jardim, construídas por índios e   o cheirinho da palha e da poeira no chão davam ao lugar um ar de “verdade”.  Eu conseguia fechar os olhos e me ver numa taba com bebês índios nos bercinhos  presos nas vigas da grande oca. Nos tachos no chão, eu via a mandioca moída ...  . Hoje a tecnologia tomou conta do museu. Está muito bom, mas perdeu seu ar de “verdade”.Que pena!

O Museu de Astronomia foi uma descoberta. É muito fácil chegar lá. Fica no alto de uma ladeira bem em frente à Feira de São Cristóvão.  Também fica no centro de um jardim que eles chamam de Campus.  É ali que estão os grandes telescópios e o segundo  maior meteorito que já caiu no Brasil. Vale a pena conferir.

O prédio do museu deve datar do início do século passado. É imponente com suas largas escadarias e grossas paredes de pedra. Dentro dele,   estão um sem número de interessantes instrumentos que já serviram para    vasculhar o universo.

 Não falta ,também, uma interessante sala interativa para  a garotada experimentar o que aprende nos livros sobre astros, estrelas, estações do ano, climas, dias e noites ... E, surpreendentemente, está tudo muito bem conservado, bem cuidado. Reparei até nas delicadas cortinas nas janelas e  no cheirinho limpo e lustrado dos móveis que guardam os preciosos instrumentos. A entrada é gratuita.
Para acompanhar   nosso assunto de hoje, trago  uma das mais bonitas lendas da Amazônia. Talvez a mais bela de todas.

A lenda da Vitória-régia
Regozijava em festas a aldeia dos maués. Ao som de torés, maracás e outros instrumentos musicais, os guerreiros dançavam ao centro da taba iluminada de archotes, que queimavam as mais perfumadas rezinas.
Mulheres serviam as bebidas caxiri, cauim e carne moqueada.
A razão de tanta alegria era  a celebração de uma caçada feliz.
O cacique Canuqué reuniu tribos vizinhas e amigas para festejarem o acontecimento.
No meio de tanto divertimento, apenas a bela Nacaíra, filha do cacique, se sentia triste e solitária. Sempre fora disputada pelos mais formosos e destemidos guerreiros, mas a nenhum deles dava o menor olhar ou gesto de esperança. Seu coração puro não pertencia a homens que penduravam no pescoço dentes de inimigos mortos em batalhas, numa atitude  de bravura e heroísmo.

 Quando pequenina, Nacaíra gostava de ouvir as histórias  de Janá, velha feiticeira, que conhecia os poderes misteriosos das plantas, a origem dos rios, a das serras, e sabia os  nomes de muitas estrelas do céu. Contara-lhe uma vez Janá que a Lua era um guerreiro branco, belo e poderoso. Nas noites de luar descia à Terra para se casar com uma jovem; depois a levava para o céu, transformando-a em brilhante estrela.

Nacaíra ouvia em silêncio,  olhinhos presos no espaço infinito.
“ Como seria bom viver lá no alto, transformada em estrelinha e olhar a terra pequenina e distante ...
As palavras da velha Janá ficaram na mente de Nacaíra, que, mesmo depois de jovem e dotada de surpreendente beleza, jamais se interessou pelos moços da aldeia ou de outras  tribos.

Nas noites de luar, saía pelas matas fitando o céu, braços erguidos como a querer alcançar o guerreiro bem-amado. Naquela noite de festas, ela deixou as danças e cantos, as  custosas bebidas e cheirosos assados e pôs-se a caminhar pela floresta.

No meio do céu a Lua brilhava tranquila. Tudo era sossego. Apenas o vento, que  brincava nas árvores, trazia o  rumor distante das danças e cantos da taba. Lá longe, no azul sem-fim, as estrelas eram como tochinhas brilhando serenas. Nacaíra encaminhou-se para a lagoa. Viu refletida nas águas a imagem querida da Lua. Boiava de mansinho como se dela se aproximasse sempre mais. Pensando no jovem branco que , por certo, vinha buscá-la, Nacaíra correu ao seu encontro, atirando-se nas águas profundas.

