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Saturday, December 22, 2012

Maturidade real

A maturidade nem sempre vem com a idade e, até mesmo nós, adultos, podemos não ter alcançado ainda esse patamar na vida.

 Lembro-me bem do momento em que senti o peso da idade e  a responsabilidade da vida e de meus atos. Foi quando meu primeiro filho, aos 18 anos, saiu de casa para começar um novo passo na sua vida longe de nós, era um novo parto para mim, pelo qual eu nascia para a idade adulta e assumia a maturidade, nos meus 38 anos. Até então, acho, tinha a inocência e a despreocupação típica dos jovens.

 Cada um tem o seu parto de maturidade, isto é, um  momento onde somos amadurecidos à força. E só sentimos isso quando a responsabilidade dos nossos atos assume a real dimensão que tem.
 Muitas pessoas agem como crianças por toda a vida, sem assumirem suas verdadeiras idades, são adultos ridículos, incapazes de sair  do conforto da infância, colocando-se sempre numa posição imatura diante da vida e das decisões a tomar. Essas pessoas costumam ter como princípio não assumir compromissos, e, quando assumem, não os levam a sério.

 Já viram aquele adulto acriançado? Não me refiro àqueles que vivem brincando e alegres, e sim aqueles que só fazem a sua vontade, que são incapazes de um ato de generosidade e de se sacrificar pelos outros, egoísmo esse típico dos imaturos. Falo do adulto que “bate o pé” como uma criança querendo seu doce preferido, não importando se sobrará para o irmão menor ou para o pai que vem cansado do trabalho a noite. 

 A idade adulta nos dá um certo ar de reflexão, uma atitude mais ponderada e nos ajuda a formarmos melhor a nossa própria família, assumindo tudo o que vem com ela: as dificuldades, as alegrias, os filhos, o marido, a mulher, as diferenças de cada um e nos ajuda a viver em harmonia com tudo o que nos cerca.

 A maturidade pode vir com o tempo, mas também podemos ensinar aos nossos filhos, através de exercícios de responsabilidade dados a eles. Quando exigimos a nota no colégio, quando damos um dinheiro nas mãos dos pequeninos e os orientamos como devem usá-lo, tudo isso mostrará o peso da responsabilidade e veremos o amadurecimento de cada um no uso dos seus direitos.

Monday, November 19, 2012

A chegada dos filhos e a construção da nova família

Nos primeiros anos de casados, com o trabalho e estudos, o jovem casal aproveita todo o tempo que sobra pra extravasar a paixão desse amor,  e às vezes descuidam, pela falta de tempo, da conversa.  E pequenas coisas vão se acumulando e justamente por isso, na primeira dificuldade maior, acaba acontecendo uma explosão desproporcional ao acontecido.


As diferenças e as briguinhas do casal são para resolver entre os dois, nada de contar ou desabafar com os parentes. Além de ficar mais difícil pra fazer as pazes depois, é também uma chance para intromissões e parcialidades.

O casal recém-casado cria novos costumes para seu novo lar, diferente das casas paternas, um ambiente que parecia ideal para ambos. Porém, com a chegada dos filhos, muitos dos hábitos, das regras, deste novo lar, precisarão ser adaptados aos pequenos seres indefesos que estão se juntando a este casal.

Com a chegada dos filhos, os limites  para os avós e outros parentes, precisam ser novamente colocados a prova. Quando temos os filhos, surgem mais diferenças. O casal deve primeiro decidir entre si o que é o básico, o  que vão querer para o bebê, desde a cor do quarto até a educação que pretendem dar. Não se deixem pegar desprevenidos.

É comum ver casais tendo o primeiro filho e ficarem atônitos no seu dia a dia, com os acontecimentos que vão surgindo, e, por conta disso,  precipitando as brigas entre o casal por falta de fazerem anteriormente essas simples combinações das regras do jogo.

“ Meu neto não vai para o chão porque é sujo”, decreta a avó! Mas se o casal não vê mal nisso, e até sabe que é bom para o desenvolvimento do bebê, vai precisar discordar e dizer que vai sim, e o sim tem que ser de ambos.

A ajuda dos sogros com o filho pequeno é muito boa e bem vinda, desde que tenha limites. Não custa nada ouvir um pouco a voz da experiência, sem birras, e deixar aflorar o melhor para a criança.

