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Wednesday, January 2, 2013

Perspectivas para um novo ano.

"Quero ver você não chorar, nem olhar pra trás, nem se arrepender do que faz". Esse é o início de uma música muito conhecida entre nós e muito cantada nesta época do ano.

 Por que não queremos ver o outro chorando? Porque queremos o bem do nosso próximo, ou porque não sabemos agir quando um amigo sofre e derrama suas lágrimas por um extravasamento? Às vezes basta um afago, ou até só a nossa presença silenciosa ao lado de quem sofre para que o outro se sinta melhor.

Um olhar pra trás pode muitas vezes ajudar nos nossos passos futuros, evitar erros repetidos, ou até corrigir algum mal vindo de alguma coisa que tenhamos feito errado.
E por que não nos arrependermos do que fazemos de errado? Essa é uma ótima oportunidade de vermos a nossa pequenez diante de nosso Pai Deus e Senhor, e uma ocasião para corrigirmos as nossas falhas e permitirmos que nossos parentes e amigos vejam em nós o reflexo do amor verdadeiro, da humildade, e da simplicidade na admissão de nossos erros. E aí sim, arrepender-nos e seguir em frente, buscando sermos melhores.

A música tem uma bela melodia, que faz com que repitamos muitas vezes esta mesma canção, sem observarmos a profundidade do que cantamos.

Eu diria de outro jeito: “Não quero ver você chorar, mas, se precisar  olhar para trás, e se arrepender, pode corrigir e voltar atrás”.

Friday, March 30, 2012

Hábitos Operativos Bons

Por Maria Teresa Serman
"O exercício das virtudes indica-nos em cada instante o caminho que conduz ao Senhor. Quando um cristão, com a ajuda da graça, se esforça não só por afastar-se das ocasiões de pecado e resistir com firmeza às tentações, mas também por alcançar a santidade que Deus lhe pede, torna-se cada vez mais consciente de que a vida cristã lhe exige o desenvolvimento das virtudes. E é a isso que a Igreja nos convida, especialmente neste tempo da Quaresma: a crescer em hábitos operativos bons."

Essas palavras inspiradas de Francisco Carvajal, no seu Falar com Deus, oferecem uma oportunidade prática de praticar e desenvolver as virtudes, e o guia pode ser a última parte: "crescer em hábitos operativos bons". Se analisarmos cada palavra desse trecho, tal exercício nos servirá de estímulo para praticar o que recomenda.

Em primeiro lugar, "crescer" indica um processo lento, sem aceleração forçada, mas que dói, pois pressupõe amadurecimento gradual. Não nascemos "crescidos", física, emocional e espiritualmente. O processo requer tempo e paciência, própria e de quem está por perto. Especificamente no âmbito espiritual demanda ajuda (de quem tem competência e graça de estado para isso), luta (ascética, pois depende do mesmo indivíduo e da misericórdia divina) e correspondência diária aos influxos da graça, que nunca cessam de chegar, mas nem sempre são bem recebidos e aproveitados.

Hábitos são atos repetidos, da vontade consciente, senão vai ser como na música do Chico: "todo dia ela faz tudo sempre igual"... Não se trata de mera repetição, como de um animal treinado, mas de ações com objetivo claro, ditadas pelo amor, que segue encaminhando-as ao longo do dia, da semana, da vida. Não nos podemos contentar em fazer, estar lá, obedecer simplesmente a regras e normas, porém "fazer o que deve e estar no que faz". Descobrir não somente a poesia da vida; isso é bom, mas é pouco. Descobrir, sim, a transcendência de cada pequenina iniciativa ao pensar, falar ou agir. Viver o cotidiano com motivação de eternidade.

