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Tuesday, February 12, 2013

Centro Diurno para Idosos Necessitados em Roma

Ajudar os outros é um compromisso que implica passar das palavras aos fatos. Os responsáveis pelo Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - e o ator de cinema Alberto Sordi compartilhavam o desejo de ajudar aos idosos da cidade. E assim surgiu o CESA.

Uma revista em cores, uma companhia de teatro, um ateliê de alta costura; excursões culturais, passeios pela natureza, férias de verão; um ambiente agradável, um grupo de amigos, uma ocasião para trabalhar em equipe...

Esta é uma pequena amostra do que o Centro Diurno para Idosos Necessitados de Trigoria oferece; mas — e isso é o mais importante— o centro é um lugar onde o ancião é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.

Em 2002, Ruggero, Ennio e Adriano constituíram com alguns amigos a Associação Alberto Sordi. Na sua origem, está o desejo de ajudar as muitas pessoas de idade avançada que já não podem viver completamente por si mesmas. 

Nesta iniciativa, o idoso é valorizado e recebe ajuda para continuar crescendo como pessoa.
Em não poucas ocasiões, pelo ritmo de vida acelerado que se leva na sociedade ocidental atual, os anciãos acabam não recebendo a devida atenção por parte das suas famílias; e, não raro, os problemas econômicos e assistenciais que costumam aparecer nessas situações levam ao esquecimento de que o idoso, em primeiro lugar é uma pessoa frágil e necessitada.
Em consequência disso, muitos idosos sentem-se sós ou inúteis, vivem enclausurados num mundo de preocupações, de insegurança afetiva ou econômica, e vislumbram o futuro com medo ou sem qualquer perspectiva.

No ano de 2001, a Universidade Campus Biomédico de Roma - uma obra corporativa do Opus Dei - pôs em andamento em Trigoria o CESA: Centro para a Saúde do Ancião, dedicado à assistência médica e à pesquisa sobre patologias da terceira idade.

Juntamente com a atenção médica e sanitária, nessas instalações desenvolve-se também um trabalho de caráter social.
Ninguém duvida de que vale a pena investir na formação das crianças, dos adolescentes e dos adultos. No Centro Diurno, dá-se um passo a mais: também se aposta na formação do idoso, que retém muitas potencialidades e que sempre pode crescer como pessoa.

O objetivo primário é ajudar a manter — e, quando, é possível recuperar e potencializar — as capacidades psicofísicas, para que, na medida de suas possibilidades, o idoso tenha uma vida ativa e gratificante. No fundo, trata-se de conseguir que as pessoas idosas recuperem sua dignidade, se sintam úteis e vivam felizes.

Muitos estudos demonstraram que a perda das faculdades mentais não se deve tanto à elevada idade, mas à falta de exercício, de estímulos intelectuais e de vida social. Por isso, seguindo a metodologia do fazer, são organizadas atividades que ajudam a manter em exercício as faculdades pessoais. São atividades variadas, desenvolvidas em grupo.

A ênfase das atividades é posta no fazer, e busca-se que todos sejam protagonistas e não meros espectadores. Não são um fim em si mesmas, nem servem meramente para ocupar o tempo; o objetivo é contribuir para o desenvolvimento da pessoa em todas as suas dimensões: espiritual, relacional-afetiva, intelectual e corporal.

"Após muito tempo, minha mãe quis voltar ao cabeleireiro. Há um ano, lia poesias ao meu avô... Agora sou eu quem o escuta recitá-las". Frases como essas são comuns na boca dos parentes dos idosos que vêm ao Centro. É um fenômeno que se comprova uma e outra vez: com o passar do tempo, muitos anciãos recuperam a alegria de viver. Em princípio, os frequentadores vão ao Centro três dias por semana, mas é possível ampliar para cinco, se o idoso assim o quiser. A inscrição nunca é inferior a três meses: tempo mínimo para introduzir-se no ambiente e aproveitar as atividades oferecidas.
Mais informações sobre o Centro Diurno Anziani Fragili (em italiano).
http://www.fondazionealbertosordi.it/auto.asp?sID=3&sF=3
 Artigos relacionados
  http://www.opusdei.org.br/img/ra.gif    Vídeo exibido em 2011 pela Rede de Televisão RAI sobre o Centro de Anciãos (em italiano).
http://www.opusdei.org.br/art.php?p=51849

Sunday, December 9, 2012

Como conviver com a artrite

As causas da artrite reumatoide são desconhecidas, as pesquisas mais recentes indicam somente que se trata de uma doença inflamatória e autoimune, isso significa que o próprio corpo produz anticorpos que atacam as articulações - sobretudo as menores, como os dedos, punhos e articulações dos pés e dos tornozelos. A reumatologista Lícia Maria Henrique da Mota, coordenadora da Comissão de Artrite Reumatoide, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que, se não for adequadamente tratada, a artrite reumatoide destrói as articulações, aumentando a sua dependência para realizar as tarefas diárias. E quando as deformidades progridem, é hora de lançar mão de alguns hábitos e até dispositivos que facilitam a sua vida. Em 30 de outubro, o calendário marca o Dia Nacional de Luta contra as Doenças Reumáticas. Conviver bem com a doença é o primeiro passo vencê-la, informe-se a seguir e junte-se a nós nesse combate!