A mãe que chega para o filho e fala mal da nora, tenha ou não razão, não merece apoio da parte dele. E vice-versa. Se ela acha que o neto não esta sendo bem cuidado, está mal vestido, que guarde a opinião para si, ou vá com jeitinho dando umas roupinhas mais bonitinhas e suprindo com delicadeza esses itens. 

Presentes que os avós adoram dar as crianças, fora de hora, precisam ser ponderados entre o casal, pois  presentear com coisas grandes, por exemplo, pode ser que seja conveniente,  só no aniversário e Natal. 

Tenham carinho com os avós, e ao mesmo tempo firmeza. Lembrem-se de que o casal tem graça de estado para saber o que é melhor para seu filho. Devem ponderar sempre entre os dois as ideias  e ver o que de fato é bom ou não na educação dos  filhos.

O ditado “Na minha casa mando eu” – deverá ser:  “Na nossa casa mandamos nós dois” . O diálogo – com a chegada dos filhos -, entre o casal, fica cada vez mais necessário e de grande valia.

Friday, June 15, 2012

Conselhos para uma vida mais longa e melhor. (Sem Insônia e Stress)

Por  Agnes G. MilleyGostaria de partilhar com vocês uma experiência saudável.

Há alguns anos atrás, eu sofria de uma insônia incorrigível.  Foram muitas as tentativas para minimizar os efeitos devastadores da privação do sono. Meu médico, então, sugeriu que procurasse um neurologista. Obedeci prontamente e depois de uma estimulante conversa com o Dr. Sérgio S. Gemembauer, saí de seu consultório  não com uma relação de exames complicados a fazer, mas com uma lista de Bons Conselhos na memória. Chegando a casa, passei tudo que ouvi para o papel. Fiz cópias e distribuí os entre meus amigos. Agora tenho a oportunidade dá-los de presente para vocês.  Aqui vão eles:

•    Ter uma alimentação frugal.
•    Não beber água às refeições.
•    Beber 2 litros de água para hidratar o corpo.
•    Não beber mate, guaraná, chá preto, café, e nenhum refrigerante. São todos estimulantes.
•    Não comer chocolate.
•    Comer alimentos com pouca gordura e condimentos leves.
•    Tomar leite morno e banho morno antes de dormir.
•    Comer frutas calmantes:  maracujá, maçã, uva ....
•    Não fumar.
•    Beber pouco, ou melhor, não beber.
•    Ter atividades diversificadas, sem muita rotina.
•    Fazer exercícios físicos regularmente.
•    Não ver filmes de horror ou muito violentos.
•    Fazer sempre o prioritário e o possível. Não se preocupar com o que não é possível de se fazer.
•    Manter contato com a Natureza.
•    Ser alegre, ter amigos.

Fazer tudo para não deixar a adrenalina subir. Ela destrói as células. Além da alimentação inadequada e do fumo, o medo, a ansiedade, a raiva, o ódio fazem a adrenalina subir.

Devemos amar. A paz, a alegria, a tranquilidade, o amor produzem em nosso organismo  substâncias contrárias à adrenalina que combatem a dor, a doença. Tornamo-nos menos vulneráveis, mais protegidos e, portanto,mais saudáveis e mais felizes.

As más notícias, aliás, toda informação negativa deixa sua marca, mesmo que pareça a nós mesmos que não damos importância e que não nos faz mal algum. Ao longo dos anos essas gotas de veneno vão se acumulando e não deixam de se manifestar de alguma forma.

•    O repouso é necessário.
•    Cuidado com as coisas “naturais”. Veneno de cobra também é natural.
•    Nenhum remédio cura. Todos são paliativos. Até mesmo os antibióticos. Eles matam a germe, mas se as condições não mudam, outro germe vem e ataca de novo.
•    Os vírus sempre existiram. A humanidade é que está com o sistema imunológico baixo.
•    Muitas doenças podem ser curadas sem remédios, com mudança de hábitos.

Vivemos em um mundo estressante, em um país estressante, em uma cidade muito estressante. Se não podemos mudar as coisas, devemos mudar a nós,  com hábitos de vida saudáveis. 

Atualmente, conselhos como esses nos são dados com maior frequência,  mesmo através de programas de TV , jornais e revistas.  A maioria de nós sabe o que lhe faz mal, mas temos coragem e perseverança para seguir esses bons conselhos?

