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Sunday, October 7, 2012

Educar o coração - parte 3

 FACILITAR A PURIFICAÇÃO DO CORAÇÃO

Na constituição do homem, as paixões têm como finalidade facilitar a ação voluntária, mais do que desvanecê-la ou dificultá-la. «A perfeição moral consiste em que o homem não seja movido ao bem apenas pela sua vontade, mas também pelo seu apetite sensível de acordo com estas palavras do salmo: “O meu coração e a minha carne gritam de alegria para o Deus vivo” (Sl 84,3)»[5]. Por isso, não é conveniente querer suprimir ou “controlar” as paixões, como se fossem algo mau ou recusável. Embora o pecado original as tenha desordenado, não as desnaturalizou, nem as corrompeu de um modo absoluto e irreparável. É preciso orientar a emotividade de modo positivo, dirigindo-a para os bens verdadeiros: o amor a Deus e aos outros. Daí que os educadores, os pais em primeiro lugar, devam procurar que o educando, na medida do possível, desfrute fazendo o bem.

 Formar a afetividade requer, em primeiro lugar, facilitar que os filhos se conheçam, e que sintam, de um modo proporcional à realidade que despertou a sua sensibilidade. Trata-se de ajudar a superar, a transcender, aquele afeto até ver na sua justa medida a causa que o provocou. Talvez o resultado dessa reflexão seja a tentativa de influenciar positivamente para modificar tal causa; noutras ocasiões – a morte de um ser querido, uma doença grave – a realidade não se poderá mudar e será o momento de ensinar a aceitar os acontecimentos como vindos da mão de Deus, que nos ama como um Pai ao seu filho. Outras vezes, a propósito de uma irritação, de uma reação de medo, ou de uma antipatia, o pai ou a mãe podem falar com os filhos, ajudando-os a entender – na medida do possível – o motivo dessa sensação, de modo a poderem superá-la; assim, conhecer-se-ão melhor a si próprios e serão mais capazes de pôr o mundo dos afetos no seu lugar.

Além disso, os educadores podem preparar a criança ou o jovem para que reconheça – neles próprios e nos outros – um determinado sentimento. É preciso criar situações, como as histórias da literatura ou do cinema, através das quais seja possível aprender a dar respostas afetivas proporcionadas, que colaborem para modelar o mundo emocional do homem. Um relato interpela quem o vê, lê ou escuta e move os seus sentimentos numa determinada direção e acostuma-o a um determinado modo de olhar a realidade. Dependendo da idade – neste sentido, a influência pode ser maior quanto menor for a criança – uma história de aventuras, ou de “suspense”, ou então um relato romântico, podem contribuir para reforçar
os sentimentos adequados perante situações que objetivamente os merecem: indignação frente à injustiça, compaixão pelos desvalidos, admiração com respeito ao sacrifício, amor diante da beleza. Contribuirá, além disso, parar estimular o desejo de possuir esses sentimentos, porque são belos, fontes de perfeição e de nobreza.

 Bem orientado, o interesse pelas boas histórias também educa progressivamente o gosto estético e a capacidade de discriminar as que possuem qualidade. Isto fortalece o sentido crítico e é uma ajuda eficaz para prevenir a falta de tom humano, que por vezes degenera em vulgaridade e em descuido do pudor. Sobretudo nas sociedades do chamado primeiro mundo, generalizou-se um conceito de “espontaneidade” e “naturalidade” que com frequência é alheio ao decoro. Quem se habitua a esse tipo de ambientes – independente da idade – acaba por rebaixar a sua própria sensibilidade e animalizar (frivolamente) suas reações afetivas; os pais devem comunicar aos filhos uma atitude de recusa da vulgaridade, também quando não se fale de questões diretamente sensuais.

 De resto, convém recordar que a educação da afetividade não se identifica com a educação da sexualidade: esta é apenas uma parte do campo emocional. Mas, certamente, quando se conseguiu criar um ambiente de confiança na família será mais fácil que os pais falem com os filhos sobre a grandeza e o sentido do amor humano e lhes deem, pouco a pouco, desde pequenos, os recursos – através da educação dos sentimentos e das virtudes – para orientar adequadamente essa faceta da vida.

Wednesday, January 18, 2012

Ser atraente com elegância

Por Maria Teresa Serman
Atualmente este é o adjetivo - que é mais utilizado na versão importada, sexy, do que na nacional, sensual - máximo. Serve para tudo, virou bombril, com todo respeito pelo produto, muito útil e de comprovada qualidade. Classifica desde as mulheres (deveria dizer COISIFICA?) até relógios, e, se duvidar, até panos de limpeza. Isso denota muita falta de imaginação, pra dizer o mínimo.

Da sensualidade se descambou para a vulgaridade num estalar de dedos, ou seria num encurtar de saias, ajustamento doentio de roupas, exposição abusiva do corpo humano, o que desencoraja qualquer exercício da imaginação, antigo e eficiente recurso no jogo da sedução entre os sexos?

As mulheres são voluntárias para o sacrifício no matadouro da mídia, imolando-se estupidamente - em todos os sentidos do vocábulo – e tornando-se os próprios algozes. Sem querer ser saudosista, e sim observadora, é só assistir a um filme mais antigo, dos anos 40 ou 50, que podemos observar o quanto perderam elas de elegância, mistério, e, pasmem, sensualidade.

Ontem peguei um trecho final do filme A Condessa Descalça, com Ava Gardner, uma das mais belas e insinuantes atrizes que o cinema já teve. Estava, como sempre, belíssima, muito chique com suas saias godê guarda-chuva (como se chamava o godê completo), luvas que mudavam de acordo com o traje, batom e unhas vermelhas. Seus vestidos cobriam os joelhos, e sua cinturinha "de pilão" (desculpem a velha expressão, não sei o significado, mas era assim que se falava), que não conseguimos em nenhuma academia, destacava-se, oculta, somente sugerida pelos cintos bem femininos que demarcavam esse atributo. Linda e fascinante!

É importante lembrar que a atriz não era uma santa na vida real, e os personagens que lhe davam sugeriam isso. Porém, estava longe de ser agressiva, sua sensualidade era discreta e, por isso mesmo, inegável.

Assim como ela, outras se destacaram no mesmo aspecto, com esse binômio eficiente de atração e elegância. Temos Grace Kelly, Lauren Bacall, e até Rita Hayworth, mais apelativa, mas ainda uma vestal, perto do que se vê pelas ruas hoje em dia.

Parodiando meu saudoso pai, que tinha uma ironia muito atenta, algumas mulheres hoje em dia, no afã de se fazerem interessantes (?!) e amadas(???!!!), expõem seus defeitos mais íntimos, tornando-se, como dizia ele jocosamente, um "atentado à libido"! Nem a autocrítica usam para se preservar, quanto mais a decência e o bom gosto.

Vamos resgatar bastante do que andamos perdendo, mulheres, no vestir, no falar, no agir! E vamos, por favor!, dar exemplo e ensinar às novas gerações, de filhas, sobrinhas, vizinhas, NETAS, colegas, desconhecidas, que se pode ser atraente não apenas nem principalmente pelo aspecto físico, mas intelectual, moral, culturalmente. Já passou da hora de a mulher voltar a se valorizar e se comandar!