Substituir maçanetas e torneiras arredondadas
Uma mudança simples que faz toda a diferença. As torneiras e maçanetas em formato de bolinha são muito mais difíceis de serem giradas por quem tem artrite reumatoide. Isso porque esse tipo de dispositivo exige o movimento de prensa da mão, que solicita exatamente as articulações mais prejudicadas. Para abrir maçanetas e torneiras em formato de cabo, basta um empurrão, para baixo ou para cima, bem mais fácil de ser realizado. O reumatologista Fábio Leandro Parmigiani, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, explica que essa alteração faz muita diferença na qualidade de vida dos pacientes, que podem fazer atividades básicas com mais independência.

Usar velcro nas roupas
Vestir-se sozinho parece simples? Pois pode ser um desafio para quem tem artrite reumatoide. Adquirir roupas que tenham velcro no lugar de zíperes, botões e laços - ou até mesmo fazer a mudança com a ajuda de um costureiro - aumenta a independência do paciente com artrite reumatoide, já que exige menos o chamado movimento de pinça dos dedos, de difícil execução nesses casos. O reumatologista Fábio conta qual é a maior vantagem do uso desse aparato: "Ele permite que os pacientes não se sintam limitados para atividades básicas de cuidado pessoal, o que melhora, e muito, a autoestima".

Usar mais os braços
O educador físico Diego Roger, professor da Universidade Gama Filho e mestrando em ciências aplicadas à reumatologia, explica que, na fase de adaptação à doença, é fundamental resguardar articulações comprometidas e tentar utilizar os acessórios (neste caso, o braço) para realizar as atividades diárias. "Contudo, é preciso cuidado para não sobrecarregar as articulações que estão boas, comprometendo-as no longo prazo, ou assumir posturas viciosas, como manter a coluna curvada".

Usar um carrinho

Sabe esses carrinhos usados para fazer compras no supermercado? Eles podem ser ótimos aliados no lar de quem convive com a artrite reumatoide. Fábio Parmigiani explica que o transporte excessivo de peso evita que estes pacientes desencadeiem lesões musculares e agravamento do quadro de dor nas juntas. Por isso, use os carinhos e evite essas agressões.

Forrar utensílios manuais
Facas, garfos e escova de dente não precisam ser um desafio para o portador de artrite reumatoide. Lícia Maria explica que atualmente existem dispositivos que se encaixam a esses, e outros, objetos, garantindo a sua usabilidade por quem tem a doença. "Os adaptadores melhoram muito a capacidade dos pacientes terem uma vida normal, muitas vezes um simples adaptador colocado no cabo de uma faca facilita a utilização do utensílio e evita que o paciente se sinta incapaz de ter uma vida normal", afirma o reumatologista Fábio. Para quem quiser um método diferente de fazer a adaptação, a reumatologista Lícia dá a dica: "Vale colocar aqueles espaguetes usados na piscina em torno do cabo da faca, por exemplo, para isso, basta introduzir o objeto dentro do espaguete e descascá-lo até que ele chegue ao diâmetro ideal para a pegada".

Usar a tecnologia a seu favor
Fábio Parmigiani explica que tudo que ajuda o paciente a proteger a junta inflamada e, desta forma conservar a energia, é uma opção benéfica. Escovas de dente e facas elétricas são algumas das opções que ajudam a evitar a lesão das articulações - aposte nelas.

Evitar as quedas
A reumatologista Lícia Maria explica que o risco de osteoporose é maior nos pacientes com artrite reumatoide. Por isso, além do acompanhamento médico e avaliação da densidade óssea constantes, a especialista recomenda que sejam feitas algumas adaptações na casa desse paciente, a fim de evitar quedas: "Colocar barras no banheiro, preferir sabonetes líquidos (em vez da versão em barra, que pode escorregar e cair no chão) e evitar o uso de tapetes são medidas simples que previnem o problema".

Pedir ajuda quando precisar
Nem todo esse aparato substitui a ajuda - e o carinho - que um amigo, um familiar ou mesmo um cuidador pode te dar. "Todos que convivem com uma pessoa que tem artrite devem se esclarecer sobre as possíveis limitações causadas pela doença e, portanto, melhorar o convívio", afirma o reumatologista Fábio Parmigiani. Sinta-se confortável em solicitar a ajuda de outros sem sentir constrangimento, pois a exigência de ser independente, às vezes, pode ser excessiva e acabar em frustração.
Do site www.msn.minhavida.com.br

Thursday, July 26, 2012

Avós e Avôs em outras culturas

Por Agnes Gabriella Milley

Nas culturas africanas, as avós e os avôs são as pessoas mais importantes da família. Na tradição Bantu, quando precisam tomar alguma decisão importante,as avós e os avôs se reúnem ao redor de uma árvore especial para se aconselharem com seus antepassados. Chamada de Árvore dos Antepassados, geralmente é plantada pelo homem mais velho da família.