Operativos designam obras, não meras ocupações, filosofias, intenções, por melhor que sejam. "Obras é que são amores, não boas razões", já disse S. Josemaria em Caminho. Lutar por ganhar virtudes pressupõe trabalhar persistentemente por consegui-las, no sentido eminentemente prático de agir pelo bem comum e de cada ser humano. Virtudes não se adquirem por mágica, bater palmas como a fada Sininho, ou por um toque de vara de condão da Fada Madrinha. Nem sequer devemos esperar por uma infusão milagrosa do Espírito Santo. Não é esse o método divino para que sejamos virtuosos, santos. O próprio Jesus Cristo avisou-nos da violência que teríamos que usar conosco mesmos para alcançar essa meta.

E como se dá isso em termos bem práticos? Sabemos que as virtudes sobrenaturais baseiam-se nas humanas, naquelas que nossos pais nos ensinam, daí a importância de uma educação profunda no lar, inculcada por palavras e exemplos, instruções repetidas até cansativamente. Por exemplo, a POLIDEZ AMÁVEL - chamo-a assim para diferenciá-la da polidez seca, que marca contatos sociais supérfluos - de cumprimentar as pessoas, olhando-as nos olhos, sorrindo, não se permitindo tratá-las como executores de serviços, invisíveis robôs, vai se desenvolvendo e transformando-se na DELICADEZA, ao perguntar por sua saúde e da família, interessar-se por seus problemas, agradar com detalhes de carinho, até a CARIDADE de compreender, de colocar-se no lugar do outro, ajudar no que puder e mais um pouco, adivinhar suas necessidades e tentar supri-las, mesmo que em mínimo grau. Ser "tapete macio" para tornar a vida dos demais mais feliz.

Outra virtude pode ser a TOLERÂNCIA, de suportar pacientemente os defeitos alheios, enxergando-os como obstáculos transponíveis , se ajudados pela caridade de que falamos, reagindo com bom humor às reações frequentemente desagradáveis do próximo. O passo seguinte é a BENIGNIDADE, a disposição de querer o bem do mesmo que nos inferniza, colocando os meios para auxiliar, se for o caso, com carinho a pessoa a melhorar naquele ponto. O coração, então, dilata-se até alcançar a MAGNANIMIDADE, esplêndida virtude dos que têm um coração grande, repleto de misericórdia, que, mais do que a justiça, almeja a paz e o bem dos homens, porque se assemelha ao coração do Pai.

Para finalizar os exemplos, pode-se sugerir o OTIMISMO, o verdadeiro, não a ingenuidade tosca dos insensatos; uma perspectiva esperançosa de vida, com confiança plena no amor divino, que proporciona a ALEGRIA sobrenatural, no lugar da visceral, fisiológica de rir das piadas boas ou inconvenientes. Consiste esse sentimento em saber que "nada pode nos separar do amor de Deus", feito homem em Cristo. A FORTALEZA decorrente dessa certeza de que tudo concorre para o bem só pode ser alcançado por um método perseverante de oração e prática, em mínimos e repetidos atos de amor e entrega.

Saturday, February 4, 2012

2012 - um ano bem melhor!

Por Maria Teresa Serman

Agora que passou o tempo de correrias e festejos, podemos, com mais serenidade, nos colocarmos esta questão: o que pretendo que seja, realmente, este novo ano? E, mais importante, o que me disponho a fazer para que seja melhor do que o anterior?

Muitos pensarão de imediato: vou me capacitar, para ser promovido, ganhar mais! É uma ótima ideia, principalmente pelo aspecto de crescimento profissional. Já outros dirigem seu foco para a saúde: vou fazer mais exercícios, me alimentar com critério, melhorar a qualidade de vida! Também uma excelente iniciativa. Há ainda aqueles que ambicionam aprimorar o seu relacionamento familiar: pretendo dedicar mais atenção à família, ficar mais tempo com minha mulher (meu marido), conversar com meus filhos, conhecê-los mais profundamente! Essa, então, é uma disposição fantástica! Tudo melhora, em termos individuais e coletivos, interior e exteriormente, quando a família ocupa seu devido lugar no nosso coração, na nossa mente, no nosso tempo.