Ninguém mais viu a jovem a bela princesa  dos maués. Mas o luar, única testemunha daquela cena, se condoeu da infeliz indiazinha; em vez de transformá-la em estrela do céu, transformou-a em Estrela das Águas.

No dia seguinte, quando os maués andaram em busca de Nacaíra, encontraram no lago uma flor de radiante beleza, de um suave tom rosa pálido e de perfume delicado, semelhante ao do fruto maduro. Era a Vitória-Régia, que  desde então passou a enfeitar a  superfície dos grandes lagos e rios.
E contam que, nas noites de luar, ela abre de mansinho as suas pétalas acetinadas para receber a luz e carícias da Lua. ( Em Diversões Escolares Ano II – número 13 Setembro de 1961 Ed. Abril)
  Por Agnes G. Milley

Friday, January 25, 2013

EmContando – 18 - O sono

Por Agnes G. Milley
Dormi pouco e muito mal. Acordei cedo e passei a manhã fazendo bobagens por conta do sono que me torturava. Trabalhar com sono é sofrido, além  do tempo  perdido.
Procurei  o resultado de um exame em todos os envelopes  etiquetados como EXAMES MÉDICOS . Era urgente achá-lo, mas não estava em  nenhum  dos envelopes, relativamente bem organizados.  Depois de   afligir-me bastante  , veio-me à cabeça a pergunta assustadora: será que o  abandonei em algum lugar? Farmácia, supermercado, banco, banca de jornal..? Isso tem me acontecido com certa frequência. Parei, me  recolhi e então veio a resposta em forma de mais uma pergunta: 
“Será que você pegou esse exame no laboratório no mês passado?” Telefonei . Ele estava lá, no laboratório, esperando por mim.
Depois,  tentei fazer as contas das despesas da semana , na calculadora, três vezes, e obtive três   resultados totalmente diferentes a cada nova tentativa.  Acabei por optar pelo papel e lápis e aí deu tudo certo.
 Parti ,então,  aliviada, à procura da história da semana que também não achei, mas reencontrei um pequeno conto africano que me fez rir pela coincidência.

O Sono dos Três Irmãos
O velho fazendeiro morreu e os dois filhos mais velhos não se preocuparam com nada, apenas o caçula passou a noite ao lado do pai morto, chorando até a manhã seguinte, quando adormeceu de cansaço. Os irmãos mais velhos decidiram, então, dividir entre si a herança, enquanto o caçula dormia. Um ficou com a casa e os campos, o outro se apropriou dos estábulos e dos animais. Quando o caçula acordou, disseram-lhe, zombando:

“Dividimos a herança enquanto você dormia, para você sobrou apenas o sono!”

Os vizinhos estranharam que o caçula tivesse ficado quieto diante dessa injustiça, e além do mais, parecia divertir-se com a situação!

Os irmãos puseram-se a trabalhar e tiveram que trabalhar muito, pois lhes faltava agora a força do pai e a ajuda do caçula que se deitara na sombra e adormecera novamente.

À noite os dois moços que se achavam muito espertos, deitaram cansados nos seus leitos de palha, mas no momento em que o mais velho tinha adormecido  o caçula foi lá, chacoalhou-o e disse:
“Ei, você não pode dormir, o sono é meu, só meu”.

E assim fez com o outro irmão também e por noites seguidas acordava-os cada vez que adormeciam. Os dois não se aguentavam mais em pé e foram falar com o homem sábio da aldeia. Este, rindo, sugeriu-lhes que fizessem a divisão da herança mais uma vez, com o caçula presente e de  forma justa.

Não viram outra alternativa, pois estavam tão exaustos que nem conseguiam mais trabalhar.
E esta história é contada na África até os dias de hoje.

