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Saturday, February 23, 2013

Credo – parte 2

Já escrevemos sobre a primeira parte do Credo, a do Pai criador. Agora vamos ressaltar a segunda pessoa da Ssma Trindade, o filho. Nada poderíamos escrever de melhor do que transmite uma carta do Prelado do Opus Deis aos fieis da Prelazia. Vamos transcrever alguns trechos, para que apreciem e meditem, neste Ano da Fé.

"O Credo da Missa expõe com suma simplicidade o mistério da Encarnação redentora, ao confessar que o Filho de Deus, por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus e encarnou-se pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Nessas poucas palavras, que pronunciamos ou cantamos acompanhadas de uma profunda inclinação de cabeça, narra-se o acontecimento central da história, que nos abriu as portas do Céu. Nesse texto, como numa filigrana, escuta-se o eco dos três relatos da Encarnação que os evangelhos nos transmitem. São Mateus, ao falar da anunciação do mistério a São José, põe na boca do Anjo as mesmas palavras com que se refere ao Filho da Virgem Maria: por-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados . A encarnação e o nascimento de Jesus manifestam a infinita bondade divina: uma vez que não podíamos voltar para Deus pelas nossas próprias forças, por causa do pecado – o original e os pessoais –, Ele veio ao nosso encontro: Tanto amou Deus o mundo que lhe entregou o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que crê nEle não pereça, mas tenha a vida eterna. Recordo-vos aquela consideração com que São Josémaria nos instava a viver uma fé atual, profunda: Se não nos enchemos de pasmo ante os mistérios de Deus, acabamos por perder a fé. Cuidamos com delicadeza do trato com Jesus? Agradecemos essa onipotência do Senhor que reclama a nossa submissão, como prova de amor?
Ó Mãe, Mãe! Com essa tua palavra – “fiat” – nos tornaste irmãos de Deus e herdeiros da sua glória. – Bendita sejas!].

Todas estas razões, e muitas mais que caberia enumerar, podem resumir-se numa só: “O Verbo encarnou-se para nos fazer «participantes da natureza divina» (2 Pe 1, 4): “Porque tal é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, ao entrar em comunhão com o Verbo e receber assim a filiação divina, se convertesse em filho de Deus»”].

Jesus Cristo é realmente a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade: o Filho do eterno Pai que assumiu verdadeiramente a nossa natureza humana, sem deixar de ser Deus. Jesus não é um ser em parte divino e em parte humano, como uma mistura impossível da divindade e da humanidade. É perfectus Deus, perfectus homo, como proclamamos noQuicumque ou Símbolo Atanasiano

Consideremo-lo uma vez mais: “A verdadeira fé consiste em que creiamos e confessemos que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. É Deus, gerado da mesma substância do Pai antes do tempo; e homem, gerado da substância da sua Santíssima Mãe no tempo: que subsiste com alma racional e carne humana. É igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade. E, embora seja Deus e homem, não são dois Cristos, mas um só Cristo. Um só, não pela conversão da divindade em corpo, mas pela assunção da humanidade em Deus. Um absolutamente, não por confusão de substância, mas na unidade da pessoa"].

Precisamos ter presentes e vivas em nossa alma esses dois pontos que acabamos de citar: não basta acreditar, é preciso confessar Jesus Cristo por palavras e obras de amor, pelo apostolado constante e paciente, pela unidade de vida; entendamos com clareza que a natureza divina não se deteriorou ao assumir a nossa humanidade, e sim esta mesma humanidade se elevou a uma nova dignidade, a de filhos de Deus.

Diante de tão grande mistério, só podemos contemplar como o fez S. Josémaria: Necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.

Portanto, para termos convicção do mistério e dele darmos testemunho, precisamos humilhar nosso entendimento meramente humano e transcender até o sobrenatural, pelo conhecimento da doutrina, que deve nos despertar uma sede insaciável, e pela oração amorosa com acompanhamento fiel dos sacramentos. O Espírito Santo infundirá em nós, assim, os seus dons, conjugando-os a uma devoção de criança humilde e desprotegida, sempre entregue ao Pai, por meio do Filho."
                                                                               Maria Teresa Serman

Monday, January 21, 2013

Deus e os filhos (2ª parte)

Do mesmo livro já citado na primeira parte.
Escrevo-te a ti, que és pai. Quero falar contigo, que és mãe. Quero conversar com os dois, com todos os que têm - devem ter - a satisfação, o encanto, a alegria de ser colaboradores de Deus no nascimento e na educação dos seus filhos; com todos os que alimentam a nobre ambição de formar homens leais, íntegros, confiantes, responsáveis em face de Deus e em face do mundo.

