Wednesday, April 21, 2010

Redescobrindo o Brasil – 1ª parte

Por: Maria Teresa Serman

A maioria absoluta de nós, brasileiros natos, conforma-se com as informações recebidas dos livros de escola sobre o descobrimento e primeiros tempos do nosso país - a originalmente denominada Ilha de Vera Cruz, depois Terra de Santa Cruz, e, finalmente Brasil. Porém, em homenagem data de amanhã, escolhemos aprofundar um pouco.

Nosso nome definitivo, adotado a partir de 1504, não se deve exclusivamente ao "pau de tinta", como era o chamado o Pau Brasil, abundante nestas terras, empregado no tingimento das roupas para conseguir o tom púrpura, tão apreciado na época. O historiador Eduardo Bueno, no seu livro “Náufragos, Traficantes e Degradados”, Volume II, mais precisamente no capítulo O Nome do Brasil, indica, como prováveis, duas origens que "se fundiram para nomear um novo país.": a palavra "bersil, mais tarde "brésil", do francês, significando "brasa", e a celta "bress", origem do inglês "to bless", abençoar - "e que este termo foi usado para batizar a ilha da Bem-Aventurança, a lendária Hy Brazil, que teria sido descoberta no ano de 565 pelo monge irlandês São Brandão."

Interessante combinação, que leva a pensar na frase "Deus é brasileiro" e talvez possa justificar a nossa atração por cores. Para não nos incharmos de vaidade pela nossa parte abençoada, é bom lembrar que o mesmo historiador explica que o nome brasileiros foi primeiramente dado ao "homens engajados no tráfico de pau-brasil" e se estendeu aos demais nascidos aqui. Pela norma gramatical, seríamos "brasilienses". Alguém gostaria de trocar?

Nossa terra ainda tinha os papagaios como "principal produto de exportação. O impacto que esses animais falantes e de plumagem exuberante provocaram (...) foi tal que, de 1502 a1505, o Brasil foi chamado de Terra dos Papagaios."

Seja qual for o nome que herdamos, gostaríamos de lembrar a comemoração do dia de hoje, 21 de abril, dia dedicado a Tiradentes, herói que assumiu a condução da Inconfidência Mineira, e por isso foi martirizado. Pretendeu, com essa atitude corajosa, poupar a vida dos demais inconfidentes, o que conseguiu.

Mais do que símbolo da ânsia de liberdade de um povo, Joaquim José da Silva Xavier personifica o patriota que cada um pode ser. Em um tempo marcado por vergonhosas denúncias de corrupção na política, na vida pública, e até no exercício de profissões fundamentais para o bem estar do povo, sua figura continua a afirmar que podemos, sim, vencer pela honestidade, afirmarmo-nos pelo respeito aos princípios éticos, e não nos calarmos, nem sob pena de desagradarmos a muitos, diante dos descalabros a que temos assistido passivamente.

Não pretendemos pregar rebelião, mas uma revolução pacífica das consciências por um Brasil mais são. Voltamos amanhã com mais história sobre a gênese do país que precisamos redescobrir.
"Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!" - Ari Barroso

Tuesday, April 20, 2010

Amigos irmãos

Eu suspeito que nos melhores momentos das civilizações haja algum tipo de estímulo cultural para a amizade entre homens. Apesar do homossexualismo que existia à margem dos grandes encontros gregos, é fato que as riquezas filosóficas da Grécia Antiga foram produzidas em contextos de amizades. Alguns séculos depois, foram os primeiros cristãos, amigos entre si, que forjaram o mundo ocidental. A própria Igreja Católica segue, pelo menos nas suas melhores intenções, como uma reunião hierárquica de amigos.

Hoje, é uma pena que a festiva camaradagem masculina esteja associada a eventos que, merecidamente, despertam dúvidas nas suas mulheres. Futebol entre amigos, despedidas de solteiro e bebedeiras parecem apenas paródias da necessidade do espírito masculino de se entender entre os seus.