Contudo, há mais vértices em que se pode progredir pessoalmente daqui para frente. Todo momento é um recomeço, um ano é feito de muitos desses reinícios. E o primeiro passo é restabelecer, se andamos afastados; aquecer, se estamos frios; reorganizar, quando nos embaralhamos pelas peripécias da vida; reinventar, posto que sentimos que pode ficar ainda melhor; enfim, buscar a intimidade com nosso Pai Deus. Lutar por manter-nos na Sua Adorável Presença continuamente, para que Sua Graça flua ininterruptamente em nós e por meio de nosso pobre ser.

São Josemaria costumava rezar essa oração que nos vem a calhar sempre: “Pai Santo, onipotente, eterno e misericordioso Deus: por intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, dou-te graças por todos os teus benefícios, também pelos desconhecidos”. "Porque, efetivamente, são mais os benefícios que nos passaram despercebidos, do que aqueles que conhecemos. Quem poderia contar as vezes em que o Senhor, com a sua paternal providência, nos livrou de perigos da alma e do corpo? Quem seria capaz de enumerar as graças que a Santíssima Virgem nos alcançou nestes meses?

Por isso, é natural e sobrenaturalmente lógico que procuremos manter uma constante atitude de agradecimento, do modo como São Josemaria exortava no começo de um novo ano: (...) Que estejamos sempre numa contínua ação de graças a Deus por tudo: pelo que parece bom e pelo que parece mau, pelo que é doce e pelo que é amargo, pelo que é pequeno e pelo que é grande, pelo que é pouco e pelo que é muito, pelo que é temporal e pelo que tem alcance eterno. Demos graças a Nosso Senhor pelo que nos aconteceu este ano, e também de certo modo pelas nossas infidelidades, porque as reconhecemos e nos levaram a pedir-lhe perdão, e a concretizar o propósito – que trará muito bem às nossas almas – de nunca mais sermos infiéis."

Depois dessa gozosa ação de graças, ficaremos mais preparados para os projetos -pequenos, práticos e constantes - a que nos propusermos. É tão bom lembrar, e até anotar, se não nos recordamos facilmente, tudo de bom que Deus nos propiciou no ano que passou. Também é saudável recordar o que não foi tão agradável, mas superado, e ainda os dissabores que não passaram, porém contamos com Sua ajuda para vencer nesse novo tempo de conquistas, como já foi dito, temporais e sobrenaturais. E sempre confiantes que nosso Pai do céu quer o melhor para nós, a cada instante.

Que seja constante para nós a prece do Santo Padre no Natal: "Para todos temos de ser luminárias que levem a Cristo (como desejava o Papa ao refletir sobre as luzes que adornam a árvore de Natal). Que cada um de nós – dizia – leve um pouco de luz aos ambientes em que vive: na família, no trabalho, no bairro, nas aldeias, nas cidades. Que cada um seja uma luz para os que tem ao seu lado; que ponha de parte o egoísmo que, com tanta frequência, nos fecha o coração e nos leva a pensar apenas em nós mesmos; que preste mais atenção aos outros, que os ame mais. Qualquer gesto de bondade é como uma grande luz desta grande árvore: junto com as outras luzes, ilumina a escuridão da noite, mesmo da noite mais escura."

(Citações extraídas da Carta do Prelado do Opus Dei do mês de janeiro)

Monday, January 2, 2012

Vida de Infância

"Esta vida de infância é possível quando temos plena consciência da nossa condição de filhos de Deus. O mistério da filiação divina, fundamento da nossa vida espiritual, é uma das consequências da Redenção. Nós somos já agora filhos de Deus8, e é muito importante que nos apercebamos desta realidade maravilhosa, para podermos tratar a Deus com espírito filial, de bons filhos.

