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Thursday, February 21, 2013

Lar, doce lar...que escondes os meus defeitos!

Fui buscar inspiração no livro que já citei e aproveitei aqui, Provérbios e Virtudes, que acho muito perspicaz e cheio de lições práticas. Vamos lá, então.

Este provérbio transbordante de conhecimento da natureza humana revela os dois tipos de "doçuras" do lar: o calor do afeto mútuo e o falso conforto do egoísmo preguiçoso. Porque é precisamente no lar, com a desculpa de "estar à vontade", que mais facilmente nos deixamos cair no desleixo.

O lar pode e deve ser "doce", o lugar onde recebemos e damos calor e compreensão e onde a personalidade humana se desenvolve com a necessária intimidade; mas pode ser também um esconderijo onde se cultivam caprichos e manias, onde nos desentendemos dos familiares e nos isolamos. Se fora do lar devemos "comportar-nos" porque estamos à vista dos estranhos, porque os outros nos julgam e  podem censurar-nos isto ou aquilo, dentro de casa, não; é como se o lar fosse, par alguns, o reduto onde podem "soltar todas as manias e requintes egocêntricos, que os outros integrantes da família têm obrigação de suportar porque, afinal de contas, "estou na minha casa, e na minha casa faço o que quero".

Apesar de irônico, o refrão é verdadeiro em todos os casos em que se esquece, ou não se quer recordar,que é dentro de casa que devemos dar o melhor de nós mesmos; é ali que, pelo bom ou pelo mau exemplo, levantamos ou afundamos aqueles que mais amamos. O lar, pois, não pode ser o refúgio das manias e dos desleixos; deve estar recheado de um dinamismo alegre, todo ele encaminhado a servir aos demais: o melhor trabalho de todos.

Complementando o que diz o livro, o lar é onde o marido deve ser mais carinhoso e solícito; a esposa, mais bonita e interessante; os filhos, alegres e disponíveis ao serviço como se estivessem com seus amigos. Enfim uma reprodução do lar de Nazaré, pois não podemos imaginar Jesus fechado em seu quarto (será que Ele o tinha?); Nossa Senhora, desleixada e choramingando porque teve que carregar muita água da fonte para lavar e cozinhar; e S. José respondendo com grunhidos ou sequer conversando, deixando sua esposa falando com uma parede.
                                                                                                            Maria Teresa Serman

Tuesday, February 5, 2013

Para quem fica...


Quando uma parte do casal resolve viver a própria vida exclusivamente como deseja, do seu modo individual, rompendo os laços, não só do par, mas da família como um todo, desmorona tudo para quem fica em casa. Digo tudo porque, além do seu sofrimento pessoal, da dor da distância, do silêncio, da falta de quem desaparece da casa, da cama, da mesa, tem que presenciar, mais, muito mais do que isso, VIVENCIAR, na carne, a dor dos filhos, a sua revolta, mágoa, decepção.

O equilíbrio que pai e mãe, de temperamentos e visões saudavelmente diferenciados, estabeleciam cotidianamente se torna instável, precário. E quem permanece vê isso nas relações com os filhos, principalmente se são pequenos, ou se ainda moram na casa. O caos emocional se instala, contra o qual o remanescente luta, tentando achar um ponto de resistência em si mesmo, uma força que só pode ser de origem divina, assim como o é a sabedoria para calar, para falar, para fazer tudo e nada.

A metade que não abandonou o lar precisa lutar contra essa desestruturação, essa ruptura, tentando conciliar o que lhe resta de são com o natural estranhamento inconsolável que sente dentro de si. Quem sai não vê, não pressente a tormenta frequente se avizinhando, pelos tons de voz alterados, pelos olhares raivosos, e até pelas reações ameaçadores da paz precária que resta. Quem joga a toalha, joga-a sobre seus olhos e coração também, pois, não diz o ditado que o quê os olhos não veem o coração não sente?

Não se trata de dois virarem um; não, não existe mais um inteiro, só (re)partido em mil cacos, que insiste - até mais pelos filhos do que por si mesmo - em juntar, formando um quebra-cabeças grotesco, desencontrado, sem sentido. Gostaria ele mesmo, ou ela mesma, de ir para Pasárgada, Transilvânia, Terra do Nunca, mas não dá. Alguém tem que prestar atenção à sua consciência, tomar conta dos que ama, continuar a vida. E não adianta perder tempo remoendo como isso é injusto e fatal para o desenvolvimento emocional e espiritual dos filhos e para a continuidade - do quê mesmo??? - da normalidade a que uma família tem direito.

