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Tuesday, November 20, 2012

O Rio que renasce

Na semana passada estive duas vezes no Hospital dos Servidores do Estado para obter algumas informações,  e fiquei agradavelmente surpresa com as mudanças que já se operaram na região.  Há alguns meses atrás, os tapumes, buracos e barulho tornavam o passar nas proximidades da Praça Mauá e do Porto, verdadeira tortura.  Agora, passeei feliz pelas largas calçadas de ruas claras, limpas e bem sinalizadas. Há muito que se fazer ainda, mas essa, ainda pequena, amostra abre caminho para a esperança de se poder transitar em um Porto jovem e moderno. Eu mesma me senti mais jovem. A região está adquirindo  a  dignidade que merece.


Na esquina da Av. Barão de Tefé com Av. Venezuela existe uma pequena construção azul com o nome de MEU PORTO MARAVILHA que abriga uma riquíssima exposição ligando o passado, o presente e o futuro da Zona Portuária. Com muita tecnologia e interatividade, você conhece as transformações da região através dos séculos e a explicação do papel da Concessionária Porto Novo.

Caminhando alguns passos pela Av. Barão de Tefé você já se encontra no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo e da Imperatriz. Você volta no tempo  e entende melhor nossa cidades. O Valongo foi   construído no fim do século XVIII para o desembarque de milhares de escravos que eram comercializados  nas imediações. No século XIX, esse antigo cais foi recoberto por um novo, projetado por Grandjean de Montigny, para receber a futura esposa do imperador Pedro II, D. Teresa Cristina. Em escavações recentes para obras urbanas, esses tesouros foram redescobertos e oferecidos aos olhos curiosos dos visitantes de toda a parte.

Na Rua Camerino, logo adiante, um enorme paredão de 7 metros esconde um lindo jardim romântico, projetado por Luiz Rey no início do século XX. São os Jardins Suspensos do Valongo (1906). Lá, pedras falsas harmonizam  com troncos recobertos por argamassa, alguns caídos na relva, sugerindo a renovação do jardim pela natureza e pelo tempo. Compondo o espaço, estão os deuses romanos Minerva, Mercúrio, Ceres e Marte, esculpidos em mármore para enfeitar o cais da Imperatriz.

Esses dois passeios guiados podem ser feitos em vinte minutos saindo e voltando ao local da exposição, sempre às 11 e 14 horas. A exposição fica aberta de terça a domingo, de 10 às 20 h. Você pode também obter mais informações pelo e-mail atendimento@meuportomaravilha.com.br  e id Skype meuportomaravilha.

Recentemente foram organizados passeios guiados também ao Morro da Conceição e Arredores. Estavam no roteiro O Observatório do Valongo, a Fortaleza da Conceição, o Antigo Palácio Episcopal, Vários Ateliers de Arte e Restaurantes tradicionais, a Pedra do Sal, o Largo de São Francisco da Prainha, a Capela de São Francisco da Prainha , as obras da Praça Mauá e muito mais.

 Está sendo considerada a possibilidade de se repetir  o evento ainda antes do final do ano. Será amplamente divulgado como foi o primeiro. Prestem atenção! Vale a pena! Acho que filhos adolescentes podem lucrar muito.  Acompanhar  de perto  a reconstrução do Rio que   renasce no Porto pode ser até uma boa aventura.
Obs.: As informações foram obtidas no Meu Porto Maravilha.

Agnes G. Milley

Tuesday, June 5, 2012

Lixo no Lixo

Queridos leitores e leitoras,
Pensem nos quatro episódios que vou lhes contar. Demonstram o modo como  diferentes pessoas se relacionam com seu próprio lixo.

Estava eu sentada no ônibus ,junto à janela, quando uma senhora bem posta sentou-se a meu lado. Trazia na mão um enorme sanduíche envolto em inúmeros  guardanapos além  da embalagem  da lanchonete onde adquirira seu almoço. Comeu  deixando cair pedaços de alface, batata palha, migalhas regadas em molho e maionese. Terminada a refeição, embolou os restos e passando o braço na minha frente atirou tudo pela janela.  Naturalmente eu me rebelei, mas chamei  sua atenção o mais educadamente possível. Ela atacou-me aos berros, muito indignada.


Em outra ocasião, estava eu esperando o sinal abrir para mim na esquina das Ruas Voluntários da Pátria e Real Grandeza  quando o Guarda Civil que controlava o trânsito simplesmente jogou no chão o invólucro do picolé que acabara de chupar. Ele estava parado a um metro da lixeira. Toquei no seu ombro e delicadamente mostrei-lhe o papel e perguntei se ele não trabalhava para a Prefeitura e se achava certo o que havia feito. Sua reação foi de espanto e disse: “Desculpe, Senhora “ , apanhou o papel e jogou-o na lixeira.