Os povos lorubás que vieram para o Brasil do Benin, Nigéria e Tongo, tinham em sua cultura akpalô, palavra que significa "fazedora de alô".As akpalôs eram senhoras idosas que andavam de engenho em engenho contando histórias para outras negras e para os meninos brancos - eram "vovós" negras que ajudaram a transmitir sua cultura e a transformar a língua portuguesa. Muitas das palavras usadas pela linguagem infantil nasceram dessa troca entre as akpalôs e os meninos brancos: dodói, miau, au-au, dindinha, pipi, bumbum.

As crianças indígenas têm uma relação muito próxima com suas avós e avôs. Com eles aprendem muitas coisas, como, por exemplo, cuidar bem da natureza, dos animais, dos rios e das plantas. Desde cedo, as meninas cozinham com suas avós, e meninos e meninas aprendem muitas brincadeiras com os avôs.

Para os povos orientais, as avós e os avôs são considerados os guardiões do saber familiar e, por isso, têm um papel fundamental na educação de seus netos. Quando os filhos se casam procuram morar próximo aos pais, para que os netos convivam com os avós cotidianamente. No Japão, diz-se que a morada dos filhos deve ficar a uma distância dos pais que permita levar o missoshio - sopa feita com pasta de soja - sem esfriar.

Texto impresso em folheto que acompanhou produtos da Natura em 2011, por ocasião do dia das Avós e dos Avôs - www.natura.net

Agora fica a pergunta: como nos relacionamos, atualmente, com os idosos, em nossa cultura? Não seria um bom tema para estudo e discussão?

Thursday, April 19, 2012

A importância do geriatra

Por Maria Teresa Serman

A geriatria ainda é uma especialidade nova, tão recente que não existem concursos públicos para eles, não há a figura do geriatra na saúde pública. Muitos idosos resistem a se consultar com esses profissionais, preferindo cardiologistas ou neurologistas, o que é uma pena, pois o geriatra abarca todos os aspectos, tendo como referencial a idade. Em caso de doenças mais graves, o paciente será encaminhado a um especialista, que irá atendê-lo junto com o geriatra.

A assistência desse médico deve começar mais cedo do que a faixa etária recomendaria, praticando-se, assim, o que se chama "geriatria preventiva". No mais, é preciso ressaltar que o Brasil não será brevemente um país de população predominantemente velha, ele já é, pois a taxa de natalidade despencou e a perspectiva de vida aumentou.

Também é de extrema importância que os filhos, que estão envelhecendo junto com os pais, pois a longevidade destes proporciona isso, se preparem para cuidar e lidar com um quadro ambivalente: a velhice dos pais, que espelha o próprio futuro dos filhos. Acontece, então, um envolvimento emocional mais profundo, com duplo efeito; por um lado, isso desperta mais compreensão dos que cuidam, mas, por outro, gera apreensão, porque há o receio, sempre latente, de repetir a história paterna ou materna, com as implicações que doenças degenerativas e incapacitantes trazem, tanto a uns quanto a outros.

Um bom geriatra é um bálsamo na vida de idosos e cuidadores. Ele não só trata, como ensina os filhos e auxiliares a lidar com os mais velhos. Estes vão perdendo, com a idade, a força física, a memória, a autonomia. Passam a depender de decisões alheias, e isso lhes causa muito sofrimento, e não pouca rebeldia. Cabe ao filho negociar, ter paciência e esperteza para driblar os impasses que frequentemente se instalam. Aí entram, felizmente, a competência e sensibilidade do geriatra, que pode aconselhar o modo de mais facilmente conviver com o idoso, extraindo dessa convivência aprendizagem e sabedoria, e não somente ordens e brigas.

O organismo do idoso não funciona como o de uma pessoa madura, requer mais atenção a detalhes pequenos que podem indicar doenças graves. Com o acompanhamento geriátrico, o paciente fica melhor monitorado, e se investe mais em atividades pró-ativas, como fisioterapia e ginásticas, vitaminas e remédios novos, do que o geriatra, mais do que outros médicos, está a par. Além disso, ele pode indicar terapeutas para idosos e seus cuidadores, o que ajuda muitíssimo na tarefa amorosa, mas delicada, de cuidar de quem cuidou de nós.

Wednesday, November 10, 2010

A misericórdia na família

Maria Teresa Serman
É interessante a formação da palavra "MISERICÓRDIA". Significa literalmente CORAÇÃO (CORDIS) SOFREDOR (MISER). Em um âmbito mais abrangente, quer dizer sentir a miséria dos outros no nosso próprio coração, sentir a dor que o outro sente. Por isso dizemos que Deus é misericordioso, pois Ele consegue, como Pai, sentir as nossas misérias no Seu Coração de modo inigualável.