As mudanças culturais, para o bem e para o mal, são violências típicas do espírito masculino. Mas as mulheres é que são a beleza da sociedade. Elas dão sentido às gerações e protegem o mundo do absurdo. Por isso, é legítimo o pudor doméstico que inibe os homens de deixar momentaneamente os lares para gastar tempo entre os seus. Há alguma razão nas mulheres que temem as amizades masculinas. Sábias guardiãs da cultura, elas estão cientes de que o momento do mundo tem muitas precariedades.

A cultura ainda permite que os homens se encontrem, seguindo assim o chamado natural do espírito masculino. Mas é uma cultura em crise. A imagem cívica da atual camaradagem masculina tem a pobreza de sua época. O mundo moderno banalizou os grandes encontros cívicos na gritaria dos bares e dos futebóis.

De qualquer forma, podemos criar cenas culturais de amizades profundas. É possível que cultivemos amizades sólidas, que durem mais do que o coleguismo passageiro das nossas rotinas passageiras, sempre prestes a mudar quando trocamos casas, escolas e empregos.

O bem estar da civilização precisa dos amigos irmãos, porque são nos círculos de entrosamento lúdico e cívico que os homens se tornam mais aptos para se compreenderem. E quando os homens entendem as inclinações do espírito masculino, a civilização acontece de forma mais sadia.

Simplesmente, eu quero dizer que uma verdadeira amizade entre comparsas é capaz de mudar o mundo.

Monday, April 19, 2010

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 38)

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem à vontade nossas amigas.

A Dislexia na criança
1 – C. D. diz: A Senhora pode explicar o que é DISLEXIA? E como se cura isso. A professora do meu filho disse que ele tem isso e por isso não aprende. Somos do Pará e aqui nem imagino onde pode tratar isso. Eu tenho outros dois filhos e não sei se isso pode dar neles também, são bem menores.

RESP: Olá, C.D. Dislexia é um distúrbio de leitura. Seu filho tem ido ao Pediatra ? Conte o parecer da professora e solicite que ele encaminhe a criança para uma avaliação visual por um Oftalmologista .Caso necesário, ouça também um Neuro- pediatra, para completar a indicação de um tratamento que não é complicado.Em geral recorremos a Psicopedagogos ou Psicomotricistas que irão complementar o dianóstico e iniciar o tratamento que consiste em exercícios feitos com a criança. Peça ao Pediatra ou `a propria professora de seu filho que indiquem uma profissional - quem sabe a escola mesmo tenha alguém da área ?.
É um distúrbio pessoal, portanto não tema pelos outros filhos, apenas fique atenta sem ansiedades ! Boa sorte e pode falar comigo quando desejar.
Um abraço, Mannoun

Falar sobre sexo com as crianças
2 - A. diz: Como devo falar a minha filha de 6 anos sobre sexo, nascimento de bebês? Ela veio com umas perguntas por que na escola falaram de estupro e de onde vêm os bebês. Tem um colega que a mãe vai ter neném e o menino saiu falando muitas coisas para os colegas do que ouviu. Tem algum livro bom pra eu dar ela pra entender melhor?
Obrigada, M. das D.
RESP: Olá, M.das D. Melhor do que um livro é a explicação de coração a coração! Não se esqueça que sua filha tem apenas 06 anos, portanto, procure saber dela mesma o que ela ouviu e oriente com clareza, amor e verdade, sem entrar em detalhes sobre o estupro ou aquilo que represente violência e agressividade. Aguarde as perguntas e responda - sincera e serenamente, sem criar um clima de suspense ou segredo, naturalmente e sempre a verdade, sem ir além do que ela deseje saber. Tudo o que se refere à VIDA humana é maravilhoso e assim o devemos encarar.
Há bons livros sobre o assunto- pode consultar a editora quadrante - www.quadrante.com.br e aí encontrará boas indicações . Um abraço, Mannoun