O terceiro episódio ocorreu na minha sala de aula. Meus alunos cursavam o último ano do  ensino  médio e todos se preparavam para o vestibular. Seriam universitários no ano seguinte. Ao entrar na sala, pedi  que recolhessem seus lixinhos do chão para que eu pudesse começar a aula.  Eles e elas “acharam graça” e  o mais desinibido entre eles me fez a seguinte pergunta: “Professora, por que a senhora se preocupa tanto com essas coisas”?  E ele mesmo respondeu: ISSO E CULTURAL!

Para encerrar a história eis o quarto episódio:  caminhava eu pela Rua Voluntários da Pátria quando reparei numa  senhora idosa que  carinhosamente conversava com seu netinho de talvez três anos de idade. O menino segurava  com a mãozinha melada de chocolate, um  papel e um palito do picolé. Sorri para os dois. A vovó então me disse, com um forte sotaque português: ”O pequenino está a procurar uma lixeira. Sabe a senhora, se não os ensinarmos desde pequenos...”.

É,  não podemos nos cansar de dar exemplo e  de repetir um milhão, dois milhões ou quantos milhões de vezes for necessário:  LIXO É NO LIXO.
                                                                                           Agnes G. Milley
  

Thursday, April 12, 2012

Ser carioca

Por Maria Teresa Serman

Ser carioca, mais do que um estado de espírito, é uma especialidade concedida magnanimamente por Deus, que já afirmaram ser brasileiro, então, por que não, também carioca? A "casa de branco", significado indígena para o nome carioca, é tão grande que abarca todos os que aqui nasceram, aqui vivem, apesar de terem nascido alhures, amam o Rio e se integraram ao jeito carioquês de ser. Estou "cometendo" conscientemente vários lugares comuns, mas, fazer o quê? S.Paulo que me perdoe, mas a beleza e a faceirice do Rio são fundamental para o Brasil, principalmente neste momento em que o brio da galera está no máximo, o orgulho "tá bombando"!

Um jornal que não preciso nomear, pois todo mundo sabe qual, está promovendo uma pesquisa popular, em uma de suas colunas, de detalhes do jeito carioca de ser. Tem aparecido pérolas da memória, principalmente para os cinquentões, como eu, que viveram incontáveis verões na praia, nas piores horas de sol a pino, sem conhecer o "Ozônio", e sua famosa camada esburacada - no máximo Ozônio podia ser um primo de alguém, com nome estranho. Na praia, como estão lembrando os que escrevem para a coluna, só tinha mate de "torneirinha", que, se era feito com água politicamente correta, não sei, mas não morremos disso, talvez de câncer de pele, e biscoito Globo, um dos símbolos da "dolce vita" à beira-mar. Sandália havaiana;;coque com nó de cabelo; canga amarrada de mil maneiras - as melhores continuam sendo as compradas na praia, tem outro sabor!; se despedir com "A gente se vê" ou "Passa lá em casa", embora ambos saibam que talvez não se encontrem, ou em que dia, nem tenham trocado endereço; cantar parabéns junto com quem está comemorando aniversário no bar;fazer churrasco na laje, com sambinha batucado amadoristicamente;a árvore de natal na Lagoa (já tentaram imitar, mas não conseguem, pobres coitados!); enfim, eu poderia ficar aqui enumerando infinitamente.... Adoraríamos receber comentários com carioquices esquecidas.

O Rio está ressurgindo, de uma forma que nenhum de nós esperava, graças à competência e honestidade de um homem chamado Beltrame (não à toa seu segundo prenome é Mariano), e aos valorosos policiais honrados, que, felizmente, vem se destacando mais do que a banda podre. É preciso, porém, que o carioca, mesmo com seu estilo moleque, recupere a sua amabilidade - não falo de intimidade, a que somos dados um pouco desabridamente, derrapando na inconveniência. As pessoas andam se trombando na rua, esquecendo a educação em casa, e sorrindo menos. Deve ser o calor.