(Recontado por Karin E.Stasch em “Um Coração Contente” – Ed. Fernando Bilah, Botucatu – 2007)

Thursday, January 24, 2013

Um filme pra divertir a garotada – Um zelador animal

Assisti a este filme na TV, com minhas filhas menores e achei bem divertido, água açúcar, e com algumas boas lições de vida a se tirar.

É um filme americano de 2011 e estrelado por Kevin James e Rosario Dawson. Conta a história de um solitário guarda de um zoológico, que pensa em deixar o emprego porque não consegue recuperar a garota dos seus sonhos, uma ex- namorada. Então, os animais do zoo, resolvem ajudá-lo, e para isso acontecer, eles começam a falar com o zelador.

Griffin Keyes é o feliz como zelador de um jardim zoológico. Para ele, nada era mais normal do que conviver com leões, elefantes, girafas, ursos e gorilas. Tinha o costume até de conversar com eles, mesmo sem que eles pudessem responder.

Sua história começa a mudar quando ele percebe que sua ex não se conforma com sua falta de ambição e ele começa a querer mudar para agradá-la. E os animais certos de que “o boa praça” deveria ter uma segunda chance com as mulheres, resolvem dar uma de conselheiros amorosos e começam a "falar" com ele, quebrando o código de silêncio que existia.

São hilárias as cenas dos animais ensinando como conquistar uma fêmea e como demarcar terreno.
Porém os animais  não contavam que a ex-namorada fosse uma megera e que iria afastá-lo do zoo para levá-lo para um mundo de futilidades e falsidades.

É quando chega a hora de Griffin acordar e descobrir o verdadeiro sentido das palavras amor e amizade. E dar outro rumo a sua vida.

Vale a pena assistir. Bom para toda a família.

Friday, January 4, 2013

EmContando – 15 - O outro Rei Mago

Por Agnes G. Milley
Procurava uma boa  história para esta semana quando minha neta Mariana, de dez anos, sugeriu que fosse a que ela acabara de ler. “É muito longa”, eu disse. “Eu resumo. Vou contando e você digita, que tal?”  

Foi assim que a escolha recaiu sobre essa antiga lenda russa recontada muita e muitas  vezes, tornando-se até tema de um belíssimo filme. O livro que Mariana leu, leva o título de O MAIOR DOS PRESENTES – A história do outro Rei Mago adaptada por Susan Summers –Editora Ática 2002.

O  outro Rei Mago

Há muito tempo existia um homem chamado Artaban. Ele era muito rico e tinha muitos tesouros. Ele tinha três amigos: Gaspar, Baltasar e Melchior. Os quatro estudavam as estrelas esperando que um dia um fenômeno acontecesse. Um dia os quatro estavam olhando o céu e viram uma estrela nova, radiante como o sol. Pelos seus estudos sabiam que o Rei dos Reis havia nascido. Combinaram de se encontrar no Templo das Sete Esferas, bem longe dali, na Babilônia.

Começaram os preparativos. Artaban  vendeu seu castelo em troca de um rubi, uma safira e uma pérola para presentear o Rei dos Reis. No dia seguinte, ainda muito cedo, pegou seu melhor cavalo e partiu para a Babilônia.

 Finalmente, depois de dez dias e dez noites ele cruzou as portas da Babilôbia, mas ao passar por um campo seu cavalo parou. Ele desceu e viu um homem quase morto na estrada. Artaban ficou com pena e resolveu ajudar.  Misturou um punhado de ervas medicinais a um pouco de água e deu ao homem. Depois de dez dias Artaban disse ao homem, quase  curado:  “Eu vou me embora, mas vou deixar um pouco de minha comida e ervas medicinais com você. “ O homem disse: “ Que Deus te abençoe e te dê a paz, mas o Rei dos Reis nascerá em Belém e não em Jerusalém. Então Artaban partiu dali.