Também quero falar convosco, que conheceis de perto a dor da vida e não quereis que os vossos filhos escutem os gritos do pecado.

Também escrevo estas páginas a todos os que quiserem começar novamente a vida porque caminham cheios de pesar. Oferece-se a vós um caminho novo, para que os vossos filhos não tenham de lamentar-se daquele que terão.

Também quero falar contigo - covardezinho -, que andas tão entusiasmado com os teus filhos que te aterroriza pensar que um dia possas deparar com a contrariedade. Dá a impressão de que tens receio de falar em voz alta da alegria que os teus te proporcionam, como se tivesses escapado à dor que o Senhor reparte com todos. Pensas acaso que Deus não sabe o que se passa contigo? Levanta a cabeça e reconhece o dom que o Senhor te concedeu. Não vês que, de outro ´modo, estás a ser ridiculamente supersticioso? Goza e sonha como os filhos, mas dá graças a Deus Por que te encolhes dessa maneira? Pensas que o Senhor não quer que sejas feliz na terra?

Escrevo estas linhas aos que têm e querem ter filhos. Àqueles que não os têm, porque o nosso Pai Deus não quis que os tivessem, a esses não posso dizer nada  nesta carta. Mas quanto aos que não os têm porque fecharam brutalmente as fontes da vida, esses que não leiam estas páginas, porque vou falar de AMOR e não me podem entender. Hão de querer traduzi-lo por CARNE e essa linguagem só se fala no inferno. Que se arrependam, que desandem o caminho andado, que mudem de vida.(...)

Nesta vida, podem-se fazer muitas coisas grandes. Nenhuma,porém, tão nobre, preclara e bela como esta: ajudar um filho a tornar-se homem, cristão, santo.

Grande e sublime a missão a tua, mãe, porque será tua a glória dos teus filhos. Que coisas não quis dizer aquela mulher emocionada à vista de Cristo e entusiasmada com a Sua Mãe! No meio do povo, demonstrou o seu agradecimento com um grito: Bem-aventurado o ventre que te trouxe! Bem-aventuradas as mães que se esforçam por formar cristãmente os seus filhos!

Embaixada sacrificada a tua, pai, que não verás por muitos dias o fruto dos teus trabalhos.

Terás que passar por desvelos, tristezas e receios; por desalentos, desassossegos, cuidados e preocupações; hás de passar por sonhos e esperanças. E chegareis, pais, mães, às grandes alegrias, aos grandes alvoroços, aos grandes entusiasmos, às grande realidades. Chegareis a dar um fruto inegável.

Sunday, January 20, 2013

Deus e os filhos (1ª parte)

Esta compilação de trechos retirados do livro DEUS E OS FILHOS, de J. Urteaga visa homenagear o aniversário natalício de S. Josémaria Escrivá, comemorado no dia  9 de janeiro.

A primeira coisa que Deus feito homem viu nesta terra em que vivemos foram os olhos de uma Mãe.

Alegrai-vos, vós que tendes filhos! alegrai-vos!

Vós, quem quer que sejais, correspondestes à vocação, ao chamado do Senhor. Colaborastes com Deus nos nascimento dos filhos. E Ele - que começou obra tão bela - há de terminá-la.

Vós, pais e amigos, se ajudardes muitos filhos a conquistar o céu, brilhareis eternamente como as estrelas.

Os filhos - dom de Yavé - são como setas nas mãos do guerreiro. "Bem-aventurados os que têm muitos filhos! Não serão confundidos." (Sl 126,4-5) (...)