Há uma tendência atual, digamos, politicamente correta, de se solidarizar com os infortúnios dos semelhantes menos próximos: dos flagelados, dos órfãos da Aids e da guerra, dos sobreviventes de uma catástrofe local ou mais distante. Isso é muito bom e louvável, é ser misericordioso sem dúvida.

Contudo, há uma dimensão da misericórdia que frequentemente nos escapa, neste mundo tão superficial. Consiste em aproximar os homens do Bem, da Verdade, do verdadeiro Amor, para que a discórdia (que significa dois corações partidos ou separados) não afugente a real misericórdia de Deus.

Para tal procedimento, precisamos, em primeiro lugar, perder os respeitos humanos que nos impedem, cotidianamente, de ajudar pessoas e corações perdidos e infelizes. Ninguém ousaria passar indiferentemente diante de um prédio de cujo terraço um desesperado estivesse prestes a se jogar. No entanto, não nos achamos no direito de aconselhar amigos e colegas que estão à beira do precipício moral.

Um foco importante da alma misericordiosa é praticar essa graça com aqueles que lhe são mais próximos, em família. É fácil ser compreensivo da porta de casa pra fora. O desafio é prestar atenção às súplicas silenciosas que olhares e atitudes nos lançam da sala, da cozinha, do quarto. Ouvir, acalmar e alegrar os mais chegados muitas vezes é puro heroísmo e a mais perfeita forma de misericórdia.

Entre estes, devemos dar especial atenção aos mais velhos, frequentemente esquecidos, como utensílios fora de uso, relegados a serem somente "ele" ou "ela". Sequer os nomeamos mais, inadvertidamente, e passamos por "eles" sem uma pausa para um papinho, ou um detalhe de carinho. São um tesouro de sabedoria, e felizes aqueles que buscam nesses depósitos de amor sua orientação e lhes retribuem com gratidão.

Friday, October 1, 2010

Doce encargo

Por Maria Teresa Serman - dia do idoso
Quando menos esperamos, a vida nos inverte a nossa vida. Passamos de filhos para mães ou pais de nossos pais. Viramos "cuidadores", que é o termo usado para essa função, sejam os filhos ou pessoas contratadas para ajudá-los nesse doce encargo. Assumimos, então, contra a vontade mas com amor, o papel de zelador, comprador, gestor, administrador, e muitas vezes provedor. O afã é de tal monta, que precisamos estar atentos para não descuidar do carinho pessoal, do beijo, do afago, da conversa.

O momento de se tornar cuidador pode ser o de uma doença de um dos pais, ou dos dois.Ou simplesmente com sintomas de que o fluxo normal de consciência deles está se alterando. Não é fácil, pois ninguém se prepara para essa reviravolta, mas devíamos. Fica mais doloroso encarar o fato de que somos responsáveis pela vida, em vários sentidos, daqueles que sempre cuidaram de nós, se não aceitamos isso como o curso natural da existência. A preparação para essa fase deve saudavelmente passar por uma adequação interior para a própria velhice.

Não se trata de fatalismo ou qualquer sentimento correlato.Refiro-me a um projeto de vida que leve em consideração a ação do tempo sobre nós, como acontece com todos os viventes. Precisamos nos preparar para envelhecer com saúde, dignidade, boa situação material, e, principalmente, com um espírito jovem e bondoso. Este pode suplantar até mesmo os casos mais graves de senilidade, pois a boa-vontade da alma atenua a decadência da mente. Só fica mais ranzinza na idade avançada quem já deixou o mau- gênio se instalar em tenra idade e segue cultivando tal atitude como erva-daninha, que vai estar frondosa quando menos a desejamos.

Precisamos - não só DEVEMOS, percebam a diferença - amar, respeitar e cuidar dos nossos idosos, porque eles são nossa fonte de sabedoria; onde bebemos em primeiro lugar da nascente do amor; o espelho, para melhorar ou imitar, do nosso ocaso. Quantas lições perdemos quando desprezamos essa herança! E quanta felicidade advém, quando a aproveitamos! Pais, avós, bisavós, tios e tias, padrinhos, agregados, empregados, amigos: todos podem fazer parte de nossa família, no sentido mais profundo do termo. Da família que transcende o parentesco e cria ligações mais afetivas que as genéticas.

Aos cuidadores, recomendo que se cuidem muito bem. Que se preparem diariamente para essa tarefa. Que estejam atentos para mudanças repentinas nos seus idosos, desde a temperatura até uma quase imperceptível mudança de humor. Que percebam suas mais sutis necessidades e tratem seus corpos, suas mentes e suas almas com muita delicadeza e prontidão. E estejam sempre, cada dia mais, muito atentos para dar-lhes amor incondicional, paciente e benigno, pois "quem honra pai e mãe apaga uma multidão de pecados", e honrar significa tratar como ao maior dos reis, servir e amar.