Depois de algum tempo, chegou ao Templo, mas não viu nenhum de  seus amigos lá. Encontrou um punhado de pedras e enterrado debaixo delas havia um pergaminho dos reis para ele. Estava erscrito: “Artaban, não pudemos esperar mais. Vamos ao encontro do Rei dos Reis. Artaban olhou para o vasto deserto. Como poderia atravessar o deserto todo sem comida e com o cavalo cansado? Teria que voltar para a Babilônia e comprar uma caravana de camelos e comida. Vendeu a safira e comprou o que precisava. Foi uma viagem árdua pelo deserto.

Quando ele estava passando pela casa de uma jovem mulher resolveu entrar para saber o que estava acontecendo por lá. A mulher contou que três homens haviam passado e dito que encontraram o Rei dos Reis e o presentearam.

De repente as mulheres saíram de suas casas gritando: “Os soldados de Herodes vão matar nossos bebês. A jovem ficou muito assustada e se escondeu no canto mais escuro da casa. Artaban foi para a porta da casa quando um guarda já ia entrando e disse: “Estou sozinho aqui. Se me deixar em paz, vou te dar este rubi.” O Guarda não entrou. A mulher agradeceu a Artaban e disse: “Deus te abençoe meu bom rapaz”.
Artaban procurou por muito tempo o Rei dos Reis. Um dia encontrou um mago  que lhe disse: “O Rei dos Reis nasceu entre os pobres e humildes”. Então, foi entre eles que Artaban foi procurá-lo
.
Já fazia “trinta e três anos  que Artaban procurava o Rei dos Reis e ajudava os pobres. Ele ia fazer sua última busca por Jerusalém. Quando chegou às portas viu uma multidão de pessoas e perguntou a um rapaz:”O que está havendo aqui?” O rapaz respondeu:” Você não sabe? Vai haver uma crucificação de dois ladrões e um homem que se diz filho de Deus.” Então Artaban percebeu que aquele era o Rei dos Reis e foi correndo entregar a pérola a Pilatos, o Governador, para tentar salvar a vida do Rei dos Reis.

 No caminho encontrou uma moça que lhe pediu:”Por favor, tenha piedade de mim, tenho dívidas a pagar e vão me matar porque não tenho dinheiro. Artaban se viu diante de uma difícil decisão: salvar a vida da moça ou salvar a vida do Rei dos Reis. Ela sabia que Deus ia preferir que ele salvasse a moça porque o destino era que o Rei dos Reis fosse crucificado. Mas, de repente, o céu começou a ficar preto  e a terra tremeu antes de Cristo morrer. Caiu uma telha em Artaban. A moça achou que ele estivesse morto, mas ele ainda estava respirando um pouco. Então uma voz suave desceu do céu e disse: ”Não te preocupes Artaban, quando eu estava com sede   me deste de beber e quando eu estava com fome,   me deste de comer. A cada vez que ajudaste a um de meus filhos, por mais pobre ou indefeso, estavas me ajudando, e    me verás sim, só que no reino dos céus. Artaban deu um último sorriso de alegria.

Friday, December 28, 2012

EmContando – 14 – O Rei

Recebemos o Menino Jesus em nossos lares, presépios e corações,  vivenciando as alegrias de estar  juntos  em família. Rezamos também por todos aqueles que estavam ausentes por distâncias, discórdias ou porque já partiram de nosso meio. Com a alma cheia de esperanças aguardamos, agora, o Ano que Vem.

Nesses dias é comum ouvirmos comentários tais como: “No ano que vem vai ser tudo diferente.” Ou o oposto: “Muda o ano, mas continua tudo igual.”
Pensando nisso, trago hoje uma história que reflete o ditado que diz que por um rio, a mesma água, nunca passa duas vezes.  Por mais igual que pareça tudo, sabemos que nenhum momento será igual ao que já passou.
Vamos ler a história?