Aos poucos minha insônia foi me deixando. Hoje tenho apenas episódios esporádicos, quase sempre causados por altos níveis de adrenalina.  Conheço minha inimiga, tenho os meios para combatê-la, mas tenho também a consciência de que quando ela me derrota é ela que tem razão.

Estamos a poucos dias do Rio + 20. Paro, penso e me pergunto: de quantas maneiras podemos contribuir para a saúde do Planeta Terra cuidando da nossa  saúde e a de nossas famílias?  Podemos contribuir? Creio que sim.

Tuesday, June 12, 2012

Ninharias acumuladas pesam toneladas


Por Maria Teresa Serman

As pequenas coisas do cotidiano podem ser motivo de santificação e aprimoramento do caráter, tendo incomensurável valor diante de Deus. Por isso, não podemos desperdiçar as oportunidades que gotejam sem parar no vaso de oferendas de amor que desejamos oferecer ao Pai e aos irmãos a cada momento, dia após dia.

Contudo, também há o outro lado. Coisas que parecem insignificantes tendem a pesar e desgastar, se não percebemos seu acúmulo pela constante repetição. A rotina das contrariedades, implicâncias, picuinhas, pirraças, é sempre a assassina do amor, não a simples repetição de atos comuns. Se precisamos variar a roupagem destes, devemos com urgência examinar-nos e extirpar aqueles.

Na família, acontece entre pais e filhos, e atrapalha a comunicação e o relacionamento amoroso necessários para a felicidade no lar. Quando entre o casal, pode ser insidioso e fatal, só percebido à beira do abismo ou já despencados nele abaixo. NINGUÉM está imune a essa ameaça. E ela aumenta com o tempo, quando já estamos acomodados, quando o ninho está vazio dos filhos, quando um ou os dois se aposentam. No evangelho, o Senhor recomenda: "Vigiai e orai..." E eu peço licença para acrescentar, no caso dos matrimônios: Vigiai, orai muito e deixai de ser chata(o) e se achar o centro do seu mundinho..

Não sei se já repararam, mas é comum ver, nos shoppings ou nas ruas, esposas de meia idade ou mais ralhando e fazendo cara feia pros maridos, e eles com o olhar perdido, pois já se desligaram para sobreviver com média sanidade por mais uns anos. Também existem os adoráveis consortes que reclamam de tudo que a sua "sem sorte" faz, gasta, prepara, pensa, respira. Isso quando ainda estão ali somente, e  não ali e "acolá", não sei se me entendem.

É um tal de "Não aguento mais o fulano, está velho e insuportável, lento e calado!"; "Como consegui ficar tantos anos ao lado desta jararaca?!"; "Preciso sair de casa pra não ouvir a voz dele me chamando a toda hora!"; "Graças a Deus hoje tem pelada e chope, tenho desculpa pra voltar quando ela já estiver dormindo!". Ao mesmo tempo, podemos nos emocionar com casais de cabeça branquinha, de braços dados, apoiando-se um no outro, usufruindo do resto do tempo que passarão juntos antes da eternidade. Ontem mesmo, na missa, observei um senhor delicadamente suportando o peso da esposa que cochilava no seu ombro. Acontece muito com essas pessoas adormecerem com sermões ou cantos mais suaves.

Então, qual é o segredo? Os casos são únicos e individuais, cada par tem sua história de amor. Mas considero invariável uma coisa: os que mantêm o amor sob seu doce comando, digamos assim, não se detêm em mesquinharias, dilatam o coração,  procurando a felicidade do outro e aproveitando os melhores momentos juntos. Não precisa ser uma grande viagem, frequentar restaurantes luxuosos, assistir a peças aclamadas semanalmente. É sem dúvida muito legal, mas não é garantia. E muitas vezes abafa as palavras que o coração do(a) amado(a) tenta desesperadamente dizer, sem ser escutado. São gritos de carinho, pedidos de socorro e atenção, luz vermelha acendendo direto. E podemos ser pegos de surpresa, muito cuidado, quando o outro já desistiu de tentar.

