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Monday, January 7, 2013

Meu interlocutor: a parede

Sempre me lembro do Bidu, cachorrinho azul, personagem, de Maurício de Souza, e suas conversas filosofais com a pedra; que, nesse caso fala, dialoga.

 Esse preâmbulo foi para mostrar como é o dialogo entre marido e mulher, em algumas fases de comunicação mais difícil,  porém, com uma agravante: diferentes da pedra que fala, são como paredes mudas, não dão nem indícios de que ouviram também.

 Os assuntos começam a não ser de interesse mútuo e passam a existir silêncios constrangedores. Sem nem mesmo um "é" da parte quem ouve, dando indícios de ter ouvido.

É mais comum acontecer isso com os maridos: o papel da parede. Ouvirem sem ouvir e sem responder ou dar um sinal de estarem atentos.

Já a mulher, via de regra , gosta mais de falar e é difícil para ela não emitir nenhum som durante a conversa, mesmo que o assunto não seja de seu agrado. Ela, com certeza, vai pelo menos mexer a cabeça que sim ou que não.

O homem, quando fala, prefere ver a atenção da esposa: olhando-a sem falar, sem diálogo, ele gosta de concluir sua ideia, sem apartes, promovendo assim, infelizmente, longos monólogos. Coisa totalmente estranha e absurda para a mulher, que gosta de trocar ideias e participar das conversas, ora concordando, ora discordando, ou mudando o rumo da conversa, quando já chegou no seu limite ou está chata demais.

 Como homem e mulher são bem diferentes em suas estruturas físicas, também o são nos seus intelectos, e ambos precisam de ajustes para melhorar a convivência; para a harmonia conjugal e para que, com o passar dos anos de casados, não criem um abismo entre os dois.

Ceder é para os fortes. Contudo, convencer é para os inteligentes. E,para os que amam ,é importante as duas coisas.

Saturday, October 13, 2012

Esposa ou mãe?



Por Maria Teresa Serman

Há alguns dias li um artigo bem interessante de Marina Colasanti, com o título de Mãe pra sempre, sobre o tema da maternização do amor que muitas mulheres dedicam a seus maridos. Diz a autora que "faz parte do chip da mulher cobrir de mimos e cuidados maternais o companheiro, como faz parte do chip dele aceitar todos os agrados, saudoso do corpo a corpo amoroso com a mãe." E ela alerta que "há riscos".

Muitas mulheres, talvez a maioria, vêm com esse "chip" bem nutrido; outras, com um tipo mais brando; raras, sem ele. Acontece com as que intensificam o instinto maternal de origem de "incluir o marido no pacote dos filhos", como muito bem definiu uma amiga nossa. O perigo é este: de essa tendência maternal tornar-se subliminar, confortável, automática. Quando se percebe, a "Grande Mãe" domina a relação conjugal e ameaça principalmente a mulher, bloqueando o processo de sedução que deve sempre ser alimentado entre os dois.

Continuando com a escritora, há, em sua opinião, "mulheres aparentemente fracas e doces (ou nem tão doces no exterior, diria eu) [que] cobrem seus homens de cuidados maternais. Começam de leve, um detalhe aqui, uma coisinha ali (..) e, aos poucos, como água que se infiltra, expandem suas atenções.(...). Tendo reduzido a filho o homem que lhe havia chegado como marido, pode começar a queixar-se de sua infantilidade.(...). Ele, dominado pelo inegável conforto de ter uma quase mãe à sua disposição, esboçará pouca ou nenhuma reação."

Ela desenvolve a teoria esclarecendo que essa atitude maternalizante pode ser uma forma de poder, de controle, ainda que inconsciente. E o homem torna-se uma espécie de "bebê gigante", sendo ela a única adulta do casal. Mais ainda, ele pode procurar em outra a fêmea que já não vislumbra em casa.

Esse alerta vale também para as mães superprotetoras, seja com os filhos ou com as filhas. O equilíbrio é, como sempre, a melhor saída, separando e depurando os afetos: filhos são filhos, não propriedades ou ursinhos carinhosos, e marido é um homem, não um debiloide ou criança grande. Não há excesso de amor, a meu ver, mas formas desviadas de expressá-lo, o que pode acontecer com qualquer pessoa, mesmo com as melhores intenções. Devemos, então, estar sempre vigilantes sobre o verdadeiro amor, aquele que liberta e amadurece.

Monday, September 17, 2012

O mistério do matrimônio


Por Maria Teresa Serman
"Assim devem também os maridos amar as suas mulheres, como o seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
De fato, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo; pelo contrário, alimenta-o e cuida dele(...). Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, unir-se-á à sua mulher e serão os dois uma só carne." 