O rei e a omelete
                                                            Walter Benjamim - (Trad. L. Konder)
Era uma vez um rei que tinha todos os poderes e tesouros da Terra mas, apesar disso não se sentia feliz e, a cada ano, ficava mais melancólico. Um dia ele chamou o seu cozinheiro preferido e disse: “Você tem cozinhado muito bem para mim e tem trazido para minha mesa as melhores iguarias, de modo que lhe sou agradecido. Agora porém, quero que você me dê uma última prova de sua arte. Você deve me preparar uma omelete de amoras igual  àquela  que comi há cinquenta anos, na infância. Naquele tempo, meu pai tinha perdido a guerra contra o reino vizinho e nós precisamos fugir; viajamos dia e noite através da floresta, chegamos a uma cabana, onde morava uma velhinha, que nos acolheu generosamente. Ela preparou para nós uma omelete de amoras. Quando comi fiquei maravilhado: a omelete era deliciosa e me trouxe novas esperanças ao coração.  Na época eu era criança, não dei importância à coisa. Mais tarde, já no trono, lembrei-me da velhinha, mandei procurá-la, vasculhei todo o reino, porém não foi possível localizá-la. Agora, quero que você me atenda a esse desejo: faça uma omelete de amoras igual a dela. Se você conseguir, eu lhe darei ouro e o designarei meu herdeiro, meu sucessor no trono. Se não conseguir, entretanto, mandarei matá-lo.

Então o cozinheiro falou: “Senhor, pode chamar imediatamente o carrasco. É claro que eu conheço os segredos da preparação de uma omelete de amoras, sei empregar todos os temperos. Conheço as palavras mágicas que devem ser pronunciadas enquanto os ovos são batidos e a melhor técnica de batê-los. Mas isso não me impedirá de ser executado, porque a minha omelete jamais será igual à da velhinha. Ela não terá os condimentos que lhe deixaram, senhor, a impressão inesquecível. Ela não terá o sabor picante do perigo, a emoção da fuga, não será comida com o sentido alerta do perseguido, não terá a doçura inesperada da hospitalidade calorosa e do ansiado repouso, enfim conseguido. Não terá o sabor do futuro estranho e do futuro incerto”.

Assim falou o cozinheiro. O rei ficou calado, durante algum tempo.
Não muito mais tarde, consta que lhe deu muitos presentes, tornou-o um homem rico e despediu-o do serviço real.

Queridas amigas e amigos,
Desejo a todas e a todos um felicíssimo Ano Novo, com e apesar das possíveis e ocasionais dificuldades. Um grande abraço.
 Agnes G. Milley

Thursday, December 27, 2012

Decoração de Casa de Banho para Crianças

Imagine-se a mergulhar num universo subaquático. Cavalos marinhos, peixes, dinossauros, sereias, flores coloridas, submarinos amarelos,… ou, simplesmente, imagens do quotidiano, onde um menina escova os dentes, enquanto a irmã penteia o cabelo. Nem apetece sair do banho!





in cristianaresina.com

Friday, December 21, 2012

EmContando - 13 - O Presépio

Um dia, perto do Natal, meu filho me perguntou:

“Mamãe, por que as pessoas não colocam gatinhos no presépio?”
“Não sei”, respondi,” “ talvez porque, assim como eu, todas as pessoas tenham se esquecido da história que uma estrelinha  contou quando éramos pequenos.”

Sentamo-nos no tapete junto ao presépio e aos poucos fui tentando buscar na memória a história da estrelinha.
Foi assim:

Quando o menino Jesus  nasceu, e os anjos cantavam hinos em seu louvor chamando os pastores para virem correndo ver o menino Deus, muitos animais já estavam lá. O bichos cercaram a manjedoura e cada qual, o melhor que podia, demonstrava sua alegria por ver naquele menininho tamanha ternura. 