Sunday, April 22, 2012

MENINAS SUPERESTIMULADAS (2ª Parte)

Por Dora Porto - da revista Ser Família - Ano III - Nº19

Hoje, pode-se observar que, para muitas garotinhas, comprar é um vício! (...) E o pior de tudo isso, nem é o fato de serem estimuladas a comprar, mas sim os produtos que compram... Maquiagens, roupas de adultos, serviços de beleza (como depilação, tintura de cabelos, unhas, etc)... E mal saíram das fraldas! Com essa atitude (muitas vezes bem intencionada) das mães, essas meninas são obrigadas a crescer a toque de caixa, a queimar etapas importantes de sua infância e puberdade. Hoje, as meninas com 9 anos de idade apresentam comportamentos das de 14 de ontem.

Outra grande influência é o modelo apresentado por artistas, "reality shows" e outros programas de TV. Adultos que servem de "exemplo" para elas, e que não se importam com isso e nem deveriam ter esse papel. Não estão ali para educá-las, mas acabam sendo imitados... O que acontece é o que afirma a autora (Maggie Hamilton): "ter um comportamento precocemente sexy e fora de controle parece a melhor forma de virar notícia, e talvez isso explique por que as meninas se envolvem em situações de risco ainda tão jovens." E "virar notícia" é para muitas meninas o maior "sonho de consumo"!
(...)
Mas, afinal, o que querem as pré-adolescentes? Podemos afirmar, sem medo de errar, que querem ser amadas! E para ter certeza disso, parece que precisam ser notadas, fazer parte, integrar, pertencer. Ou seja o "todo mundo faz" passa a ser a palavra de ordem que deixa muitos pais calados, por falta de argumentação. Hoje, por obra e graça de alguns programas televisivos, o sonho da adolescente é "ser famosa" e poder lucrar muito com essa fama. Só resta saber que lucro é este!

Isso também tem suas consequências no que se refere à preocupação com seu corpo. Muitas meninas, ainda bem pequenas, adquirem uma verdadeira neurose por regimes e "malhação", pois o que interessa é manter a forma. Algumas, graças a Deus não a maioria, podem até se submeter a exageros no não comer para adquirir um corpinho perfeito. Casos de anorexia infelizmente são mais frequentes do que se poderia supor há alguns anos. A mensagem é clara:"é proibido ser mais gordinha e não corresponder ao padrão de beleza estabelecido." E as inúmeras meninas que não se enquadram nesse padrão começam a se sentir marginalizadas. Sentem uma flechada na sua autoestima.

Também há um aspecto importante e preocupante que deriva dessa hiperestimulação proveniente de permanecerem o tempo todo "online". Diferente dos adultos, acostumados a processar grandes volumes de informação captados da mídia, as crianças não podem suportar a mesma carga. (...) Elas não têm tempo para a reflexão, nem para aprenderem a relaxar por algumas horas, e acabam não tendo oportunidade de desenvolver experiências enriquecedoras que as levem a desenvolver sua criatividade.
(...)
O papel dos pais é cada vez mais importante e requer reflexão e criatividade, pois é costume que as adolescentes desdenhem daquilo que vem por parte de seus pais, se estes não tiverem criado uma autoridade moral e sobretudo um canal aberto de comunicação. É muito frequente que as mães e os pais não tenham a menor ideia do que realmente estão pensando e vivendo suas filhas pré-adolescentes. Sua própria experiência de vida parece não lhes render muitos argumentos. Mas, ao contrário do que podem pensar, os adolescentes se importam com o que pensam seus pais.

Thursday, March 8, 2012

APROPRIAÇÃO POSSESSIVA (2ª parte)

Autora - Dora Porto
Continuação do dia 6/3/2012

Uma pessoa é um ser inteligente, que está obrigado a pensar por conta própria, senão não é uma pessoa, mas um manequim, uma boneca, e não alguém que livremente se entrega a quem quer.

Os especialistas observam que "na apropriação possessiva não se respeita o corpo do outro". Se isso acontece, respeitarão por acaso as suas opiniões, a sua forma de pensar e de ser? Numa palavra, o seu espírito? E por não se respeitar, pode um cônjuge entregar a outro aquilo que não reconhece nem respeita?

"É, PORTANTO, NECESSÁRIO QUE ANTES DE ACUSAR, OU CULPAR, O CÔNJUGE PELA APROPRIAÇÃO POSSESSIVA, CADA UM REFLITA NA SUA PRÓPRIA ATITUDE. QUEM SE DEIXOU POSSUIR E QUEM TENTOU POSSUIR PODE E DEVE REVER O SEU COMPORTAMENTO."