A adoção divina implica uma transformação que ultrapassa de longe a simples adoção humana: “Por meio do dom da graça, Deus torna o homem que adota idôneo para receber a herança celestial; o homem, pelo contrário, não torna idôneo aquele que adota, mas escolhe para adotar aquele que já era idôneo”9. Procuremos ser dignos de tal herança e ter para com Deus uma piedade filial, terna e sincera.

O caminho da infância espiritual leva a uma confiança sem limites em Deus nosso Pai. Numa família, o pai interpreta para o filho pequeno o mundo exterior. Numa família, o menino sente-se fraco, mas sabe que seu pai o defenderá e por isso vive e caminha confiante. Numa família, a criança sabe que junto de seu pai nada lhe pode faltar, nada de mau lhe pode acontecer. Numa família, a alma e a mente da criança estão abertas sem preconceitos nem receios à voz de seu pai, pois sabe que, ainda que tenham zombado dela, quando seu pai chega a casa, nunca se ri dela, porque a compreende.

As crianças não se interessam em averiguar se estão ou não caindo no ridículo, coisa que no adulto paralisa tantos empreendimentos; nem têm esses temores e falsos respeitos humanos que são gerados pela soberba e pela preocupação de saber “o que dirão”.

A criança cai com frequência, mas levanta-se com prontidão e ligeireza; quando se vive vida de infância, as próprias quedas e fraquezas são meio de santificação. O amor de uma criança é sempre jovem, porque esquece com facilidade as experiências negativas; não as armazena no seu interior, como faz quem tem alma de adulto. “Chamam-se crianças – comenta São João Crisóstomo – não pela sua idade, mas pela simplicidade do seu coração”10.

A simplicidade é talvez a virtude que resume e coordena as demais facetas desta vida de infância que o Senhor nos pede. Devemos ser – diz São Jerônimo – “como a criança que vos proponho como exemplo: ela não pensa uma coisa e diz outra; assim deveis atuar vós também, porque, se não tiverdes essa inocência e pureza de intenção, não podereis entrar no Reino dos céus”11.

Consequência da vida de infância é a docilidade. “Menino: o abandono exige docilidade”12. Segundo a etimologia, é dócil quem está disposto a ser ensinado; e assim deve ser o cristão perante os mistérios de Deus e das coisas que se referem a Deus: sabe que não passa de um principiante, e por isso tem a alma aberta, sempre desejosa de conhecer a verdade e de formar-se. Quem tem alma de adulto dá por sabidas muitas coisas que na realidade desconhece; julga saber, mas ficou nas aparências, sem aprofundar nesse outro tipo de saber que influi imediatamente na conduta. Quando Deus o olha, vê-o cheio de ignorância e fechado ao verdadeiro conhecimento.

Como seria maravilhoso se um dia, crianças por fim, aprendêssemos coisas tão corriqueiras para um cristão como rezar bem o Pai-Nosso, ou participar verdadeiramente na Santa Missa, ou santificar o trabalho de cada dia, ou ver nas pessoas que nos rodeiam almas que devem ser salvas, ou... tantas coisas que damos por sabidas com demasiada frequência!

Aprendamos a ser crianças diante de Deus. Mas lembremo-nos de que o aprendemos no convívio com Maria. “Porque Maria é Mãe, a sua devoção nos ensina a ser filhos: a amar deveras, sem medida; a ser simples, sem essas complicações que nascem do egoísmo de pensarmos só em nós; a estar alegres, sabendo que nada pode destruir a nossa esperança. O princípio do caminho que leva à loucura do amor de Deus é um amor confiado a Maria Santíssima”13."

Citações: (8) 1 Jo 3, 2; (9) São Tomás, Suma Teológica, 3, q. 23, a.
1, c.; (10) São João Crisóstomo, em Catena Aurea, vol. III, pág. 20;
(11) São Jerônimo, Comentário ao Evangelho de São Mateus, 3, 18, 4;
(12) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Caminho, n. 871; (13)
Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 143.

Retirado da mesma fonte.