Praticar atitudes ecologicamente necessárias, com relação ao lixo, à poluição, etc, é muito importante. Mas o renovado amor pela Cidade (de novo) Maravilhosa deve restaurar o genuíno espírito de seus habitantes para a afabilidade levada a sério. Tão a sério quanto a vocação para o trabalho que temos, embora os adversários invejosos tenham espalhado o contrário. Não temos é culpa de trabalhar sentindo o cheiro do mar, ouvindo o batuque do samba, sentindo o calor do sol deste pedaço do Jardim do Éden. Bem Américo Vespúcio escreveu em sua carta, quando por estas águas navegou, que o jardim dos nossos primeiros pais teria sido aqui. Acertou!

Friday, October 29, 2010

Dia 31 - A importância de não se omitir

A primeira eleição de que me lembro foi em 1982, tinha sete anos e fui com meu pai votar. Fiquei fascinado com a urna, vi meu pai ir a cabine, rezar uns segundos, escrever seu voto, dobrar e por na urna.

Confesso que do alto dos meus sete anos fiquei com inveja do poder que tinha meu pai de escolher quem ia nos governar. A solenidade do ato e a beleza da democracia comovem e formam as crianças. Em outras eleições foi minha mãe quem me levou. Sempre ficou este desejo de poder votar.

Estamos diante de uma encruzilhada em nossa nação e diante de um feriado. Tendo isto em conta penso que, respeitadas as circunstâncias de cada familia, é fundamental que os pais mostrem seu apreço pela democracia indo viajar apenas depois de votar. Atitudes como esta ficam gravadas no coração dos filhos, são lições que não podem ser transmitidas de outra forma.

Li este relato que vai abaixo na Internet e transcrevo aqui porque pode nos inspirar:
Meu pai passou por duas cirurgias contra câncer e disse que vai votar neste domingo: "Meu filho, sou contra o aborto, nem que seja a última coisa que faça em minha vida, nem que eu morra depois de apertar o confirma."


Confesso que o coração dizia para não deixar ele ir, mas com olhos mareados prometi levar.

-- Depoimento de um filho

Recomendo também a leitura da mensagem que o Santo Padre o Papa Bento XVI enviou hoje aos bispos do Maranhão e do Brasil: Aqui

Wednesday, September 15, 2010

Cidadania começa em casa: o brasileiro é honesto?

Por Maria Teresa Serman

" Suas atitudes falam tão alto que nem consigo ouvir o que você fala."

Esta frase, de Ralph Waldo Emerson, pensador americano, foi lembrada em um palestra recente, reproduzida no youtube, do Sr. Fábio Barbosa, que vem a ser um dos diretores, ou o principal, não me recordo, do Santander. Foi uma exposição clara e sucinta, em tom leve e linguagem didática, do tema ética. Sua coerência surpreende agradavelmente.

Para resumir: ele expõe o seu ponto de vista de que, se queremos melhorar o país, e acredita que somos patriotas na imensa maioria, devemos começar com nossa empresa. Sugere que as relações comerciais devem se estabelecer entre empresas que pensem igual, em relação ao meio-ambiente, aos seus funcionários, ao país como nação, em primeiro lugar. Cita vários exemplos de como eles, do banco, vêm agindo nesse sentido. Quem quiser assistir, é uma aula de cidadania e exercício da consciência.

Para que se consiga chegar a essa visão, contudo, a condição é começar de casa, dos alicerces. Não se podem gerar valores éticos em quem não os recebeu desde cedo de quem tem essa responsabilidade. Diria que precisamos beber essas noções quase que na mamadeira, para que sejam não uma segunda natureza, mas façam parte intrínseca da primeira. Maus cidadãos, pessoas ecologicamente negligentes, indivíduos socialmente nocivos são crianças não-educadas. Já diziam os mais antigos: é de pequenino que se torce o pepino. Quando este vira uma melancia podre, já é tarde.

"Nós temos que ser a diferença que queremos ver no mundo", outra frase citada pelo Sr. Barbosa, de alguém que foi um exemplo prático do que pregava - Gandhi. Com sua política de não-violência, que uniu o eclético povo indiano na cruzada pela independência, o líder indiano transformou não só a própria vida e de sua família como levou seus irmãos de vários credos e castas ao objetivo comum. Começou, como mencionei, por si mesmo e pelos de sua casa.

Quantos fatos jornalisticamente atuais temos visto de sociopatas, aqueles que usam do poder e da coisa pública para ganhar poder e dinheiro? Além de erradicar estes "fichas-sujas", precisamos evitar em nosso meio que tal procedimento seja bem sucedido. Esse "meio" começa no meio da consciência de cada um, com as “atitudes que falam tão alto", de modo que os ensinamentos que porventura precisemos transmitir nelas tenham sua gênese e constituição. Ninguém dá o que não tem.