"QUANDO O CORPO É TRATADO COMO OBJETO, IMPEDE-SE QUE ELE POSSA DOAR-SE, PORQUE OS OBJETOS NÃO PODEM DOAR-SE."

Quando amamos de verdade alguém, queremos que cresça, que se desenvolva, que ganhe plenitude pessoal. Amar é querer o bom da pessoa que se ama. E o que é o bem, se não o crescimento harmônico me todas as suas dimensões?

Porém, isso não significa que se deva impor a sua vontade à pessoa que se ama. Menos ainda remodelar ou reconfigurar a estrutura psíquica dessa pessoa, segundo o que o cônjuge entenda como bom. ISSO NÃO É AMAR.

A DOAÇÃO É CONDIÇÃO E CONSEQUÊNCIA DO AMOR, MAS PARTINDO DA LIBERDADE PESSOAL.

Querer modelar a pessoa a seu gosto é o pior negócio que se pode realizar! E isso é válido não só no contexto dos esposos, mas também no dos filhos. Há amor quando da doação mútua se cria um "nós", que é mais rico e mais poderoso que uma pessoa solitária, pois é enriquecido pelo relacionamento.
Extraído da revista SER FAMÍLIA - Ano II - Nº 9

Tuesday, September 21, 2010

A beleza dos limites

Por Rafael Carneiro da Rocha

Se quisermos que as nossas ações sejam belas e agradáveis ao espírito é preciso traçar limites, como o artista compromissado com o tamanho da tela ou o músico que trabalha uma sinfonia a partir dos limites de tempo. Não existem telas infinitas ou músicas que não terminam.

No fundo, o hedonista que despreza os limites é alguém que não sabe curtir a vida. Prazeres precisam ser apreciados e não queimados de forma inconseqüente. É preciso criatividade para lidar com a nossa sede por prazeres.

Castelos são construídos em terreno delimitado. Quem prefere espalhar tijolos aleatoriamente pode circular o mundo com o seu sorriso, mas se perderá facilmente da beleza que tentou fazer.

É preciso pensar na poética dos limites, que são incompreendidas há milênios por caretas e hedonistas. É engraçado, mas uma certa ideia de limite do careta e do homem dos prazeres pode se assemelhar. A diferença desses dois tipos de sujeitos está relacionada apenas a um conceito banal de prazer. Um sente prazer por regras, o outro sente prazer com a ausência delas. Vaidade, tudo é vaidade.

O contrato da existência livre deve ser assinado. Compromissos e limites facilitam a criação prazerosa da vida. Fora deles, tudo se perde. Dentro deles, um infinito pode ser construído.

Saturday, August 28, 2010

Li por aí (11) - Educação sentimental

Retirei o texto abaixo do blog do João Carlos, onde mostra bem, por onde andam os sentimentos. E podemos aproveitar as idéias na educação dos nossos filhos. Para que tenham mais controle sobre si e dominem suas reações intempestivas.

O coração é a sede dos sentimentos, mas os sentimentos devem adequar-se à realidade. Já pensou se, no cinema, um espectador caísse na gargalhada durante a exibição de um encontro romântico ou no momento da execução injusta de um personagem importante da trama? Ainda pior seria na vida real: isso ofende muito, demonstra egocentrismo e mina a confiança entre as pessoas.

Nem todo sentimento será de acordo com a razão (“o que deve agradar me agrada, o que deve desagradar me desagrada”). Diante dos sentimentos “irracionais”, que não correspondem às circunstâncias, às pessoas, ao momento…, o que fazer? Não parece eficaz mudá-los à força, nem aguardar que mudem por si mesmos. O mais indicado é ignorá-los e fazer o que se deve fazer, segundo o bom senso. Agindo assim, o gosto virá depois, com o hábito das boas reações já arraigado.

E os sentimentos razoáveis? Como saber que efetivamente correspondem a reações corretas? A racionalidade dos sentimentos vem dada pelas relações que supõem. O motivo de uma alegria, a finalidade de uma atitude aguerrida, a razão de uma esperança, etc., tudo isso ganha sentido no contexto das relações interpessoais. O sentimento tem um caráter relacional, mas o objetivismo exacerbado leva à dureza de coração.

Formação é a educação da vontade, inteligência e do coração. Mas, na sociedade tecnicista, os educadores infelizmente tem preferido encobrir a atrofia sentimental pelo consenso. É a etiqueta substituindo a estética.