Saturday, December 31, 2011

Projeto para o novo ano

Por Maria Teresa Serman
Escrever sobre um novo ano é, infalivelmente, falar de projetos, mudanças e renovação. Pensando nisso, ocorreu-me que nós vivemos refazendo intenções para o novo período, geralmente infrutíferas e fracassadas.

Parar de fumar; caminhar; exercitar-se; reeducar-se alimentarmente; ser mais ordeiro(a); contribuir para uma obra social; ser mais solidário(a); enfim, esses são os "mais votados". Nunca somos modestos, melhor dizendo, prudentes, e nos atemos a um ou, no máximo, dois propósitos, mais fáceis de atingir e que trariam mais paz para a alma.

Há pouco, antes de pegar no lápis e anotar o fluxo de pensamentos que me vieram - sou jurássica às vezes, ainda registro coisas no papiro, perdão, no papel -, li um trecho do livro "O homem que sabia perdoar, de Francisco Faus, sobre S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, da editora Indaiá, SP. Além da recomendação lítero-espiritual, o que sugiro, e que pretendo perseguir desde agora, sem precisar esperar que o relógio me comande, ou que aconteça a famigerada contagem regressiva - ô coisa brega e cansativa! -, é a misericórdia.

Já reproduzimos aqui no blog, em outro texto, a origem etimológica da palavra, não vou repetir, só lembrar que diz respeito a um coração compassivo, que sinta com os outros suas dores, alegrias, esperanças; que lhes ajude a superar as primeiras, aprofundar as seguintes, e, principalmente, viver destas últimas.

Não é um projeto "Ano Novo, vida nova", porque não se concretiza somente na virada do ano, como um passe de mágica. Um coração misericordioso só se consegue passo a passo, luta a luta, diariamente, a cada minuto e desafio, e se traduz em dois aspectos fundamentais: perdão e compreensão. Nossa, - é muito difícil, dirão alguns, ou – é impossível, isto sim!

Concordo, SERIA impossível se não viesse de Deus, do Pai, a quem recorremos com filial fraqueza e indigência, arrancando dEle o que não conseguimos por conta própria, quer dizer, tudo, pois sozinhos somos nada. Um coração misericordioso transcende a justiça, virtude esplêndida; encharca-se de caridade; antecipa-se às necessidades do próximo, não as espera; compreende, colocando-se no lugar de quem, frequentemente, nem a si entende, e, mais usualmente ainda, nem tenta retribuir.

Vou logo avisando: é dureza, é "pauleira", desculpem o popular, mas é a pura verdade! Quem pede a Deus um coração assim, e a quem Ele já começou a escutar, descobre rápido que dói muito, mas, contraditoriamente, é fonte de inesgotável felicidade e paz.

Por isso, só posso sugerir que busquemos essa graça inigualável, a misericórdia, começando agora e continuando no novo ano. São trezentos e sessenta e seis dias ( o ano é bissexto, oba, um dia a mais de misericórdia!) semeando e colhendo atos de perdão, acolhimento e carinho. É muita chance de tornar a nós mesmos e ao mundo melhor ,muito MELHOR, esta é a boa notícia de Ano Novo! Felicidades! Que 2012 seja o Ano da MISERICÓRDIA para todos e suas famílias!

Sunday, December 19, 2010

"O que dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar"

Por Maria Teresa Serman

Esse título está entre aspas porque copiei de um texto da escritora Lia Luft, que li outro dia e do qual gostei bastante. Não vou reproduzi-lo aqui, só "apropriar-me" um pouco dele (do título), que dá panos para ótimas mangas.

Diria que, em primeira análise, o que dá sincero e inequívoco brilho ao olhar é uma consciência tranquila, que propicia a serenidade de saber que estamos fazendo o que devemos neste tempo preciso, com amor e dedicação. Não só com boa intenção, porque isso apenas não é suficiente, é um mero comecinho.