Thursday, March 11, 2010

Nossos Velhos - uma reflexão bem a calhar

Recebi um email de uma amiga que colabora com o nosso BLOG, a Anna Ribeiro, sugerindo colocar este texto que segue abaixo. É uma boa reflexão feita por Martha Medeiros, sobre os nossos idosos.

Nossos Velhos

Pais heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.

A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada. O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? Fizeram 80 anos.

Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado para isso. Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que para isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.

Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente.

Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.

Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo. Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça? Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.

Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.

É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.
Autora Martha Medeiros

Aproveitando o tema coloco um filme bem interessante que retrata este conflito de filho e pai idoso.

Saturday, February 6, 2010

Entendendo um pouco mais sobre a memória! - parte 3

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT. Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .

Continuação do dia 5 de fevereiro de 2010

São funções da memória: a aquisição e registro das informações também a retenção ou fixação que são as informações a serem conservadas ou preservadas para uma utilização posterior.
Reconhecimento ou localização é outra função da memória que nos permitem o acesso as informações, como se fosse um fichário que organiza essas informações.
A Reprodução que é a evocação ou recuperação das lembranças, podendo ser trazidas de volta pela impressão deixada nas memórias visual, auditiva, tátil, emocional, gustativa.

TIPOS DE MEMÓRIA:

MEMÓRIA LÓGICA OU ASSOCIATIVA – ESSA ESTABELECE ASSOCIAÇOES ENTRE FATOS, PESSOAS E SITUAÇÕES VIVIDOS.

MEMÓRIA EPISÓDICA OU INDIVIDUAL – É A EXPERIÊNCIA PESSOAL VIVIDA.

MEMÓRIA CRIADORA – É A QUE FIXA COM LEMBRANÇAS EVOCADAS E QUE SÃO RECRIADAS E RECOMBINADAS.

MEMÓRIA MECÂNICA – É A QUE REPRODUZ AUTOMATICAMENTE, PALAVRAS, NOMES E SITUAÇÕES VIVIDAS

MEMÓRIA SELETIVA - É A QUE REPRODUZ CONFORME O INTERESSE

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA - É A QUE REPRODUZ DETALHES COM FIDELIDADE.

MEMÓRIA ARTIFICIAL - É A QUE TEMOS COM USO DE AGENDAS E LEMBRETES.

COMO ADQUIRIMOS A MEMÓRIA?
Pela ação!
COMO CONSERVAMOS A MEMORIA?
Pela atenção, interesse, e repetição!
COMO REAPARECE?
Pela evocação!
COMO SE PERDE?
Pelo esquecimento!
COMO ACONTECE A EVOCAÇÃO?
Voluntariamente!

Daí procurar lembrar o que fiz ontem de manhã ou comi no almoço serem importantes para termos boa memória.

Involuntariamente – é a que aparece subitamente, através de um cheiro, música, palavra, uma cena, sabor...

A Memória é, portanto uma interação entre o ambiente e o organismo!

Adiante falaremos mais sobre as técnicas para melhorarmos a memória !

Thursday, February 4, 2010

PARA AJUDAR SUA MEMÓRIA - parte 2

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT.
Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .


A parte 1 esta no dia 18 de novembro de 2009

Existem algumas técnicas que poderão nos ajudar a gravarmos ou retermos melhor as informações na memória, porém é preciso repetir que bons hábitos ou uma boa qualidade de vida são imprescindível para termos boa memória, tais como:

1- Dieta equilibrada e diversificada conforme a pirâmide alimentar.
2- Pratica de exercícios físicos regulares como parte de um programa de vida diário.
3- Ter vida social com turma de amigos freqüentarem outros ambientes.
4- Ter religião e praticá-la.
5- Diversificar seus interesses, ser criativo.
6- Manter-se atualizado ler jornais, revistas todos os dias. Se possível como rotina.
7- Fazer lista de compras ler diversas vezes e deixar em casa, procurar confiar na memória.
8- Controlar o stress e ansiedade se necessário com técnicas de relaxamento e massagens com exercícios respiratórios
9- Evitar o uso e abuso de medicamentos.
10- Divertir-se e sorrir, VIVER INTENSAMENTE O MOMENTO PRESENTE SEM angustias ou preocupações sobre o amanhã!

Algumas técnicas que podem ajudar:

Associativa - Ao ouvir ou ler uma palavra faça uma imagem mental da mesma utilizando as impressões que lhe sugerir e faça laços mentais de uma palavra a outra, ligando- a outra, como se fosse uma corrente ou uma história narrada , tendo você como inicio e final da mesma.


Técnica para memorizar nomes: Procurar prestar o máximo de atenção e relacionar o nome com a fisionomia da pessoa, seus traços físicos marcantes, relacionar com a sua profissão, faça rimas para facilitar, na conversa verifique qual a importância da pessoa para você, este é o momento para informações sensoriais entrarem no seu sistema de processamento de informações, entender o que o outro diz é fundamental.

Memorizar recados: Ouça a mensagem com atenção e anote os seguintes pontos
O dia, a hora, o local, o assunto, quem mandou, a finalidade, a importância. Se preferir com esse arranjo visual:
Data:
Hora:
Local:
Motivo ou assunto:
Remetente:
Se empenhe para copiar mentalmente e depois num papel essas informações.