A empresa de que te quero falar apresenta-se cheia de grandiosidade. Temos de começar por baixo. Por Cristo e pelo lar.
O que me preocupa é o lar, muito mais que o ambiente maligno e virulento da rua. O que me tira a tranquilidade é a vida que os teus filhos aprenderão a viver em tua casa, à vista do teu exemplo, ao contágio da tua vida; não é tanto o que possam aprender da infidelidade e da deslealdade dos outros. O que me inquieta é saber se lhes podes dar o "muito" que é necessário para se viver cristãmente nos nossos dias.(...)

Reparas o que podemos fazer amanhã, num amanhã cuja aurora já desponta, se agora formamos os teus filhos, os nossos homens ( e mulheres), tal como Deus e a Igreja os querem? Leais, decididos, resolutos, empreendedores, responsáveis, laboriosos, amigos da liberdade, sem medo, sem falsas vergonhas, sem escrúpulos (exagerados), sem temor; com esperança, com amor, com um grande amor, com uma caridade forte, que os leve a dar de comer a quem tem fome como a despertar os adormecidos, que são muitos e se arriscam a perder o céu,

Os filhos! Os teus filhos! São a esperança de Deus! (...)

Por que ficas pensativo? Parece-te pequena a empresa, ou impossível de realizar por ser grande demais? Não sabes que contamos com Deus? E "quem é semelhante ao nosso Deus..., que faz com que a estéril, sem família,s e sinta mãe gozosa de filhos?(Sl 112,5-9.

Não sejas pessimista. Anda! Vamos adiante.

Monday, December 31, 2012

Projetos para quê?

Por Maria Teresa Serman
Toda vez é o mesmo papo (comprovadamente furado): projetos feitos para o novo ano, que são padrões, tais como emagrecer; fazer exercício físico; comer saudavelmente aquela catrefada de coisas com ômega 1,2,3,4,5,6 ao infinito, e radicais livres que nos aprisionam; começar uma atividade prazerosa, ou terminar de ler a pilha de livros empoeirados na cabeceira, que olham condenatoriamente para quem os vem rejeitando; dar mais atenção à família (esse então é campeão!); trabalhar menos e ter mais lazer; enfim, aquela lista que ninguém aguenta mais ouvir ou fazer, por isso não fazemos mesmo!

Que tal começar o ano com pouquíssimas e acessíveis metas, encabeçadas por uma fundamental, que conduzirá todas as outras? Abandonar-se nas mãos amorosas do Pai e deixar que a Divina Providência nos guie? Não entendam tendenciosamente que isso significa deitar na rede e ficar de papo pro ar, nananina!, de maneira alguma, é exatamente o contrário: trabalhar, servir, amar, cuidar da família, dos outros e de si mesmo, mas sempre com uma visão sobrenatural, que é a que nos salva realmente, desde o começo até o fim.

Acredito que "tudo contribui para o bem dos que amam a Deus", e procuram estar atentos às Suas inspirações. Neste ano que virá, de minha parte só penso em fazer o que Ele espera de mim, e já é muito, porque Ele espera o melhor dos Seus filhos, como esperamos dos nossos. O que vou conseguir vai ser uma equação feliz - assim espero - da minha correspondência (por maior que seja só vai representar talvez 5% do total) e das graças que Sua misericórdia sem fim vai me proporcionar.

S.Paulo já disse, com toda a sua peculiar sabedoria e firmeza, que "quando sou fraco, aí é que sou forte", para que a Ssma.Trindade manifeste Seu poder. A minha contribuição é ter fé, esperança e caridade, e assim mesmo só será possível se eu Lhe pedir, pois sendo virtudes teologais, só advirão diretamente dele. O que, de novo, não significa inoperância.

Vamos fazer os outros felizes, sermos felizes e esperançosos, acolhermos com benignidade e alegria os que amamos, os que podemos amar melhor, e aqueles que necessitam do nosso amor, mas que precisam aprender a retribuir. Comemorar o Ano-Novo é abrir-se às expectativas de Deus para nós, e confiar cada vez mais na Sua bondade, desde este minuto, e em todos os novos anos da nossa vida passageira, com vistas ao Ano realmente novo e derradeiro, quando passaremos à eternidade junto a Ele, e nossa felicidade não terá fim. 