Quando os pastores se despediram encantados, Jesus, Maria e José adormeceram sobre a palha. Os animais, devagarzinho, sem fazer o menor barulho, foram saindo da gruta, um a um, e se reuniram debaixo das estrelas. Enamorados como estavam, queriam combinar  como ajudariam a Maria e a José a cuidar de Jesus.

Os passarinhos piaram baixinho:
“Nós vamos acordá-lo todas as manhãs com o nosso canto.”
“E eu lhe darei sempre o meu primeiro leite, bem cedinho,” acrescentou a vaca malhada.
Os carneiros, em coro, declararam:
“Daremos nossa lã para que sua mãe lhe faça roupas bonitas e quentes para agasalhá-lo no inverno.”
O burro, meio tímido, falou:
“Eu o carregarei nas costas para onde ele quiser ir.”
Os cachorros que cuidavam do rebanho não perderam tempo e continuaram:
“Vamos ser seus cães de guarda e ninguém poderá machucá-lo e quando ele tiver vontade podemos até brincar de esconder e apostar corrida.”

Foi naquele instante que os bichos deram falta do gato. Perceberam que ele não estava presente à reunião. Será que ele não queria fazer nada pelo Menino Jesus?

A estrelinha que me contou a história estava lá e  foi espiar na gruta para ver se achava o gato. Sabem o que e estrela viu? O gatinho, bem de mansinho ronronando aos pés de Jesus.

A estrela piscou sorrindo e logo depois apagou seu brilho, pois já era quase   madrugada.

Até hoje os gatinhos  gostam de dormir junto aos pés de crianças de todas as idades não só para aquecer seus pés, mas muito mais seus corações.

Meu menino gostou da história e eu lhe prometi achar um gatinho para  por em nosso presépio no ano seguinte.

Queridos leitores,
Desejo a todos uma Santa Noite de Natal. Que todos nós, diante do presépio,  encontremos na ternura do Menino Jesus o desejo de  dar-lhe algo que nos seja caro. Feliz Natal!        
Agnes G. Milley         

Monday, December 17, 2012

Ideias inteligentes para tornar a vida mais fácil

Recebi de uma querida amiga estas dicas muito interessantes, e passo adiante, por achar que são de grande utilidade numa casa.



Friday, November 30, 2012

EmContando – 10

Por Agnes G. Milley
Contos Populares
O conto popular é reflexo da memória e da imaginação dos povos.  São histórias que originalmente foram divulgadas apenas oralmente  e trazidas até nós de geração em geração. Ao longo dos séculos, essas histórias perderam pormenores e ganharam outros. Por isso mesmo encontramos  diversas versões da mesma história. A memória  conserva os traços gerais , mas a imaginação sempre modifica. O mesmo acontece conosco, e diz- se até,  que “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. Isto é   verdade!
Os contos populares são velhos e anônimos . Falam de costumes, ideias, mentalidades, decisões e julgamentos de outros tempos .  Os  autores  dessas narrativas são desconhecidos  e nelas,  quase sempre são também omitidos os nomes dos personagens.  Localizações geográficas e datas  nunca  são mencionadas. Além dos fatos, tudo é muito vago, dando  ao  leitor ou ao ouvinte  a chance de voar e com sua própria imaginação encontrar as  descrições que a narrativa não lhe deu.

É interessante observar que apesar das diferenças culturais, povos  que viveram em tempos e lugares muito distantes uns dos outros, contam muitas vezes histórias com elementos quase idênticos. Mas isso é matéria para muita pesquisa!