Lembrar-se sempre de algumas regras:

Sem eficiência de memória, muitas coisas necessárias não são feitas.
Sem eficiência de memória, a vida vai passando e nunca aprendemos a reconhecê-la e nem apreciá-la.
A Memória aumenta nosso motivo de quardar lembranças, o motivo mais a repetição é iqual a retenção.
A Retenção da memória aumenta proporcionalmente ao seu uso.

A Acuidade sensorial deve ser boa para termos uma boa memória:

OLFATO-VISÃO-AUDIÇÃO-GUSTAÇÃO-TATO (Devem ser utilizados para a boa formação de memória.)

As informações que nos interessam ou nos são úteis são memorizadas com mais facilidade.
A Compreensão facilita a memorização.
O Equilíbrio afetivo tem um papel muito importante no aprendizado e na memória.

Friday, November 27, 2009

Saber envelhecer – é uma arte, para os homens e para as mulheres

A coisa mais natural do mundo é que tudo que nasce um dia envelhece e morre. E conosco não é diferente. Mas o fato de envelhecer causa certa ojeriza aqueles que não conseguem lidar com certas coisas que o envelhecimento trás: Como as dores reumáticas, a perda da memória atual, a agilidade física, e muitas outras que fazem parte do “pacote velhice”.

Evitamos pensar nessa realidade e isso pode nos levar a surpresas desagradáveis e achar tudo muito difícil e pesado. O ideal seria desde cedo nos preparamos para ela, e descobrir que mesmo na pior situação física o idoso terá o seu valor, passando suas riquezas acumuladas com o passar dos anos. E o maior testemunho que dá é o do sentido que deu a sua vida.

A velhice é um aprendizado também para os que convivem com o ancião. Não basta aprender a suportar as limitações do outro, é preciso saber amar apesar das limitações. E isso é uma verdadeira arte. Este amor será firmado pelo cuidado físico, pela atenção que se dá e no tempo que gastamos com o idoso. Com caras alegres, e muita paciência.

Quando vivemos cientes de que um dia também ficaremos velhos, vamos lutando contra os nossos vícios e defeitos para não nos tornarmos aquela pessoa cansativa e desagradável que só vê amargura pela frente e reclama de tudo por melhor que seja. São os famosos “de mal com a vida” que conhecemos por aí.

Eu hoje recebi um email com uma oração que achei bem interessante e de forma brincalhona vai dizendo umas boas verdades a nós. Só não concordo com seu finalzinho onde diz que é difícil conviver com os santos. Tenho certeza de que os "santos mesmo" são pessoas que atraem gente para si, estejam em que época da vida que estiverem.
Coloco abaixo a oração, não conheço a autoria, mas vale a pena ser lida:
Oração de quem descobre que está envelhecendo.

Ó Senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia. Sendo assim, Senhor, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião. Livra-me, também, Senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.

Ensina-me a pens
ar nos outros e a ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando com modéstia a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante. Tu sabes, Senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os amigos e os filhos quando não há intromissão na vida deles.

Livra-me, também, Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias e dá asas à minha imaginação para voar diretamente ao ponto que interessa. Não me permita falar mal de alguém. Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças.Elas estão aumentando e, com isso, a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada ano que pa
ssa.

Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias; ser
ia pedir muito. Mas, ensina-me, Senhor, a suportar ouvi-las com paciência. Ensina-me a maravilhosa sabedoria de saber que posso estar errada em algumas ocasiões.Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.

Mas, sobretudo, Senhor, nesta prece de envelhecimento, peço: Mantenha-me o mais amável possível. Livrai-me de ser santa. É difícil conviver com santos!
Mas uma velha rabugenta, Senhor, é obra prima do diabo! Poupe-me, por misericórdia. E proteja-me contra os mal intencionados.... Assim seja!

Wednesday, November 18, 2009

A Memória e os tempos modernos

Texto de : Marcia Cristina Ramos Vasconcellos
Médica com formação em Otorrinolaringologia e Medicina Do Trabalho pela UFF- NIT.
Professora do Projeto Profissões de serviço, no curso assistente familiar pela Adec junto a comunidade da Grota - São Francisco em Niterói Voluntária Casa Convívio assistencia a idosos em Niterói .


A memória é realmente uma habilidade caprichosa e impressionante, algumas vezes nos abandona quando precisamos lembrar o nome de algum amigo que acabamos de reencontrar outras vezes não nos deixa esquecer fatos ou momentos embaraçosos vividos. Ninguém sabe quando ela funcionará a nosso favor ou não!

Muito se estuda sobre a memória e ainda se continuará a estudar pois muito há que entender e decifrar !

Uma coisa muito clara porém e bem sabida, é a transformação que existe em nossa memória ao longo dos anos:- como perdemos a capacidade de registrar com rapidez os fatos e números e também a influência do mundo moderno e a agitação dos nossos dias em que muitas informações nos vem com uma grande velocidade interferindo na capacidade de reter as informações na memória,o que também dificultaria o registro!