Como você vai de educação estética?

Wednesday, June 2, 2010

Pirraças inevitáveis

Por Maria Teresa Serman

Acontece com as crianças a metamorfose inversa dos contos de fadas. Nestes, os sapos se transformam em príncipes; nossos adoráveis anjinhos, não mais que de repente, como diria o poeta, se transformam em ogros (perto deles o Shrek é o Brad Pit): espumam, se contorcem no chão, soltam gritos horrendos, ficam arroxeados. O que é isso? Ataque epilético, gripe suína, surto psicótico???? Não, uma genuína PIRRAÇA. . Um show de deixar a menina do filme O exorcista no chinelo. Todas as mães já passaram por esse momento terrível, em maior ou menor proporção. Grava-se para sempre na (nossa) memória a vergonha e o conflito que a situação nos provoca.

Seja qual for a reação materna, ela nunca contenta a platéia. Se perdemos a cabeça, berramos e ameaçamos, todos condenam a falta de controle da pobre infeliz psicologicamente despreparada para lidar com uma criança tão indefesa. Indefesa??!! Pois sim. Se tentamos falar docemente com o diabinho, acalmando-o com meiga entonação e doces palavras, o público, penalizado, sacode a cabeça, constatando a fraqueza daquela criatura - a mãe - diante de um serzinho tão facilmente domesticável.

Nessa hora chovem conselhos e cochichos. É a hora do desamparo, da sensação de fracasso e, principalmente, de uma pungente vontade de SUMIR. Calma, muita calma nessa hora. Em primeiro lugar, desconheça as caras e carões que a cercam e, se possível, saia dali, arrastando educadamente - eu disse EDUCADAMENTE - o ogrinho, quer dizer, seu filho. Fale com ele ou ela bem baixo, sem alterar o tom ( Acredite, você consegue, Deus existe e gosta das mães! ), dizendo-lhe que ele não conseguirá nada com esse comportamento e que, quando chegar em casa, ficará de castigo na cadeirinha da Supernanny, pensando no que fez. E o mais importante: não se deixe vencer pelo berreiro e dê à criança o que ela quer. Você se tornará presa fácil daí em diante.

Falar é fácil, eu sei, e como sei! Um das minhas amadas filhas era doutora em pirraças colossais, merecedoras de um anfiteatro grego de assistência. NADA a fazia parar até a completa exaustão. Lógico que a minha vinha muito antes da dela. Um dia tive uma revelação, diria eu uma iluminação. Levei-a com roupa e tudo para debaixo do chuveiro frio, o que a fez parar instantaneamente de berrar e, pasmem! , começar a rir. Isso se repetiu outras vezes, cada vez com menos frequência, até não acontecer mais.

Não estou recomendando que afoguem seus filhos, entendam bem. Só quero deixar claro que pirraça é um teste por que todas as mães vão passar. É uma fase que pode se estender desde o bebê ( quando tomam choro é pirraça ) entrando pela adolescência. E não tem adulto mal educado que ainda faz pirraça? Deve-se lidar com ela de acordo com cada criança, mas, de maneira geral, esta é uma boa receita.

Adoraríamos se outras mães escrevessem seus lances especiais com os filhos, compartilhando assim suas experiências. Aguardamos seus comentários para que todas possamos aprender umas com as outras.

Monday, May 17, 2010

Perguntas e Respostas: Dra Mannoun Chimelli - Adolescentes - Como educar? (Parte 42)

As perguntas estarão apenas com as iniciais dos nomes, para deixar bem à vontade nossas amigas.

Jovens valorizam mais os amigos?
1 – O. A. S. diz: Dra, já leio faz algum tempo suas respostas neste blog,e gosto muito, gostaria de saber quando, em que época o adolescente começa a valorizar mais os amigos do que a família? E o que podemos fazer a respeito disso. Isso tem a ver com a idade, com a adolescência ou é produto da época em que vivemos? A mudança hormonal produz algum efeito no modo de ver as pessoas com que sempre conviveram?