(Para saber mais, sugiro ler o Prefácio de CONTOS TRADICIONAIS DO BRASIL)  de Luis da Camara Cascudo  -  Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1986 )
Hoje  trago um conto tradicional da Turquia:
A ILHA DESERTA
Há muito tempo, um homem rico, bom e generoso, concedeu a liberdade a seu escravo, entregando-lhe um navio carregado de mercadorias.
“Você está livre”, disse ele, “ e todo o dinheiro que receber da venda desses produtos será seu.”
O escravo agradeceu e partiu. Tinha navegado poucos dias, quando foi surpreendido por uma tempestade, que tragou o navio, as mercadorias e seus homens. Somente ele se salvou e foi levado pelas ondas até a praia de um ilha longínqua. Estava exausto, faminto, com farrapos sobre o corpo, quando viu surgir um cortejo de homens em festa, trazendo uma suntuosa carruagem, vestes reais e que gritava:
“Bem-vindo, bem-vindo!”

O escravo que nem mesmo sabia se estava morto ou vivo, se deixou levar pela multidão. Tratavam-no como rei, tinha palácio, servos e muita comida à sua disposição.

Certo dia, chamou um dos homens que julgava de confiança e perguntou-lhe qual  era a razão de tanta cerimônia, pois sabia ser apenas um escravo, vítima de um naufrágio. O homem respondeu:
“Esta ilha é habitada por espíritos, que muito rezaram e pediram que lhes fosse enviado um filho do homem, para governá-los. Todos os anos lhes chega um, que é transformado em rei, recebendo todas as honras reais. Passado esse ano, ele é despido de suas vestes, colocado num barco e enviado para uma ilha deserta. Lá o ex-rei fica à mercê da sua sorte. Os homens que o antecederam, apenas desfrutaram do poder, esqueceram que um ano passa rápido e por isso se deram muito mal.”

O escravo ouviu com atenção e aconselhou-se com o Espírito da Sabedoria que falou:
“Nu, você chegou até nós, e nu, será enviado à ilha deserta. Agora que é rei tudo pode. Reflita a aja com sabedoria.”

O escravo lamentou o tempo perdido e tratou de trabalhar. Mandou homens até a ilha deserta, para que construíssem casas, arassem a terra, lançassem sementes e habitassem aquela cidade, tornando-a acolhedora para quando ele chegasse.

O ano passou rápido e ele soube ser enérgico e também zeloso quando necessário.
Quando findaram seus meses de reinado, foi despido e colocado no barco com destino à ilha.
Ao chegar, foi recebido com festas pela população, que ele mesmo havia enviado para lá. Foi eleito o seu governante, ali viveu em paz e reinou com muita sabedoria até o fim de seus dias.

Em: Contos e Encantos dos 4 Cantos do Mundo (Seleção e Adaptação de Cléo Busatto. Editora Leitura Ltda.)

Wednesday, November 28, 2012

Quando se precisa da ajuda dos sogros

Um ponto muito importante na vida de família é o da colaboração dos nossos pais e sogros para cuidar das crianças enquanto trabalhamos ou estudamos. Quando as crianças ficam sob os cuidados dos avós, por algumas horas do dia, sabemos que aprenderão muito deles, o que pode ser bom ou não.

Quando os avós não querem fazer do modo como queremos para os nossos filhos – vamos ter que conversar - pode ocorrer  que esperneiem, reclamem, tentem burlar as regras impostas, mas acabarão vendo o que é o melhor para o neto. E se de todo não ouvirem e desrespeitarem as regras a solução é arrumar outra pessoa para cuidar das crianças.

Todas estas conversas devem ser feitas com simpatia, calma, delicadeza, caras boas que irão dobrar qualquer um, mas sempre com firmeza. Ter sempre em mente que o objetivo é dar o melhor a sua família recém-constituída, com as metas decididas pelos dois.

Parentes não escolhemos – amigos sim -  por isso é bom escolher bem os amigos e ter um bom círculo de amizades. 

Eu ainda não tenho netos, mas tenho certeza de que no dia em que os tiver, vou ser mais benevolente e paciente com as crianças, do que fui quando mãe. Mas pretendo respeitar as orientações que filhos e genros, noras e filhas derem, pois  a bola da vez neste momento estará com eles.