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Friday, October 29, 2010

Dia 31 - A importância de não se omitir

A primeira eleição de que me lembro foi em 1982, tinha sete anos e fui com meu pai votar. Fiquei fascinado com a urna, vi meu pai ir a cabine, rezar uns segundos, escrever seu voto, dobrar e por na urna.

Confesso que do alto dos meus sete anos fiquei com inveja do poder que tinha meu pai de escolher quem ia nos governar. A solenidade do ato e a beleza da democracia comovem e formam as crianças. Em outras eleições foi minha mãe quem me levou. Sempre ficou este desejo de poder votar.

Estamos diante de uma encruzilhada em nossa nação e diante de um feriado. Tendo isto em conta penso que, respeitadas as circunstâncias de cada familia, é fundamental que os pais mostrem seu apreço pela democracia indo viajar apenas depois de votar. Atitudes como esta ficam gravadas no coração dos filhos, são lições que não podem ser transmitidas de outra forma.

Li este relato que vai abaixo na Internet e transcrevo aqui porque pode nos inspirar:
Meu pai passou por duas cirurgias contra câncer e disse que vai votar neste domingo: "Meu filho, sou contra o aborto, nem que seja a última coisa que faça em minha vida, nem que eu morra depois de apertar o confirma."


Confesso que o coração dizia para não deixar ele ir, mas com olhos mareados prometi levar.

-- Depoimento de um filho

Recomendo também a leitura da mensagem que o Santo Padre o Papa Bento XVI enviou hoje aos bispos do Maranhão e do Brasil: Aqui

Tuesday, September 7, 2010

A alegria brasileira

Por Rafael Carneiro da Rocha

Hoje é dia de festividades cívicas em todo o país. Penso que em cada 7 de setembro há sim motivos para comemorar. Mas precisamos buscar novos motivos para o orgulho brasileiro. Falar que somos um povo festivo e caloroso pode ser um tanto verdadeiro, mas não podemos confundir alegria com demonstrações fugazes de afetos carnavalescos.

A alegria brasileira é mais discreta do que aparenta. Já passei um Reveillon com milhões de brasileiros (e estrangeiros) em Copacabana. Os sorrisos da multidão são tão passageiros como os fogos, mas mesmo assim havia uma alegria invisível e permanente que só poderia existir no Brasil.

Pessoas de diferentes cores, culturas e classes sociais ficam juntas sem tensões ou constrangimentos. O entrosamento entre diferentes é espontâneo. O cosmopolitismo brasileiro é único. Em qualquer outra grande cidade internacional, habitam também todas as cores do mundo, mas quase sempre elas costumam ser demarcadas pela tensão dos guetos.

O Brasil pode dar lições de fraternidade ao mundo, no modo como tranquiliza a convivência entre as pessoas que aqui vivem. Mais ainda, o brasileiro pode ser um exemplo bem acabado de indivíduo das amizades cívicas, um tipo que os grandes filósofos sempre sonharam: o patriota sem ranços xenofóbicos, capaz de ser amigo acolhedor de todos os povos.

Há alguns anos, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou os brasileiros de caipiras, muitos se revoltaram. Mas havia ali uma provocação interessante. A semente do mais verdadeiro cosmopolitismo está guardada no compasso agradável dos corações verde-amarelos, porém, ainda somos vaidosos com os nossos bumbas-meus-bois, carnavais, festas de peão e farroupilhas. Não podemos acreditar que Brasil é a alegria da festinha comunitária.

Festas demonstram a face de um país, mas não a sua alma. Assim, a profunda alegria de ser brasileira é invisível, porque ela é um espírito aberto. Sejamos brasileiros convictos, porque isso já é muito bom .

Wednesday, April 21, 2010

Redescobrindo o Brasil – 1ª parte

Por: Maria Teresa Serman

A maioria absoluta de nós, brasileiros natos, conforma-se com as informações recebidas dos livros de escola sobre o descobrimento e primeiros tempos do nosso país - a originalmente denominada Ilha de Vera Cruz, depois Terra de Santa Cruz, e, finalmente Brasil. Porém, em homenagem data de amanhã, escolhemos aprofundar um pouco.

Nosso nome definitivo, adotado a partir de 1504, não se deve exclusivamente ao "pau de tinta", como era o chamado o Pau Brasil, abundante nestas terras, empregado no tingimento das roupas para conseguir o tom púrpura, tão apreciado na época. O historiador Eduardo Bueno, no seu livro “Náufragos, Traficantes e Degradados”, Volume II, mais precisamente no capítulo O Nome do Brasil, indica, como prováveis, duas origens que "se fundiram para nomear um novo país.": a palavra "bersil, mais tarde "brésil", do francês, significando "brasa", e a celta "bress", origem do inglês "to bless", abençoar - "e que este termo foi usado para batizar a ilha da Bem-Aventurança, a lendária Hy Brazil, que teria sido descoberta no ano de 565 pelo monge irlandês São Brandão."

Interessante combinação, que leva a pensar na frase "Deus é brasileiro" e talvez possa justificar a nossa atração por cores. Para não nos incharmos de vaidade pela nossa parte abençoada, é bom lembrar que o mesmo historiador explica que o nome brasileiros foi primeiramente dado ao "homens engajados no tráfico de pau-brasil" e se estendeu aos demais nascidos aqui. Pela norma gramatical, seríamos "brasilienses". Alguém gostaria de trocar?

Nossa terra ainda tinha os papagaios como "principal produto de exportação. O impacto que esses animais falantes e de plumagem exuberante provocaram (...) foi tal que, de 1502 a1505, o Brasil foi chamado de Terra dos Papagaios."

Seja qual for o nome que herdamos, gostaríamos de lembrar a comemoração do dia de hoje, 21 de abril, dia dedicado a Tiradentes, herói que assumiu a condução da Inconfidência Mineira, e por isso foi martirizado. Pretendeu, com essa atitude corajosa, poupar a vida dos demais inconfidentes, o que conseguiu.

Mais do que símbolo da ânsia de liberdade de um povo, Joaquim José da Silva Xavier personifica o patriota que cada um pode ser. Em um tempo marcado por vergonhosas denúncias de corrupção na política, na vida pública, e até no exercício de profissões fundamentais para o bem estar do povo, sua figura continua a afirmar que podemos, sim, vencer pela honestidade, afirmarmo-nos pelo respeito aos princípios éticos, e não nos calarmos, nem sob pena de desagradarmos a muitos, diante dos descalabros a que temos assistido passivamente.

Não pretendemos pregar rebelião, mas uma revolução pacífica das consciências por um Brasil mais são. Voltamos amanhã com mais história sobre a gênese do país que precisamos redescobrir.
"Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!" - Ari Barroso