RESP: Cara O.A.S .Em geral os adolescentes começam a buscar mais os amigos que a família em torno dos 14,15 anos.Faz parte de uma Adolescência normal, porque as pessoas necessitam exercitar sua personalidade, conhecer-se mais, trocar experiências entre seus iguais. Isto é importante para eles e para os familiares também, pois é quando se começa a perceber como estão elaborando em suas vidas os valores e virtudes aprendidos na família.
O melhor é que os pais tenham formado um bom grupo de amigos e convivam com famílias amigas porque entre elas os filhos escolherão seus amigos também.
A mudança hormonal influi no modo de ser, na expressão do temperamento e nos comportamentos.
Se desejar mais informações, estou às ordens. Um abraço da Mannoun

Namoro aos 13 anos
2 - A. diz: O que devo dizer a minha filha de 13 anos que esta namorando? Que providências devo tomar? Devo falar diretamente sobre sexo no namoro ou ainda é cedo?

RESP: Olá, A.
A formação dos filhos inclui desde sempre a orientação sexual, como é a personalidade feminina, a masculina, modos de ser, pensar e agir.
Converse com sua filha com muito carinho explicando que deveria esperar um pouco mais para namorar. Está na idade de sair em grupo, conhecer e conviver com rapazes e moças de sua faixa de idade para formar amigos e depois então selecionar o seu namorado. Namorar nesta idade isola a Adolescente do convívio natural com os outros e não ajuda muito na formação da personalidade que começa a desabrochar.
Fale com ela o que é o Amor, explicando a beleza de uma vida vivida em plenitude dia a dia, sem pressas, sem aflição nem ansiedade. Para tudo há um tempo e o tempo do namora virá.
Não se aflija com as “providências a serem tomadas”. Se entendo bem, sua preocupação é quanto à atividade sexual, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis... Fale claramente e mostre uma visão positiva da sexualidade, enfatizando o valor da castidade, da pureza, da beleza de saber esperar! As mães sabem falar de coração a coração. Peça para ela esperar e creio que todos ganharão! Fico às suas ordens, Mannoun

A importância dos limites

3 - L. diz: Tenho ouvido muito falar em limites aos filhos.Porquê os limites são tão importantes na educação dos nossos filhos? E porque sentimos tanta dificuldade em dá-los? Meus filhos ainda estão com 9 e 1 ano e já estou sofrendo por conta disso. Agradeço sua resposta L.

RESP:Olá, L. !
Os limites fazem parte de nossa vida, pois nos ensinam até onde devemos e podemos ir e onde começam os direitos alheios.
O NÃO é uma forma de limite que hoje se vive pouco na educação por um mal entendido direito a tudo. Crianças que escutam poucas vezes o NÃO ou que jamais são orientadas a respeitar o alheio, a esperar e que tem todas as vontades atendidas- às vezes até mesmo antes de manifestarem - tornam-se voluntariosas, impertinentes, insatisfeitas, mal humoradas e de difícil convivência...
Concordo plenamente que é tarefa difícil colocar limites na educação porque para nós é mais fácil e mais cômodo concordar com tudo ...deixar para lá...ou pensar " a vida ensinará "...
Garanto-lhe, porém que VALE A PENA! Ensinar que temos limites garante aos filhos uma vida equilibrada e saudável!
Sugiro que leia um pequeno livrinho que escrevi e que se chama “Gastando tempo com os filhos" da Editora Quadrante, São Paulo. Pode solicitar pela internet.
Penso que pode ajuda´-la ! Um abraço da Mannoun

Thursday, January 14, 2010

Violência doméstica- Filhos sem limites

Parece que as coisas andam ficando invertidas na família. Filhos violentos, sem limites, e em prol de uma pseudo-educação, as crianças estão " deitando e rolando" com os pais.

Não podemos deixar de usar a nossa autoridade de pais e transferir a outros a tarefa que é nossa: Educar os filhos para o mundo.

Hoje me enviaram este filme do Yotube que retrata muito bem a situação de algumas famílias que abdicam do uso da sua autoridade.

Mesmo estando em alemão, dá perfeitamente para entender pelas cenas que vão passando.



É muito triste ver um filho tratando seus pais e irmãos desta forma. E ainda pior é ver os pais amorfos, deixarem isso acontecer. E isso não é uma situação ímpar nas famílias, atualmente tem chegado a nós muitas pesquisas querendo saber o que fazer com seu filho sem limites ou sem educação. Não existem fórmulas prontas, mas existe o bom censo que nos mostra o que esta ou não funcionando na educação moderna das crianças.