Este trecho de uma leitura de S. Paulo nos faz retomar o tema que já comentamos bastante aqui, mas penso que nunca esgotaremos. Sempre é bom reforçar a certeza de que o matrimônio, como o concebe a Igreja Católica, é um sacramento, "sacramentum magnum", indica o próprio apóstolo, um grande sacramento e um mistério, interroga-se ele também, meio desconcertado, não sei se casou, não temos registro, provavelmente não, o que talvez lhe tenha proporcionado o papel de observador, e que observador deve ter sido, no melhor e mais profundo sentido.

Andamos cuidando muito do corpo, mas não como deve ser, como depósito da alma, criado à imagem e semelhança de Deus. Cultuamo-lo como algo precioso, uma estátua de carrara, um bem maior, mas para exibir. Esquecemos de seu aspecto transitório e precário, por mais atividades profiláticas e alimentação orgânica e sem radicais livres com que o cuidemos. Tudo isto é bom (os cuidados profiláticos, não o culto), só não se pode inverter as prioridades, pois dar ao corpo tudo que ele pede é traiçoeiro, porque ele não para de exigir o que quer. E não somos seus servos.

Se os cônjuges se amassem como os cultuadores de corpos amam os seus próprios, "que maravilha seria viver", como diz a canção. Não haveria descuidos, e, se houvesse, logo seriam corrigidos. Cuidados carinhosos e delicados seriam constantes, como respirar; afinal, respirar é o primeiro ato responsável pela manutenção do corpo, todos praticaríamos exercícios respiratórios preconizados por mestres orientais no assunto - já que é sabido que eles são muito mais hábeis do que nós, ocidentais, nesse campo. Iríamos, também, mais assiduamente ao médico, faríamos mais exames, cuidaríamos mais dos nossos hábitos.

POR QUE, ENTÃO, JÁ NÃO SEGUIMOS ESSAS PRÁTICAS NO NOSSO CASAMENTO???  Por que não cuidamos melhor um do outro? Por que não paramos para perceber, senão ouvir, os sintomas de alguma doença? Por que não exercitamos a prática de exercícios amorosos de carinho e atenção? Por que não oxigenamos o relacionamento com atividades prazerosas e divertidas, simples, ao alcance de todos os bolsos? E, principalmente, por que não levamos o casamento ao "médico" - que pode ser um terapeuta competente, um padre, um especialista em vida matrimonial - quando a doença COMEÇA a dar seus sinais? Por que não vemos o nosso amor como nós próprios?

É bonito falar, eu sei, difícil é fazer. Mas sempre há tempo, se há amor, e sempre se pode colocar amor onde parece, às vezes, que não há. Desculpem se parece confuso; porém, pode ser simples, e também emergencial, o que sempre é, em se tratando desse "mistério". 

Tuesday, June 12, 2012

Ninharias acumuladas pesam toneladas


Por Maria Teresa Serman

As pequenas coisas do cotidiano podem ser motivo de santificação e aprimoramento do caráter, tendo incomensurável valor diante de Deus. Por isso, não podemos desperdiçar as oportunidades que gotejam sem parar no vaso de oferendas de amor que desejamos oferecer ao Pai e aos irmãos a cada momento, dia após dia.

Contudo, também há o outro lado. Coisas que parecem insignificantes tendem a pesar e desgastar, se não percebemos seu acúmulo pela constante repetição. A rotina das contrariedades, implicâncias, picuinhas, pirraças, é sempre a assassina do amor, não a simples repetição de atos comuns. Se precisamos variar a roupagem destes, devemos com urgência examinar-nos e extirpar aqueles.

Na família, acontece entre pais e filhos, e atrapalha a comunicação e o relacionamento amoroso necessários para a felicidade no lar. Quando entre o casal, pode ser insidioso e fatal, só percebido à beira do abismo ou já despencados nele abaixo. NINGUÉM está imune a essa ameaça. E ela aumenta com o tempo, quando já estamos acomodados, quando o ninho está vazio dos filhos, quando um ou os dois se aposentam. No evangelho, o Senhor recomenda: "Vigiai e orai..." E eu peço licença para acrescentar, no caso dos matrimônios: Vigiai, orai muito e deixai de ser chata(o) e se achar o centro do seu mundinho..

Não sei se já repararam, mas é comum ver, nos shoppings ou nas ruas, esposas de meia idade ou mais ralhando e fazendo cara feia pros maridos, e eles com o olhar perdido, pois já se desligaram para sobreviver com média sanidade por mais uns anos. Também existem os adoráveis consortes que reclamam de tudo que a sua "sem sorte" faz, gasta, prepara, pensa, respira. Isso quando ainda estão ali somente, e  não ali e "acolá", não sei se me entendem.