Todos e cada um tem uma receita e um (VÁRIOS!) conselho, cada qual mais descabido e distante do real de agora, mesmo que com as famigeradas boas intenções. Há que agradecer, ser humilde, paciente, cego, surdo, mudo, esquizofrênico, louco de carteirinha mesmo, para aguentar tanta pressão, interior, interna, externa, afetiva, moral, espiritual, física - porque quando o coração adoece o corpo inteiro padece. A dor emocional se torna mais física que fratura exposta. Mas, fazer o quê, não é assim que a banda toca? Só não dá pra cantar a música do Chico, ver a banda passar sem agir. E só Deus, unicamente Ele, para ensinar como fazer.

Por Maria Carolina Fernandes –  psicóloga e mestre em terapia de casais.

Tuesday, September 18, 2012

Sua Casa - Dicas de Arquitetura e Decoração (parte 4)


Muito interessante a transformação do espaço excedente em espaço mais útil! Fico imaginando como seria fazer a "mágica" de caber o mínimo necessário para uma pessoa sozinha morar em um espaço de 35 m2, na pior das hipóteses(na melhor, acredito que uns 45m2).
Sem ser "loft", pela dificuldade de subir e descer escadas, haveria como caber nesse pequeno espaço, uma cama(sem ser sofá-cama para não ter que abrir e fechar todas as noites)mais uma micro-cozinha, micro banheiro e tanque com varal pequeno em cima,com ventilação para secar roupas lavadas à mão? Ah! Claro, também um armário que coubesse TUDO: roupas,lençóis, toalhas, materiais de limpeza, táboa de passar roupas e um cantinho com "cara de mesa de jantar" com 2 cadeiras apenas? Às vezes é bom sonhar, pois alguns sonhos são possíveis de se concretizar! Qualquer idéia nessa área seria de grande ajuda para uma mudança de imóvel maior para um bem menor.Abraço,Patricia
Prezada Patrícia,

Para atender ao seu pedido, apresentamos um projeto desenvolvido para um pequeno apartamento de 37m2.

O espaço em que trabalhamos consistia em uma grande sala (que receberia a divisão sutil para demarcar a área de dormitório), uma cozinha e um banheiro, ambos com dimensões bastante razoáveis e bem iluminados e ventilados naturalmente, e finalmente uma pequena área de serviço.

Basicamente foram definidos três ambientes distintos, porém integrados visualmente: área de estar, área de jantar (refeições mais pausadas) e área de descanso. Um elemento forte no projeto é a estante vazada que divide os ambientes sem comprometer iluminação e ventilação naturais. Pela sua altura (dois metros) e alguns objetos estrategicamente dispostos, além da divisão, contribui com uma decoração moderna e leve.

A área de estar é composta por um sofá de dois lugares (modelo sofá-cama, para possibilitar receber um hóspede familiar), uma mesa que serve de rack para a tv e os aparelhos necessários e uma poltrona. Já a área de jantar – uma mesa com quatro cadeiras, para o caso de convidados – poderá servir de home office quando necessário; ela está localizada em frente ao hall de acesso a cozinha.

Para o dormitório, se pensou em evitar que a cabeceira da cama estivesse voltada para a mesma parede da janela (evitando assim possíveis correntes de ar). Faz parte do projeto realizar um complemento em marcenaria na estante vazada de modo que a cama tenha cabeceira em harmonia com a modulação da estante; ao lado da cama está uma pequena mesa de apoio.

Um grande armário que ocupa quase toda a extensão do dormitório é o grande amigo do morador deste pequeno apartamento: além das roupas, graças a divisão previamente planejada, o armário ordena todas os demais elementos que são utilizados na casa: roupas de cama, de banho, etc.

As cores neutras (crú, off white, camurça...) e o branco estão presentes em muitos elementos para deixar os ambientes claros e alegres. Um detalhe que merece atenção especial é a iluminação: além de alguns pontos de luz direta no forro, o ambiente acolhedor será garantido com muitas fontes de luz de vindas de luminárias de mesa ou piso. A decoração completa deve considerar ainda tapetes, quadros, espelho, cortinas ou persianas e objetos que fazem parte da história e gosto do morador. Um bom profissional de arquitetura ou design de interiores poderá certamente ajudar a encontrar as solução mais adequadas ao espaço real e ao gosto pessoal do futuro morador.

Esperamos que esta breve matéria proporcione ideias e boas disposições para uma alegre mudança para uma casa nova menor, porém mais jovem, bonita.
 
Atenciosamente,
 
Arq. Christian Michael Seegerer