Felizes sejam todos os recomeços que o Senhor permitir a vocês, leitores e leitoras do blog, é o desejo que nós expressamos com carinho neste momento. Feliz Ano-novo!

Wednesday, December 19, 2012

Deus e nós

Por Maria Teresa serman

Já foi escrito um texto sobre a obediência e a liberdade; contudo, o tema é tão determinante em nossas vidas que, sem ter a mínima pretensão de esgotar o assunto - ninguém poderia -, resolvemos meditar um pouco mais no tema. É preciso, de início, diferenciar a VONTADE DE DEUS da Sua PERMISSÃO, coerente com a liberdade que nos concedeu e mantém. Aquilo que Ele concede não retira, como infelizmente os homens fazem. As alianças e bens espirituais que recebemos de Sua bondade são irrevogáveis, só podendo diminuir ou parecer nulos pelo NOSSO procedimento, não por castigo ou vingança Sua.

Deus não está eternamente de tocaia, como acreditam muitos, que assim aumentam seu sofrimento e desesperança. Não está esperando oculto, traiçoeiro, para "nos pegar". Pensar desse modo é conceber um Deus cruel, não um Pai amorosíssimo, "mais do que qualquer mãe do mundo pode ser". Ele está, sim, sempre atento ao momento da nossa salvação. Oferece a cada instante, a cada ESCOLHA NOSSA, a chance de nos arrependermos, retificarmos, mudarmos de vida, voltando para o caminho que leva à felicidade na terra e no céu. O passado e o futuro não têm importância decisiva no plano da nossa redenção, só o presente. O primeiro pode servir de escola para nós; o segundo, cabe a nós prepará-lo, lutando para melhorar o que já foi feito, e o que será ainda construído. Tanto faz para a Ssma. Trindade se rezamos agora por algo que já aconteceu, embora seja melhor nos anteciparmos, pois oração é amor. Ela já conta com isso, o Pai Criador, o Filho Mestre e Redentor, o Espírito Santo, que derrama sobre nós Seus dons.

Vivemos com nossas decisões; por isso, é fundamental examinar e retificar sempre. Deus nos protege, guarda, ilumina, mas não decide por nós. Também não fica de braços cruzados, digamos assim, para nos dar o devido castigo. Só aguarda paciente e benignamente nosso amor. Agrada-lhe muito mais o que FAZEMOS DE BOM,  pelo próximo, por amor a Ele, do que aquilo que NÃO FAZEMOS por rigorismo, farisaicamente.

Consideremos que cada momento é uma chance de amá-lO mais, amando e servindo como Ele QUER SER SERVIDO, não como nos é mais fácil. Com a Sua imensurável misericórdia de Pai , não permite que a nossa vida, por outro lado, ou como complemento dessa misericórdia, seja estritamente dependente das decisões tolas e cegas que podemos tomar. Se agimos com reta intenção e procuramos meditar na Sua Presença nossos erros e acertos, Ele extrairá dessas bobagens ou pecados graves muitas graças, pois, como disse S. Paulo, "omnia in bonum", "tudo concorre para o bem dos que amam a Deus" (com obras, não só palavras).

Como diz o ditado, "o seu a seu dono". Este texto é de autoria indireta de Ana Lúcia Romano, e brotou de uma conversa entre duas grandes e antigas (só na amizade, olhem bem) amigas, que compartilham da mesma fé. Obrigada, Nana, pela inspiração e sabedoria. Procurei ser fiel às infusões do Espírito que você me comunicou. Ele sopra onde quer mesmo, inclusive em uma mesa de restaurante.

Saturday, June 9, 2012

“O tempo e a conta” – para pensar em família

Colaboração de Agnes Gabriella Milley

 Frei Antônio das Chagas  ( 1631 – 1682 )
( atribuído também a Laurindo Rabelo  (1816  _  1864 )    

Deus pede-me hoje estrita conta de meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas como  dar, sem tempo, tanta  conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?


Para ter minha conta feita a tempo,
Dado me foi bom tempo, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Quero hoje fazer conta, e falta tempo.


Ó vós, que tendes tempo, sem ter conta,
Não gasteis esse tempo em passatempo,
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta.


Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo.
                                             
 Pergunto eu:   Como tenho eu,  feito a conta de “meu” tempo?