É um tal de "Não aguento mais o fulano, está velho e insuportável, lento e calado!"; "Como consegui ficar tantos anos ao lado desta jararaca?!"; "Preciso sair de casa pra não ouvir a voz dele me chamando a toda hora!"; "Graças a Deus hoje tem pelada e chope, tenho desculpa pra voltar quando ela já estiver dormindo!". Ao mesmo tempo, podemos nos emocionar com casais de cabeça branquinha, de braços dados, apoiando-se um no outro, usufruindo do resto do tempo que passarão juntos antes da eternidade. Ontem mesmo, na missa, observei um senhor delicadamente suportando o peso da esposa que cochilava no seu ombro. Acontece muito com essas pessoas adormecerem com sermões ou cantos mais suaves.

Então, qual é o segredo? Os casos são únicos e individuais, cada par tem sua história de amor. Mas considero invariável uma coisa: os que mantêm o amor sob seu doce comando, digamos assim, não se detêm em mesquinharias, dilatam o coração,  procurando a felicidade do outro e aproveitando os melhores momentos juntos. Não precisa ser uma grande viagem, frequentar restaurantes luxuosos, assistir a peças aclamadas semanalmente. É sem dúvida muito legal, mas não é garantia. E muitas vezes abafa as palavras que o coração do(a) amado(a) tenta desesperadamente dizer, sem ser escutado. São gritos de carinho, pedidos de socorro e atenção, luz vermelha acendendo direto. E podemos ser pegos de surpresa, muito cuidado, quando o outro já desistiu de tentar.

Saturday, July 10, 2010

Li por aí (9) – Diálogo entre marido e mulher (parte II)

Continuando aproveitando as dicas do Blog amigo, vamos ver quais sugestões temos para sermos melhores maridos e melhores esposas.
Coloco o texto um pouco resumido.
Este assunto esta relacionado a postagem do dia 02 de julho.


Por Pe Paulo Monteiro

Coisas que o marido deve evitar:
- que não esteja sempre se queixando que está esgotado do trabalho;
- que não interrompa a esposa quando ela está falando;
- que depois de um atrito não passe dias sem falar com sua esposa;
- que não puxe a sua “lista de agravos” sobre o passado, lembrando as falhas da esposa;
- que durante o café repare na esposa, converse, e não mergulhe nas páginas do jornal;
- que não seja carinhoso com a sua esposa apenas quando quer ter algo em troca;
- que não se isole da família, lendo o jornal ou assistindo a TV, ao chegar do trabalho.

Coisas que o marido deve fomentar:
- que diga à sua esposa que a acha bonita ou que gosta de tal ou qual vestido, como costumava fazer quando eram namorados;
- que fale um pouco do que vai fazer naquele dia ainda que pareça trivial;
- que se preocupe com os filhos quando volta do trabalho
- que colabore com algumas tarefas pequenas da casa
- que numdia especial leve a sua esposa para jantar fora como quando eram recém-casados;
- que dê um beijo na esposa ao despedir-se e ao chegar em casa;
- que leve de vez em quando um presentinho para a esposa: flores, bombons, etc;
- que ao chegar em casa ouça pacientemente o que a esposa quer contar, sabendo que ela necessita disto para ficar mais tranquila.

Coisas que a mulher deve evitar:
- que não esteja sempre fazendo comparações com outros casais amigos e conhecidos;
- que não se queixe ou se irrite por bobagens;
- que não arranje desculpas, cansaço, doenças, para evitar o ato matrimonial;
- que não rejeite sistematicamente os programas do marido: um passeio, um cinema, etc.

Coisas que a mulher deve fomentar:
- que saiba preencher os tempos de descanso do marido, com calma e sossego, sem falar dos problemas da casa, dos estudos dos filhos, do pagamento das prestações, etc;
- que fale destas coisas num momento oportuno, quando ele estiver mais descansado;
- que gaste menos, seja mais econômica, melhor administradora; que não dê a impressão que está sempre pedindo dinheiro;
- que elogie o marido, que o valorize como profissional; que a profissão do marido não seja válida apenas por trazer dinheiro para casa;
- que pense no marido como se fosse outro filho;
- que respeite um pouco o silêncio do marido quando ele está preocupado ou cansado, pois é assim que resolve seus problemas ou descansa.

Coisas que ambos devem fomentar:
- que nunca faltem o respeito um ao outro; e se, por uma infelicidade, um dos dois faltou o respeito, pedir imediatamente desculpas e fazer algo para reparar;
- que nunca deixem de namorar, que tenham um dia na semana só para os dois;
- que nunca se deitem sem ter feito as pazes;
- que o amor não pare de crescer.
- que coloquem a Deus como apoio fundamental para a relação entre ambos: Deus que é autor do amor e do matrimônio;
- que saibam que não há obstáculos que o amor não possa superar, "o amor é mais forte do que a morte", o amor vence sempre, vence tudo aquilo que pode causar a morte.