O que se sabe é que a memória se modifica ao longo do tempo e nós envelhecemos desde que nascemos... Isso acontece e é fácil verificar a grande facilidade com que as crianças de cinco anos jogam o jogo da memória, como memorizam as posições e números das cartas com naturalidade e rapidez, enquanto os mais velhos fazem um enorme esforço consciente para memorizar as cartas e com menos sucesso!

Essas alterações são também chamadas de alterações bioquímicas cerebrais.Ocorrem também perdas celulares- no caso os neurônios que são as células cerebrais são determinantes de nossa boa saúde mental ou de nossa memória, pois na fase madura da vida o sistema nervoso se modifica bem como as funções de sentido: visão, audição, gustação, tátil ou proprioceptiva, o que afeta em cheio a memória ou nosso registro mental dos fatos, se no momento da gravação o som ou a imagem estiverem nebulosos, o registro cerebral na memória não terá nitidez bastante para consultá-lo em outro tempo.

Assim, a correção dessas alterações naturais com óculos, aparelhos auditivos e mesmo com a remoção da cera acumulada no conduto auditivo são fundamentais para que se forme uma memória com traços distintos e duradouros! Afinal não é possível lembrar aquilo que não ouvimos ou ouvimos mal... Ou o que enxergamos com defeito...

Tais perdas celulares ( mais especificamente de uma região do cérebro chamada hipocampo) são as que mais parece estarem ligadas a todas as alterações na memória e em especial na formação das novas memórias ou utilização de novas informações!

Portanto não somente as alterações biológicas que ocorrem em nosso corpo são responsáveis pelas alterações da memória, mas também outros fatores em crescente progressão na sociedade atual tais como o estresse, fadiga física e mental, falta de sono e depressão!

Assim quando percebermos que nossa memória falha, é necessário iniciar uma pesquisa revendo nosso comportamento nessa ocasião: se há muita agitação, alterações do sono, preocupações crônicas e, sobretudo refletir sobre o quem podemos fazer para modificar positivamente essas situações e transformá-las a nosso favor!

É claro que os problemas não desaparecerão, mas a sua atuação sobre nós ou nosso organismo poderá ser minimizada. É uma guerra na qual nossa saúde mental sairá lucrando.

Em outro artigo daremos algumas dicas e exercícios para estimular ou exercitar a memória!

Tuesday, October 27, 2009

A ARTE DE LIDAR COM O TEMPO - entrevista

Quem é nossa entrevistada:
Alessandra Garcia Trindade - Mineira de Campo Belo, é pós-graduada em Responsabilidade Social e Terceiro Setor e atua como consultora cultural. Desenvolve projetos viabilizados por meio de patrocínios nas leis de incentivo que possibilitam o acesso da população de baixa renda às mais diversas áreas culturais como teatro, música, literatura, cinema, artes plásticas, entre outras.
Autora de alguns livros, escreveu: Mes
tre do tempo - um livro com depoimentos de pessoas que fizeram mais que viver: 25 pessoas acima de 80 anos, anônimas ou “famosas”, que vivem sua vida de uma maneira exemplar.

1 - O que a levou a escrever sobre exemplos de pessoas (mais idosas) que aproveitaram bem o tempo? Quem são e porque são mestres do tempo?

Quando pensei em escrever um livro quis escrever sobre algo que fizesse bem a mim (ao escrever) e que inspirasse às pessoas que estivessem lendo a buscarem algo melhor para suas vidas.
Optei por escrever sobre pessoas mais velhas e que estão ativas, fazendo coisas que acreditam, que gostam. Muitos deles se reinventando a cada momento, mesmo que estejam fazendo a mesma coisa durante toda a vida. Outros buscando coisas novas para fazer, mesmo que estejam com 80, 90 anos. Pesou muito sobre a minha decisão de escrever sobre os mais velhos o fato do Brasil não valorizar o idoso da maneira como ele deveria ser valorizado e também a minha experiência de ter convivido com meus avós quando eles já estavam bem velhos.
Os 25 mestres, a maioria deles com mais de 80 anos, foram escolhidos de forma que cada leitor possa se identificar com pelo menos um deles. São pessoas de várias partes do país (SP,RJ, MG, BA, TO, DF) e com atuações muito distintas: tem escritora, atriz, médicos, professora, palhaço, compositor, artista plástica, etc. Optei por entrevistar a maioria de desconhecidos (ao invés de colocar apenas pessoas “famosas”no livro) para que os leitores possam valorizar aqueles mestres que estão ao seu lado e que, muitas vezes, não são vistos como mestres, pessoas que têm muito a ensinar.

2 - Qual foi sua experiência mais agradável neste contato com os idosos que entrevistou?