Daí o coração pula para a legítima alegria, resultado direto da JUVENTUDE DE ESPÍRITO, que não reconhece as marcas da cronologia, nem as doenças do corpo. Graças a ela, há idosos que irradiam essa luz até fisicamente, enquanto - dá muita pena! - há jovens que já têm o olhar baço. E qual o creme especial que consegue fazer esse efeito?

Na trilha das minhas conjeturas metafísicas, julgo que a nanotecnologia nunca terá o poder de, mais do que limpar, refrescar a alma. Incontáveis aplicações de aparelhagem ultramoderna não relaxarão um espírito egocêntrico, pois não há diversidade nas suas ocupações: somente ele mesmo.

Não pensem as leitoras do blog e as minhas amigas que estou doente, ou algum ente esquisito assumiu a minha pessoa. Longe de menosprezar as maravilhas da tecnologia e da ciência em favor da estética anti-idade (Ô termo idiota este, anti-idade! Como se fosse possível!) , lanço uma nova campanha a partir deste momento: vamos priorizar o PEELING DA ALMA - com uma boa confissão natalina; intensificar as aplicações de BOTOX ESPIRITUAL - relaxando em frente ao presépio, em conversa com Jesus Menino, para agradecer todos os Seus benefícios em nossa vida; caprichar no LASER FRACIONADO da caridade, ao próximo e ao distante.

Isso tudo, podem crer, vai nos fazer garotas e garotos de novo, crianças na essência e na aparência. E, além do mais, TODOS vão passar a nos ver com olhos benfazejos e amáveis. Com aquele olhar especial de que fala o título.

Friday, April 2, 2010

PACIÊNCIA E MANSIDÃO

Uma reflexão para aproveitar bem o dia de hoje:



Um autor, falando sobre paciência, desenvolveu a teoria dos estojos. Descreve uma bela caneta alemã, colocada num estojo coberto de couro, com um encaixe perfeito para caneta. Diz que a vida é como um estojo.



Há um estojo barato, de plástico, comprado na esquina, que fecha mais ou menos, que estufa com 2 ou 3 canetas ou sobra muito espaço e vai chacoalhando na bolsa. Se nossa vida fosse um estojo de caneta alemã, não precisaríamos de paciência. Se compreendessem, quando você está de mau humor. Ou o dia em que você está doente e o atendimento médico é perfeito, com carinho, capacidade técnica. E, até com descuido profissional, o chefe compreende... Em casa, todos se oferecem: “Mãe, quer que compre alguma coisa? Está cansada?”



Se a vida fosse perfeita não precisaríamos de paciência.



O que é a Paciência?



“É a virtude pela qual suportamos, com ânimo sereno, os males”.



Como suportar os chacoalhões e apertos?



Às vezes há uma compreensão errônea da paciência; parece uma virtude da 3ª idade avançada ou de pessoas apáticas que não reagem diante de nada; ou pessoas covardes, ou bobocas, que nem percebem que estão sendo enganadas...



A verdadeira paciência exige força de caráter.



“Paciência tem que exercitar-se até o final, para que sejais perfeitos” (S. Tiago)



Até o fim do jantar com as crianças agitadas; até o fim do fim-de-semana com suas idas e vindas.



A Paciência é fortaleza perante os fracassos repetidos, demoras e contratempos.



Paciência para não estourar no congestionamento do tráfego; para dominar a tristeza; para lidar com as coisas banais: colocar a linha na agulha, para desfazer o nó da correntinha, com o telefone ocupado pela 3ª ou 4ª vez.



Há 2 ângulos para ver na Paciência: os outros e nós mesmos.



Em relação a nós mesmos:

Precisamos de tempo para mudar.

Uma pessoa que quisesse ver um botão de rosa aberto e fosse forçando as pétalas para abri-las, estaria errando. Não é assim. É bom esperar o calor de uma tarde calma e elas, naturalmente, vão se abrindo.

Paciência com os outros:

“Seria paciente com os outros, se fossem pacientes comigo...”