Tomando Choro
3 - A. diz: Minha filha tem 2 anos e meio, e toma o choro, é a maior loucura lá em casa, minha sogra só falta morrer, pois ela a minha filha fica roxa mole ,é triste a cena... O que é que eu devo fazer? Quando ela tomar o choro?
RESP: Olá, A., " tomar o choro " e " perder o fôlego " são os nomes dados à falta súbita de oxigênio na respiração e por este motivo a menina fica " roxa e molinha" .
é bom consultar seu pediatra, averiguar as condições do parto, se o bebê chorou bem ao nascer, etc. o próprio pediatra vai orientar o que fazer além de tranqüilizar os familiares.
Se não há maiores dificuldades, o que devemos fazer no momento em que ela " perde o choro " é FICAR CALMO quem estiver com ela, e levá - la ao banheiro, colocando-a debaixo do chuveiro- morno ou frio mesmo.
Parece maldade? O susto funciona como um estímulo à respiração. Se ela estiver “usando” este recurso para chamar a atenção - já o está conseguindo e a providência que sugiro fará com que ela se acalme...
Não me levem a mal - fiz isto várias vezes com familiares e fui considerada " megera " até que uma das meninas, da idade da sua, quando o pai disse NÃO para algo que ela desejava, exclamou - " vou perder o fôlego , heim ! "
Ele se lembrou e a colocou sob o chuveiro... Como deu certo, a partir de então já não fui tão recriminada...
Eu era a pediatra dela e sabia que não havia outras dificuldades. É por esta razão que sugiro primeiro a consulta e parecer do pediatra de sua filha, ok?
Boa sorte e um abraço, Mannoun

Sunday, April 18, 2010

Para viver um grande amor – 3 - "Casal C. e A"

Aproveitamos o título do poema tão conhecido para fazer uma homenagem a grandes e profundos amores, que vêm sendo testados em anos de convivência. São amores que originaram famílias, alicerçadas pelo compromisso renovado de continuar juntos, apesar dos "perigos desta vida". A paixão não acabou, se tornou forte e agregou filhos, parentes e amigos. Ver o que deu certo para muitos pode suscitar novas idéias para revigorar os laços do casal e da família.



Vejam a nossa terceira entrevista:



O casal não será identificado pelos nomes, para evitar uma exposição maior.



Casal C. e A. responde



1) Como você conheceu seu marido? Demorou muito para começarem a namorar?



O A. era amigo do S., marido da minha irmã. Um dia, ele nos apresentou numa danceteria, conversamos a noite toda e trocamos telefones. No dia seguinte, o A. me ligou para sairmos, mas minha mãe não deixou. Então marcamos para o sábado seguinte na discoteca do clube militar. Foi nesse dia que ele pediu para me namorar, e já faz 25 anos!



2) Quando se casaram e como foram os primeiros tempos de casamento?



Namoramos durante 9 anos. Os primeiros anos de casamento foram ótimos. Nós queríamos muito ter filhos, mas eu demorei um ano para engravidar do primeiro filho. Sempre fomos pais muito dedicados, tanto eu quanto o A., nossas vidas sempre foram em função dos nossos filhos. Mas fizemos algumas viagens sem filhos, para namorarmos um pouquinho.



3) Como você se definiria como marido/mulher - suas qualidades e no que pretende melhorar?



Sou aquela esposa que põe a mesa para ele, faço seu prato, arrumo seu armário, guardo sua roupa,,... Mas, ao mesmo tempo, tenho que ser independente, dirigir, fazer vistoria do carro, dar conta de tudo da casa ... É uma mistura de passado com presente! Não é fácil!

Minhas qualidades... Acho que sou paciente, calma, dedicada...

Pretendo melhorar nos momentos de romance que para ele são muito importantes e às vezes eu não dou muita importância.



4) O que vocês fazem para alimentar e melhorar o relacionamento nestes anos de matrimônio?



Para alimentar nosso casamento procuramos conversar sempre, uma vez por semana saímos para jantar . E também viajamos só nós dois, acho muito bom sairmos da rotina, parece que viramos namorados ...



5) Dizer os anos de casados.



Estamos casados há 16 anos e temos 5 filhos



"Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,

que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,

outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,

finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
"

Autor: Cecília Meireles