Aprendi muito com todos os entrevistados. Não há como destacar uma ou outra entrevista. Todas me marcaram muito e com cada um deles aprendi algo que irá contribuir com a minha vida.
São pessoas muito diferentes entre si, e aí acho que aí está a beleza do livro. O mestre pode ser uma pessoa como a dona Raimunda, que nunca freqüentou a escola, mas que viajou até a China para defender as quebradeiras de coco no Norte do país. Ou o Sr. Benedito Sbano, que, mesmo tendo passado dos oitenta anos, continua se apresentando como o Palhaço Picoly e sempre buscando novas caretas e novas falas para suas apresentações. Ou a dona Ondina, que tem dedicado seu tempo a uma farmácia comunitária que entrega gratuitamente remédios para 1000 pessoas por mês.

3 - Qual foi a mais marcante das entrevistas?

As entrevistas foram muito marcantes e algumas delas inusitadas. Talvez a mais inusitada tenha sido com a dona Geralda, que foi feita na praia, momentos antes dela saltar de paraquedas, seu primeiro salto de paraquedas aos 71 anos de idade.

4 - No que o idoso pode ainda ajudar para construir pessoas melhores para o futuro?

A pessoa mais velha tem a experiência de vida que pode contribuir muito com a formação dos jovens ou mesmo na vida de um adulto. Acredito que a sabedoria dos mais velhos é algo que só se conquista com o tempo, com a vivência.
Uma das entrevistadas do meu livro, a dona Déa, disse uma frase que exemplifica muito bem isso. Referindo-se aos mais velhos, ela disse que “existe um conhecimento da vida de só aceitar o que é possível, o impossível não desejamos mais. A mocidade deseja o impossível, mas nós, os “velhinhos”, não desejamos o impossível, só queremos o possível. Com isto, nós temos a oportunidade de aproveitarmos a vida com mais tranqüilidade”.

5 - Você resolveu distribuir 100 exemplares do livro para serem lidos e circularem. Conte a razão.

A trajetória mais comum de um livro é que as pessoas comprem, leiam e guardem em suas estantes. Quando decidi colocar 100 livros para circularem, meu objetivo foi de que daqui a cinco, dez anos, essas lições possam continuar circulando, ou seja, daqui a dez anos alguns desses 100 livros ainda estarão vivos, viajando pelo mundo e levando as histórias dos mestres a outras pessoas. Ficaria muito feliz se outros escritores fizessem o mesmo. Podem até colocar menos livros para circulação, mas que reproduzissem essa ideia que eu pretendo colocar em prática toda vez que eu lançar um novo livro.

http://www.mestresdotempo.com.br/


Livro: “Mestres do Tempo Relatos do Século XX Para Viver o Século XXI” (Ed. Gente) - já encontramos nas grandes livrarias.

As fotos são de: Victor Dagonetti (Drago) - O fotógrafo do livro - um jovem que soube captar tão bem as imagens dos idosos e de suas sabedorias.

Saturday, April 25, 2009

HÁBITOS FAMILIARES

Um estudo feito por uma equipe de uma universidade de Barcelona tira umas conclusões nefastas para nós que cremos na FAMÍLIA:
As refeições em família estão em desuso e os novos hábitos alimentares consistem em cada membro da família comer só e se possível na frente da TV.

Este sim é um bom tema para refletirmos: O quanto se fala em família? Como estabelecer a comunicação entre pais e filhos? Podemos jogar todo o peso da educação sobre os ombros dos professores que por sua vez também carecem de ferramentas para atuarem na educação das crianças de forma correta?

É certo que muitos horários de trabalho, em muitos casos, dificultam este contato com a família. Mas em muitos outros casos há muita preguiça, muito egoísmo e desculpas. Acontece o mesmo com os idosos, os avós da família, nunca se tem tempo para eles, mas os centros para a terceira idade crescem e se multiplicam cada vez mais, mantendo assim os idosos longe do trato familiar.

Quando se tem oportunidade de questionar seus participantes, encontramos histórias chocantes, algumas das quais deveriam ser postas em público para serem debatidas a sério, para vermos se é esta a sociedade que queremos para o nosso futuro.

Devemos reconhecer que o tema da autoridade familiar - o papel dos pais - durante décadas foi pessimamente orientado por um modismo incompreensível, com excesso de democracia, os pais se tornaram permissivos demais, queriam filhos perfeitos, preocupando-se com muito mais com coisas temporais e deixando de lado as coisas essenciais. Assim sendo deixaram de passar aos filhos muitos exemplos e a permissividade passou a ser a palavra de ordem.

Precisamos ser bons observadores da atual realidade e vermos que este é um sério problema, e que a falta de comunicação dentro da família é um obstáculo ainda maior para se recuperar a autoridade e o respeito dos pais, e que ao lado de darmos a melhor formação escolar é necessário dar mais conhecimentos humanos e formativos para que os jovens se sintam mais seguros ao tomar suas decisões e os idosos, por sua vez, mais acarinhados dentro da família, tanto pelos filhos como pelos netos.

http://www.arvo.net/documento.asp?doc=120915d