Há quem seja paciente com você; pelo menos 3 pessoas: Pai, Filho, Espírito Santo. Deus é muito paciente.

Certa vez, São Pedro, aborrecido, perguntou:

“Senhor, quantas vezes devo perdoar? 7 vezes?”

Jesus Cristo respondeu: “Setenta vezes sete”, o que significa ter paciência e perdoar sempre.



Vamos pensar nestes Ãngulos e ver onde devemos melhorar.

Tuesday, March 2, 2010

Cura para sentimentos vagabundos

Texto de Rafael Carneiro Rocha

Irritabilidade, impaciência, aborrecimento e outros males afins atacam todos nós. De vez em quando, somos provocados por algo ou alguém e sentimos vontade de externar, não raro por vias agressivas, o nosso incômodo.

Mas o fato é que quase todas as nossas irritações banais merecem morrer conosco e, se possível, sem que ninguém saiba delas. São sentimentos fugazes que desaparecem rapidamente. Portanto, temos de ter o cuidado para abafá-los silenciosamente. Afinal, quantas confusões e quantos desentendimentos com os outros não existiriam se tivéssemos um pouquinho mais de fortaleza?
A impaciência, eu diria, é uma dor sentimental e, de algum modo, física. Digo isto porque muitas vezes a minha irritabilidade com algo ou alguém já me abandonou depois que eu, simplesmente, comi alguma coisa. Isso mesmo: um lanche pode curar os nossos aborrecimentos banais. São sentimentos tão vagabundos que desaparecem com um spaghetti à bolonhesa, ou com uma taça de sorvete.

Com o passar do tempo, nossa fortaleza é aprimorada. Mas, enquanto ainda tivermos vontade de dizer uma bobagem para alguém, movidos apenas pelo sentimento fugaz da irritação, que treinemos o nosso silêncio. É bem provável que nem a pessoa nem nós mesmos mereçamos conflitos tão patéticos.

Se você estiver na rua, procure uma lanchonete. Se você estiver em casa, abra a geladeira. Muitas coisas podem ser resolvidas com fortaleza e chocolate.

Friday, January 1, 2010

Propósitos para 2010

Quem já pensou em fazer propósitos para começar o ano com o" pé direito"?


Todos nós ao final de cada ano nos propomos muitas coisas, para fazer diferente ou começar algo de novo, para nos próximos 365 dias colocar em prática. E no correr dos dias, acabamos esquecendo de alguns, deixando de lado outros e assim vamos levando o ano novo, sem muita firmeza e deixando a vida nos levar.

É muito importante ensinar aos filhos a fazer propósitos e a levá-los até o fim. Começar e terminar é uma arte que deve ser cultivada.

Sabe, aqueles quilos a mais que "empurramos com a barriga" faz tempo? E a caminhada que dizemos sempre: " Segunda começo!" E o conserto da casa? E o estudo de uma língua? São tantas coisas que temos "arquivadas" no nosso cérebro e nunca começamos.

Quem sabe neste ano de 2010 iniciamos os nossos propósitos com coragem e força de vontade, colocando muito empenho e lutando de fato para conseguir êxitos nos nossos objetivos. E a cada dia deste ano subimos mais um degrau dos nossos propósitos.

O primeiro deles deve ser o da luta por ser fiel, por ser perseverante nas coisas que fazemos. Como vemos atualmente pessoas infiéis, sem fibra, que esmorecem na primeira dificuldade? É exatamente isso que não devemos fazer. Mas não é fácil! Eu garanto que um propósito desse se consegue com muita luta, muito esforço e muito cair e levantar.

A fiedelidade e a perseverança são virtudes heróicas. E com a conquista delas, veremos que teremos feitos muito mais coisas e muitos outros propósitos estarão automaticamente cumpridos.

Desejo que 2010 seja um ano de muitas realizações, onde seja levada em primeiro lugar a fidelidade e a perseverança.